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2015-02-07

 

"A partir de agora a Tróica deixa de mandar na Grécia"



A Grécia é um pequeno país no meio de uma grande União Europeia. A luta do governo dirigido pelo Syrisa, pelos interesses da maioria dos gregos e da maioria dos europeus tem pela frente poderes colossais comparado com o seu. Por isso a sua luta não obterá uma vitória total mas se não for derrotada em toda a linha e atingir alguns dos seus objetivos centrais então a EUROPA terá muito a agradecer à GRÉCIA em cuja civilização nasceu.

Neste momento é o governo Grego que, a par dos interesses da Grécia defende indiretamente os interesses de Portugal que Passos Coelho com os seus “contos de criança” trai.
Apesar do seu pequeno peso na Europa a Grécia vai conseguiu alterar irreversivelmente a tragédia da política austeritária imposta pelo governo alemão.
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Tempestade magnética, abalo telúrico, o mar galga a terra? Que terá provocado o tsunami que assombra a Europa?  É um partido que ganhou as eleições, na Grécia, o berço da Europa e incompreensivelmente cumpre as promessas: tem o nome aterrador de SYRISA, é conduzido pelo Deus APOLO sob o disfarce de Alexis Tsipras e é assessorado por ARES, o Deus da Guerra, sob a máscara de Yanis Varoufakis. Estão reunidos no Olimpo.
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Na primeira reunião do Conselho de Ministros em Atenas, (2015-02-04) Alexis Tsipras disse aos membros da sua equipa que aceitou o mandado como primeiro-ministro para levar a cabo uma "mudança radical" na Grécia, defendendo ser essencial iniciar uma "renegociação responsável" da dívida pública com os credores internacionais.

"Não entramos num choque mutuamente destrutivo, mas não vamos continuar uma política de sujeição. Teremos um plano para lançar reformas sem incorrer em défice, sem as asfixiantes obrigações dos últimos anos", declarou Alexis Tsipras , citado pela Reuters.

O Deus Apolo ou Tsipras ou lá quem seja, lançou a Europa numa assombração ao declarar que a troica deixara, a partir de agora, de governar a Grécia e que não falava mais com ela.

"Entretanto, o ministro Panayiotis Lafazani, anunciou "Vamos suspender imediatamente o processo de privatização da Public Power Corporation (PPC) .E vamos tentar que a eletricidade seja mais barata, para aumentar a competitividade e ajudar as famílias", frisando que o governo quer fornecer energia gratuita a 300 mil casas de famílias carenciadas. Estão a imaginar algo parecido em Portugal ?
O salário mínimo na Grécia passa de 586 euros para 751 -  regressando ao valor fixado antes do resgate.
A paragem da requalificação na Função Pública e a concessão de incentivos para a contratação em empresas são outras das medidas previstas pelo novo executivo do Syriza.

Pelo seu lado Yanis Varoufakis, ministro das Finança, em 4 de Fevereiro, em entrevista ao Telegraph explicou aos britânicos:  

Vou tentar ser tão charmoso como puder em Berlim. Vou dizer ao senhor Schäuble que podemos ser um partido de esquerda, mas ele pode contar com o Syriza para limpar os cartéis e oligarquias da Grécia e para avançar com as reformas profundas do Estado grego que os governos antes de nós recusaram fazer",

Além das reformas, Varoufakis também vai transmitir ao ministro de Ângela Merkel que a Grécia não está disposta a manter a austeridade orçamental. "Também lhe vou dizer que vamos acabar com a espiral de dívida e de deflação e fazer o que deveríamos ter feito há cinco anos. Isso não é negociável. Temos um mandato democrático para desafiar toda a filosofia de austeridade".

Já sabemos que Schauble no fim da reunião declarou que concordámos em não concordar em nada ao que que Varoufakis respondeu que “nem nisso concordámos”. O caminho vai ser muito difícil.

 Yanis Varoufakis também já respondeu à diatribe enfatuada de Passos Coelho de que o programa do Syriza era “um conto de crianças”. Um assessor do seu gabinete, citado pelo Diário Económico, lembrou – apaziguadoramente - que "os contos de crianças trazem sempre esperança".
Portugal e Espanha os países mais favorecidos pelo governo grego são considerados por este como os países com uma atitude mais dura.
Lá como cá era a troica que apesar de não ter sido eleita pelos gregos (nem pelos portugueses) decidia: têm de mandar para ao desemprego tantos milhares de professores e outros agentes da administração, têm de privatizar isto e aquilo e mais aquilo. E o governo da Nova Democracia com Samaras e antes dele o PASOK estavam ali para as curvas, isto é, para cumprir respeitosamente quase tão servilmente como aqui fez, com gosto, o servo Passos Coelho.
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 ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­As eleições, um instrumento que, com a ajuda das televisões, dos muitos jornalistas, comentaristas e especialistas avençados pelos donos da comunicação social e do país, tem encaminhado bem o rebanho eleitor para os resultados pretendidos, foram um fracasso na Grécia. O povo grego escolheu o Syriza e a direita da finança especulativa da Europa e do mundo abriu as portas ao tsunami.  Da Europa do Mundo e a da Grécia porque cada país tem as suas “merkels” e os seus Syrisas, os seus muitos arruinados pela austeridade e os seus 1% enriquecidos por ela. Não esquecamos: num dos anos de maior empobrecimento de milhões de portugueses o número de multimilionários em Portugal - com fortunas superiores a 25 milhões de euros - aumentou para 870 - segundo o "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013", do banco suíço UBS e a fortuna destes aumentou nesse ano de 90 para 100 mil milhões de dólares.
Os interesses antagónicos, a justiça social, a solidariedade, os amigos e os inimigos não estão divididos por países. Estão em todos e cada um dos países.

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