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2013-06-04

 

O dinheiro ao longo da História. Agora é só magia, como tirar coelho da cartola?

Um economista meu amigo, triste com a iliteracia financeira do povo decidiu atacá-la começando pelos amigos. Fui dos felizes comtemplados. Enviou-me a coleção de 5 vídeos que graciosamente aqui em baixo vos ofereço.
-Mas olha lá - reagi eu que só ainda lhes dei uma olhadela de través - isto é completamente exotérico!! Já se viu, porventura, como ali dizem, que um banco qualquer quando lhe vais pedir um empréstimo, ele cria o dinheiro ali, do nada, como o mágico tira um coelho da cartola !?!?
- Mas tem regras. Tem de obedecer à lei.
- Hummmm...
- Não existia dinheiro mas passa a existir, não em notas ou moedas mas sob a forma de dinheiro escritural. Pedes 100 mil euros. O banco regista na tua conta que deves 100.000 € e que se não pagares perdes a casa, o carro, o almoço e o jantar e toca a andar. Mas de acordo com a lei.
- Então se eu pedir 100.000 € por dez anos, a um juro de 8% ao ano, ao fim de dez anos o banco ganha em juros, 80 mil euros sem gastar 1 cêntimo, sem produzir nada, só por ter registado no computador, ganha 80 mil? Então assim também eu crio um banco.
- Não podes. É necessária uma licença, o governo só a dá em casos muitíssimo especiais e só a banqueiros que é quem sabe do oficío. Trata-se de dinheiro escritural que só surgiu com um acordo dos bancos com os governos, há muito, muito tempo. Porque era melhor para a economia acabar com o método antigo de serem os governos a fabricarem, notas e moedas, a fabricar o dinheiro na Casa da Moeda. Assim evita-se que os governos em ano eleitoral desatem a fabricar notas e a criar inflação e tal. Agora "as Casas da Moeda fabricam apenas uns 5% do dinheiro em circulação. Isto obriga os governos a usarem o dinheiro com mais responsabilidade. Agora os governos se necessitam de dinheiro têm de o pedir aos bancos privados e pagar-lhes um juro para perceberem o valor do dinheiro. Como fazem aliás com o Banco Central Europeu.
- E os governos concordaram?
- O que é que os governos podiam fazer, a ideia era boa e além disso os banqueiros é que têm a massa.
- Mas isso assim é uma mina, os bancos ganham dinheiro sem precisarem de ter dinheiro, sem produzirem nada, sem mexerem uma palha?
- Não é bem assim, precisam de ter algum dinheiro para começar. E depois por cada euro seu ou dos depositantes podem emprestar muitos mais.
- Dinheiro que não têm?
- A bem dizer é dinheiro que não existe mas põe a economia a andar.
- Põe a economia a andar? Mas agora a economia não anda!
- Claro, isto, como tudo o que é humano, não pode correr bem sempre. Pelo menos para a maioria.
- E assim, por me terem emprestado dinheiro que não existe, ganham 80 mil?
- Um banco a sério não empresta por ano só 100 mil euros mas, digamos, uns 20 mil milhões, o que a um juro de 4 %, mais ou menos como aquele que Portugal paga à troica, isto é, aos bancos que eles representam, daria um juro de 800 milhões de euros por ano.
- E quem paga? O Zé, está visto.
- Paga quem leva o dinheiro, se forem os Estados depois os Estados vão ao teu bolso, à tua pensão ao teu ordenado, aos impostos.
- Mas se foi de dinheiro que os bancos nem sequer têm, dinheiro que não existia, disseste tu ?!
- Tem regras, é tudo de acordo com os Governos e as leis. E já se sabe os bancos necessitam de ganhar muito dinheiro. Não é gente como nós que vive para aí de qualquer modo. Aliás 95% do dinheiro que corre por aí, pelo mundo, é dinheiro que não existe. É dinheiro escritural. Não representa toneladas de ouro, nesse valor, num cofre forte do banco como já chegou a ser mas que não era boa ideia. O pior é se há uma crise e os devedores deixam de pagar. Aí até os bancos podem ir à falência. Como sucedeu com o Lehman Brothers, nos EUA, mas uma vez só, para exemplo e porque havia rivalidades com outros grandes bancos. Mas nesses casos em geral os Governos salvam os bancos com o dinheiro dos contribuintes para evitar males maiores.
- Mas que males?
- O "perigo sistémico", nunca ouviste dizer? E arruinar os banqueiros, os donos dos bancos, pessoas que têm de ganhar 1, 2, 10 ou 100 milhões. Ou não percebes que se não houvesse ricos para dar trabalho aos pobres isto ainda ficava pior.
- Então não era melhor distribuir o dinheiro por quem produz alguma coisa, de forma mais equitativa?
- Oh meu amigo, deixe-se de parvoíces, além do mais parvoíces perigosas.
- Não acredito que isso do dinheiro seja assim. Criar dinheiro do nada. Isto é completamente esotérico.
- Pois, é bom que não acreditem porque senão - há para aí loucos - ainda acabavam com o bom funcionamento da nossa sociedade.


 

 





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