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2013-05-15

 

As BIG FOUR empregam 700.000 especialistas na fuga ao fisco

Na Alemanha, nas últimas décadas, o número de funcionários das autoridades tributárias (Finanças), mal pagos, diminuiu 5%. Em contrapartida o número de especialistas em otimização fiscal (leia-se fuga legal aos impostos) aumentou 30% e o número de advogados fiscalistas (outro tipo de especialistas na fuga ao fisco) aumentou 60% e são altamente remunerados.
Mesmo que mais nada dissesse bem se percebe para que lado têm andado as coisas.
Há 4 grandes empresas que detêm o grosso da atividade de fuga aos fisco, uma atividade essencial ao mundo da alta finança internacional. São conhecidas pelas BIG FOUR: a Deloitte, a PriceWaterHouseCoopers, a Ernst & Young e a KPMG.
Deloitte
Têm ao seu serviço 700 mil especialistas, trabalham em 150 países e faturam 76,5 mil milhões de euros por ano.

Só no minúsculo Chipre têm ou tinham 2.500 especialistas. São seus clientes as maiores multinacionais. Por exemplo a Deloitte tem a Vodafone ou a Microsoft, a Ernst & Young tem, p.ex. a Google, a Aple, a Amazon, a Coca Cola. 
A fonte é um estudo do alemão Walter Wullenweber que o publicou, em 15 de Março deste ano, na revista Stern, um estudo em parte reproduzido no Courrier Internacional, origem destes dados.
Nesse estudo diz-se que as Finanças de países como a Grécia, Chipre, Portugal ou Irlanda são incapazes de cobrar impostos às grandes fortunas. Mas o exemplo poderia, se este alemão quisesse, alargar-se à Alemanha. De facto um pouco adiante ele refere que na Alemanha desde 1960 os impostos sobre salários, consumos energéticos ou sob a forma de IVA, isto é os que atingem a população em geral, quase duplicou e os impostos sobre lucros, isto é sobre o capital e portanto sobre as grandes fortunas, caíram 75% . É obra!
Todas estas situações parecem paradoxais mas “esmiuçando” percebe-se que não o são assim tanto.
Os estados e os governos querem cobrar o máximo de impostos ou pelo menos todos os impostos que a lei estipula mas…nada se perceberá ou ganhará coerência se não se perceber que a função dos estados e dos governos é disputada e influenciada por forças contraditórias. Por um lado, pelo mundo do trabalho, por forças democráticas, por grande parte do eleitorado e por outro pelo mundo do capital, pelos bancos, gestores de fundos e fortunas, o mundo financeiro em geral. Mas os campos não são perfeitamente delimitados. Os altos salários estão em geral do lado do capital e o pequeno capital está, frequentemente, do lado do trabalho. E quem detém a maior parte da influência, e frequentemente o controlo dos governos salta à vista.  
Aquele exército de 700.000 funcionários da fuga ao fisco e os mil e um paraísos fiscais convivem em perfeita harmonia com os governos e os Estados porque nestes prevalecem os interesses do capital e, em particular, do capital financeiro.

Do ponto de vista ético esta situação é, para os que não conhecem bem as leis que regem a sociedade, profundamente desmoralizadora e obriga a olhar para os governos, especialmente os dos mais fortes países ou para as organizações internacionais, EUA, Alemanha Japão, UE, ONU, etc como entidades profundamente hipócritas, cúmplices dos multimilionários quando não da ilegalidade e do crime.
Todos sabemos que as BIG FOUR e quejandas só existem porque os parlamentos e os governos que fazem as leis fazem-nas frequentemente sob o controlo dos juristas especializados na fuga ao fisco, funcionários daquelas empresas ou de sociedades de advogados especializados no mesmo objeto, como o bastonário da AO, Marinho Pinto ou o vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade, Paulo Morais, além de outros, não se cansam de denunciar.
A fuga aos impostos em grande escala pelas grandes empresas, bancos e sociedades é uma forma da concentração da riqueza em cada vez menos cidadãos e uma forma de contrariar a redistribuição da riqueza pelo estado social que assim fica com menos meios para a educação, para a saúde para as reformas e demais medidas sociais.

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