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2011-07-29

 

Crise? Mas qual crise?

O Senhor José Lopes da Silva ganha 850 € por mês mas este ano o Estado vai ficar com uma parte do seu subsídio de Natal para ajudar a vencer a crise da dívida - explicou o Governo.
Com o Senhor Amorim Soares Belmiro o caso é diferente, ele não anda por aí a esbanjar o seu dinheiro, poupa-o e investe-o com inteligência e esforço. Este ano recebeu 1 milhão e 400 mil euros de juros de depósitos e de dividendos. O equivalente a 100 mil euros por mês, mais subsídio de férias e mais subsídio de Natal.
- Então este ano, o Senhor Amorim Soares Belmiro vai ter de entregar ao Estado uma bela maquia, não? Para aí uns 50 mil euros, para ajudar a resolver a crise! 
- Está a ver, está enganado. Não leva corte nenhum.
- Então?
- O Senhor Primeiro Ministro e o Senhor Ministro as Finanças, já explicaram isso muito bem, que num momento em que se pede aos portugueses para fazer poupanças ajudando assim o país a vencer a crise não fazia sentido nenhum exigir uma taxa suplementar a quem faz poupanças. Percebeu?
- Pois. Estou a perceber. Lembro-me que o Senhor Pedro Passos Coelho passava o tempo, indignadíssimo, a chamar mentiroso a Sócrates. E lembro-me também que durante a campanha eleitoral numa visita a uma escola de Vila Franca de Xira, em Abril, uma aluna  perguntou a Passos Coelho, se cortaria o subsídio de Natal no caso de vir a ser 1º M, como andavam por aí a dizer e ele respondeu que isso era um disparate que nunca tocaria no subsídio de Natal.

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2011-07-03

 

O Direito à indignação

O Direito à indignação é algo interior a cada um de nós e deve ter uma manifestação pública individual ou colectiva.

Agora temos uns arautos comentadores defensores, na comunicação social, de toda e qualquer medida do governo, por mais iníqua e injusta que seja a sua repartição social, que apelam a toda a subordinação e aceitação das medidas deste governo.

Sou contra a medida do corte "equivalente" a 50% do rendimento recebido como subsídio de Natal, designadamente pela forma como esta medida incide de forma indiscriminada sobre a sociedade.

Segundo é falso que esta medida apenas reverta para o Estado 800 milhões de euros. Esta medida correctamente aplicada traz muito mais aos cofres de Estado. É uma questão de tabuada. O Governo deve dizer-nos qual o montante da almofada que pretende.

Mas estou indignado de fundo. Acho-a um roubo. Já aqui escrevi que a tomada desta medida indicia outras medidas bem gravosas que não constam das imposições da Troica e que elas se inserem numa filosofia de desvalorização do factor trabalho.

Vamos admitir que para ter um grande aconchego, o governo equacionava uma medida de corte.

Há várias outras hipóteses de distribuição penalizando sobretudo os rendimentos mais elevados.

Porque não um corte em 100% para os rendimentos superiores a 5000 euros? Imaginem que há 30 mil portugueses com este rendimento (Há mais de certeza). Ora isto implicava uma arrecadação de 150 milhões. Imaginem agora que há 200.000 portugueses com mais de 3000 e menos de 5000. e que a estes se cortava apenas 50%. Isto daria cerca de 400 milhões. Imaginem ainda que há um milhão de portugueses a receber entre 1500 e 3000 e que estes teriam um corte de 25% (500 milhões). Paro, por aqui, como exemplo. Haveria outros

Seria este exercício mais equitativo? Sem dúvida.

O Governo tem de definir no meio desta iniquidade o montante da almofada que pretende e a partir daí por escalões aplicar os cortes.

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