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2013-06-18

 

Troica passa prejuízo dos bancos para os contribuintes

Em 2012 a troica reestruturou a dívida grega. Perdoou mais de 50% da dívida e estuda atualmente novo perdão. Porque adiou dois anos esse perdão aumentando o sofrimento do povo grego com a austeridade e prejudicando a economia da Grécia? Porque em 2010 os principais credores eram os bancos alemães e franceses (151,4 mil milhões de euros) e assim o perdão atingia-os a eles e estes dois anos foram aproveitados para, com a intervenção da troica e os seus instrumentos financeiros, a dívida e o perdão passarem para os contribuintes dos países do euro. Bom truque, não? Os bancos têm os lucros e quando as suas aventuras agiotas correm mal paga o contribuinte. É assim a vida sob a direção do capital financeiro. Enquanto não nos revoltarmos.
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Paul Jorion
Zangam-se as comadres e sabem-se as verdades. FMI, BCE e Berlim por um lado e Comissão Europeia do outro acusam-se cinicamente no meio de indecorosa polémica que aqui chegou muito amortecida. Em 17 de Março o Financial Times dava conta com grande escândalo que "Chegados a este ponto..., a Comissão [Europeia] perdeu toda a credibilidade em Berlim." e em 20 de Maio o relatório do FMI de avaliação da política da troica para a Grécia é o "segundo episódio da guerra intestina que mina a Tróica". Ainda que socorrendo-se de eufemismos a acusação (passa culpas) do FMI à Comissão é arrasadora: incompetência, amadorismo e, mais sério ainda, cumplicidade entre a Alemanha e a France para atirarem para os contribuintes de todos os parceiros do euro os prejuízos dos bancos, especialmente dos bancos alemães e franceses.
O FMI, fingindo que a culpa não lhe cabe a si tanto como aos outros parceiros (Berlim, BCE, Comissão da UE), diz nas entrelinhas que os graves sofrimentos a que, com a austeridade, eles submeteram o povo grego podia ter sido em parte evitado se a reestruturação da dívida grega feita em 2012 tivesse sido feita 2 anos antes como todos sabiam ser necessário e inevitável. Mas porque só a fizeram em 2012? É que nestes 2 anos os prejuízos dos bancos, em especial dos bancos alemães e dos bancos franceses que eram credores de 58,1% da dívida grega estatal e privada ia ser sub-repticiamente passados para os contribuintes dos países do euro. Aos bancos alemães o Estado grego devia 19,2 mil milhões de euros e os privados gregos deviam 50,6 mil milhões. Aos bancos franceses o Estado grego devia 14,6 mil milhões e os privados gregos 67 mil milhões. Assim de 2010 a 2012 a tróica conseguiu transferir o grosso da dívida grega, estatal e privada dos bancos para um fundo a ser pago pelos contribuintes dos países do euro. Bem pensado não? Claro que o FMI em 2010 estava dentro do segredo tanto como a Comissão que agora acusa numa tática de sacudir a água do capote.
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Estes dados foram colhidos no Le Monde de 18/6/2013 La troïka à hue et à dia (Link) [traduzo: Na Troica cada um puxa para seu lado] do economista e antropólogo Paul Jorion para o qual os meus amigos António Melo e Artur Pinto me chamaram a atenção.

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