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2009-05-02

 

Insultos a Vital Moreira - Extractos do Público

Vital Moreira foi insultado e as palavras de ordem acabaram esquecidas
02.05.2009, Paulo Moura

Em Lisboa, a atmosfera parecia ontem calma. Mas uma raiva latente sentia-se à superfície. O candidato do PS às eleições europeias tornou-se o seu alvo

Vital Moreira, cabeça de lista do PS às eleições europeias, desce a avenida, no sentido contrário ao da manifestação do Primeiro de Maio. Acabou de cumprimentar os dirigentes da CGTP e dirige-se ao Martim Moniz, acompanhado por Vitor Ramalho e Ana Gomes. Um grupo corre em direcção a ele. "Traidor! Cabrão!", gritam. Outros manifestantes aproximam-se, curiosos, apertando o grupo provocador contra a comitiva socialista. Há encontrões. Ana Gomes é empurrada, água é lançada sobre Vital. "Traíste o povo, filho da p. Avô Cantigas! Traidor! Traidor!" Aperta-se o cerco à volta do candidato, que quer responder aos manifestantes, sempre com um sorriso. Mas Vitor Ramalho puxa-o. "Ele é um provocador, não tinha nada que vir aqui", comenta Jorge, que vem ao Primeiro de Maio como quem vai a Fátima.

Mas uma jovem vem lançada, a correr, aos gritos. Precipita-se sobre o grupo que cerca Vital Moreira. "Parem! Não façam isso! A democracia é de todos!", brada Ana Rosa para os manifestantes que já estão em cima do socialista, numa embriaguez de violência. Todos se voltam, subitamente domados pela veemência da rapariga. Ana Rosa consegue chegar a Vital Moreira. "Quero pedir desculpa."

A pequena multidão aguerrida dissipa-se. Vital Moreira segue o seu caminho e Ana Rosa afasta-se. "É isto que vai abrir os telejornais. Acabámos de perder a manifestação." A profecia cumpriu-se. As palavras de ordem cederam lugar aos protestos contra a "intolerância", o "sectarismo" ou a "instigação do ódio".
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2009-05-01

 

CONTINUA A CAÇA ÀS BRUXAS NO PCP

Vou escrever curto e grosso. Ao fim de 35 anos (sem contar com o passado), o PCP ainda não "engoliu" que possa haver dissidentes da organização. Problema dele. Mas não se admite que numa Manif do 1º de Maio, organizada ou não pela CGTP (mas, neste caso, convém sublinhar que o foi, e que a CGTP está ligada ao PCP) se ouçam acusações de "traidor" dirigidas a Vital Moreira, candidato do PS às europeias. Vital Moreira foi do PCP, e tal como tantos outros que tiveram a "ousadia" de ter voz e opinião saíram. E depois, não podem? Que raio de fé.

Acho que Carvalho da Silva deveria ter repudiado as agressões mas não. É pedir muito. Colocou a voz no registo de "padre ao serviço dos trabalhadores" (isso é que era bom!) e resolveu aproveitar a situação, dando recados aos políticos para reflectirem sobre as razões desta atitude alegando que o mesmo poderá ter acontecido devido ao mal-estar do povo. Esqueceu-se de citar o destinatário: Sócrates e o PS.

Acha que somos todos tontos? O povo há-de decidir. E estas coisinhas só reflectem mesquinhez. As agressões a Vital Moreira, e que não foram só verbais, não tiveram nada, mesmo nada, a ver com políticas do governo socialista mas com tentativas de ajustes de conta do passado. Quem mandou chamar "traidor", traiu-se.

Ou seja, o PCP não mudou. Nem com Cunhal, nem sem Cunhal.
Carlos Carvalhas deu de frosques, já não precisa da cadeira de napa do proletariado - aliás nunca precisou - mas também ninguém dá por falta. Jerónimo de Sousa vende demagogia barata quando todos sabem onde estão os maples de pena de pavão. O mesmo acontece com muitos sindicatos VIP que andam por aí. Apetece dizer "povo enganado".

Na Madeira, Alberto João Jardim, em 1992, durante a campanha eleitoral para as legislativas regionais, pediu à população para apontar o dedo e gritar "vai ali um traidor" sempre que encontrasse um tipo do PS.

Tirem as conclusões que quiserem.

Mas como mulher que vive a liberdade não admito no meu país tiques de caça às bruxas.

Nota: A CGTP convidou o PS para a manifestação. O PS aceitou e enviou uma delegação dando conta dos nomes que iriam integrá-la.

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