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2012-08-16

 

Pontal: um não acontecimento

Em épocas do ano de permanente nevoeiro, para avisar a navegação meio cega do perigo de promontório próximo, o farol substituía o facho luminoso por um tiro de canhão, a intervalos de tempo certo. O faroleiro, por fim, habituou-se ao estrondo e ao ritmo e voltou a dormir o sono dos justos.
Um dia, pólvora húmida ou culatra perra, o tiro falhou e em vez do estrondo, no momento certo, um tremendo silêncio que acordou em sobressalto o faroleiro.
É um exemplo clássico (pelo menos a partir de agora J) de um “não acontecimento” se transformar em “acontecimento”. Foi o que aconteceu, este ano, com o “Pontal” de Passos Coelho. A ausência de tudo o que pudesse comprovar o acerto da política seguida, a ausência de tudo o que pudesse abrir expectativa de o futuro vir a comprovar o seu acerto criou com estrondo, um não acontecimento. Só que, diferentemente do tiro falhado do farol, este não acontecimento já era esperado e por isso não produziu (ainda) o necessário sobressalto do “faroleiro”- todos nós, os “castigados”.
O “custe o que custar”, está, como se sabia, a gerar custos cada vez menos suportáveis a uns para salvação dos lucros agiotas de outros. O des necessário castigo”  (“castigo” é o entendimento moralista, e interesseiro, é claro, da política pelo “passismo” ) não está, “misteriosamente”, a dar o resultado esperado: atingir as metas do défice, objectivo que o “nosso cavaleiro da triste figura”, o nosso Passos, se comprometeu, com gosto e subserviência, perante os senhores lá de fora.


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