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2006-05-23

 

O Polvo, as Redes, e....


Foto do Blogue Pim Pão Digital


Seis Apontamentos sobre o debate ocorrido ontém à noite no programa "Prós e Contras" da RTP Um.

1. Carrilho acusa Ricardo de ter passado as imagens da recusa do aperto-de-mão, desligadas das razões que o levaram a agir desse modo; acusa-o, ainda, de se ter pronunciado acerca do seu último livro sem o ter lido na íntegra. Nestes aspectos, como noutros, M.M. Carrilho tem razão. Foram golpes baixos que o próprio Ricardo Costa tentou justificar em perda, sem ânimo.

2. Rangel, austero e seráfico, parecia pairar sobre as desavenças como um paladino da deontologia jornalística, puro e virginal. Deve contar demasiado com a falta de memória de alguns de nós. Está enganado.

3. Ricardo Costa atacou pela tardinha. Foi às antiguidades recentes e colocou Carrilho perante os seus tiques autoritários e os seus traços de carácter intolerantes e irascíveis. Sublinhou verdades deslocadas (válidas, com certeza, noutros contextos), e reconheceu alguns erros da sua estação. Descolou da arrogância habitual. Já é qualquer coisa.

4. J. Pacheco Pereira (o ganhador do debate, na opinião do meu amigo João Tunes, do Água Lisa.6) quis separar o polvo (os interesses urbanísticos que Carrilho culpa) das redes mediáticas. Fez-me lembrar dois versos de uma canção de Sérgio Godinho: “Cada coisa para seu lado/ que isto anda tudo ligado”. Experiente e astuto, aguardou que os ânimos serenassem. Fez esquecer as vezes que errou e os rocambolescos episódios que protagonizou, coarctando a liberdade de expressão dos deputados, a começar pelos do seu próprio partido. Dos presentes, era o único que todos reconheciam ter autoridade no assunto. Neste aspecto, como noutros, o João Tunes (Água Lisa.6) tem razão.

5. M. M. Carrilho, apesar dos seus exageros e dos traços de carácter pouco recomendáveis, prestou um bom serviço à dinamização do nosso anémico espaço público. Mostrou que um derrotado não tem de se calar, baixar a cabeça e fazer a tradicional travessia do deserto; que quando não se tem razão em tudo, pode-se ter razão nalguma coisa; e que sem frontalidade e coragem, as outras virtudes intelectuais são insuficientes para uma intervenção cívica eficaz.

6. Não creio que Carrilho tenha sido derrotado pelo polvo (do imobiliário) ou pelas redes (do enviesamento mediático), mas é bom que aqueles que não ganham o imitem no hábito de prosseguir o debate democrático, sem vergonha nem culpa.
Em maioria ou em minoria.

Comments:
Caro MC,

concordo com a ideia subjacente de que as «travessias do deserto» dos políticos que ficam em minoria mostram apenas causas débeis e ideias pobres. Porém, acho que deveria ter deixado um apontamento para a minha incansável homónima.
De entre as constatações interessantes que correm o risco de passar despercebidas, temos a de que sempre que há promiscuidade piscatória (para aceitar a sua metáfora da faina piscícola), pode haver ou não haver polvo, agora políticos e jornalistas há sempre. Não é curial zurzir uns e deixar os outros de fora. Sem o comcubinato, o problema seria outro.
Gostei dos versos do Sérgio Godinho que citou.
Sua.

Fátima
 
Manuel Maria Carrilho embora não sendo um exemplo de virtudes, tem razão em muito do que afirmou e teve a coragem de fazer o que muitos não têm. Denunciar!
Felizmente, os Luises Delgados, ainda são uma minoria neste país!
 
Muito bem Manuel. Parabéns pelo artigo. Até que enfim que estamos de acordo.
 
Manuel Maria Carrilho levanta umas tantas questões no seu livro que merecem discussão na classe. No entanto, comete dois grandes erros: generalizou, como se todos os jornalistas fossem corruptos e esqueceu-se da classe em que se enquadra os políticos (também nem todos) que tentam manipular os jornalistas, pagando-lhes inclusive.Como dar a volta, num país de costumes muito permissivos?
É uma boa questão.
 
já que parece que vivemos na base de concursos, na minha opinião ninguém ganhou a disputa.
 
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