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2007-08-14

 

Força de expressão (14)

O filme “Torre Bela”, de Thomas Harlan e Jacques d'Arthuys, Anna Devoto e Luisa Orioli, (1975), em exibição no King (Lisboa), é também um documentário dos conturbados idos de 1974 e 1975, na sequência da revolução de Abril. A entrevista inicial, ao senhor agrário (licenciado!) é portentosa. Os sentimentos turbulentos e contraditórios que vão assaltando camponeses e trabalhadores agrícolas, à medida que se confrontam com as “novas” realidades -- a organização e gestão da exploração agrícola; representação junto das entidades oficiais e oficiosas -- convergem na emergência de uma nova identidade e cultura, no carnaval da inventariação e posse dos bens senhoriais, na patética disposição de trabalhar sem remuneração à vista, e nas omnipresentes inseguranças e dúvidas em relação ao sucesso daquela ocupação.

João Tunes, no Água Lisa (6), valoriza a importância histórica desta montagem, num poste intitulado “Torre Bela, (revolução, elites, povo, utopia, história, cinema)”. Com a excepção que mencionei na caixa de comentários respectiva, estou de acordo com o que escreve.


Porém, para mim, o fio condutor daquela cadeia de acontecimentos, é uma das histórias mais simples e, porventura, sintetizadora do que estava em jogo para muitos dos intervenientes. A história da mulher e das azeitonas.

Sempre que pode, ela conta a (sua) história. Fá-lo à equipa que está a recolher as imagens que agora nos chegam nesta montagem em forma de filme. Repeti-lo-á, aparentemente a destempo, perante o ar atónito dos companheiros e dos militares que os instigam a avançar, ocupar, e contar, depois, com a Lei da Reforma Agrária, alguns meses depois.

Para ela, aquela é a história que faz sentido e tem precedência em toda a narrativa. É nela que todos os tempos, a correr e por vir, se hão-de encaixar e enxertar harmoniosamente.




Comments:
Fui há pouco ver este filme mesmo. E vim, depois dele, com a mulher da história das azeitonas; o justo e injusto vivido e contado assim; aquela reunião entre soldados e camponeses... (e mesmo que não fosse este o curso devido ao pensamento) não consegui deixar de pensar como teriam sido o curso dos cravos pela sensatez dos camponeses..
é bom ir ver
 
Não se mantém ainda destruição dos excedentes na CE, quando tanta gente passa fome ?
 
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