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2005-07-14

 

Hoje Londres. Amanhã...

Ontem foi Londres amanhã poderá ser qualquer outra cidade. Incluindo a nossa. Por isso o terrorismo não pode deixar de ser uma preocupação dos governos e de todos os cidadãos.
Mas como combatê-lo?
É necessário uma táctica, chamemos-lhe assim, perseguir os terroristas ou as suas sombras, apanhá-los e condená-los. Mas logo aí, quando suicidas... resta procurar o "engenheiro", como diz a polícia inglesa, a cabeça pensante, ou lá quem fôr, no nó de cada malha, da rede infinita do actual terrorismo, executado por "mártires".
É necessário uma estratégia, reforço do orçamento, leis repressivas, restrições às liberdades, escutas, abertura de correspondência, visionamento das cidades e dos metropolitanos, e dos autocarros, e dos caminhos de ferro, e das escolas, e das torres. Interrogatório, talvez com torturas, que doutro modo nada dirão, como o que está a ser julgado na Holanda. Quiçá Guantânamos. Muitos Guantânamos. Polícias, mais polícias, mais polícias, ainda mais polícias. Um em cada esquina, um em cada casa. Cada um de nós polícia. E mesmo assim chegará?
Não chega obviamente porque a guerra é muito desigual. Os alvos são o mundo inteiro ou quase. E não é possível guardar todos os lugares. Sempre. Por isso se o Metropolitano está bem guardado hoje não estará amanhã. A polícia Londrina já sabia que Londres ia ser atacada e até sabia que o Metropolitano era um alvo prioritário. Ao fim de muito tempo afrouxou medidas como era fatal.
Mas para além de tácticas e estratégias é necessária uma política. E esta , sem dispensar medidas razoáveis da "táctica" e da "estratégia", perseguição, tribunal, vigilância, polícia, necessita de identificar causas, incluindo civilizacionais, culturais, mas tem, e nisso é que está o problema, tem de deixar de fingir que não percebe haver outras, essenciais, de ordem económica, social e políticas. De ordem das grandes humilhações culturais, civilizacionais, nacionais. É necessário não proveitar a agenda anti-terrorista para a substituir pela outra, imperialista, dos Iraques.
Apesar de coisas relevante que Pacheco Pereira refere no seu artigo do Público, de hoje, é necessário, ao contrário do que ele defende, ouvir com mais atenção os conselhos de Mário Soares que ele depreciativamente acusa de o "principal "justificador"". É que além da "táctica" e da "estratégia" Soares pôs o dedo na ferida. É necessária também a "política".

Comments:
Caro Raimundo,

Penso que é exactamente contrariando as tendências extra-securitárias que se combate o terrorismo. Fiz um post n'O Farol das Artes exactamente com esse título - Como combater o terrorismo e do qual copio para aqui, à laia de comentário, os paragráfos que considero mais importantes:

Na verdade penso que o combate ao terrorismo não é nada fácil, mas que deve ser inciado em duas frentes diferentes, a económica, ou seja combater os negócios de financiamento do terrorismo e a de acabar com a facilidade de recrutamento e isso combate-se, combatendo a ignorancia e retirando argumentos aos terroristas.

Nunca foi tão fácil como hoje o recrutamento. Existem milhares de pessoas com familiares a vingar. Em alguns países, e não é só no Iraque, é fácil demonizar o “ocidente”. O desrespeito pelos direitos humanos e pelas tradições culturais dos povos islâmicos, encarando-os como O Inimigo, facilita que, em espelho, eles nos encarem, também, como O Inimigo.

Assim sendo, existe uma necessidade imperiosa de fomentar as trocas culturais entre países de raízes europeias e países com forte influência islâmica. O conhecimento do outro e o respeito pelas crenças dos outros (que afinal têm muitos pontos em comum tanto quanto a um ateu como eu me é dado observar) levariam a isolar os verdadeiros terroristas de muitos outros que são levados a se lhes juntarem. A entrada da Turquia na União Europeia podia ser um passo importante.
 
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Raimundo,

parabéns pelo post. É necessário alguma coragem para, nestes tempos conturbados pelos ataques recentes, em que o consenso generalizado aponta as vítimas inocentes como razão maior para condenar e combater o terrorismo, sermos capazes de superar o imediatismo habitual. Um dos argumentos que Pacheco Pereira (PP) costuma reproduzir, é o que desliga as causas sociais do fenómeno. Costuma minimizar esse aspecto brandindo com o facto de muitos dos mentores da Jihad serem ricos (ou de famílias ricas) e com um grau de instrução acima da média. De facto, assim é. Mas o argumento fenece diante do que foi a adesão significativa, ao longo de toda a história, de gente rica e/ou aristocrática às causas dos desapossados, dos famintos, dos proletários (et j'en passe). É aliás o que me choca nestes debates públicos por parte daqueles de quem seria de esperar um pensamento mais equilibrado. PP, às vezes, nem parece um historiador...
 
Quando a análise desta questão se mostra "esférica",tal o conjunto de panaceias que parecem justificáveis e vindas de todos os quadrantes ,é certo que o problema não tem solução à vista e muito menos imediata!
Há um amigo meu que diz que se devem ajudar aqueles países, com toda a força e todos os meios, na promoção da emancipação(leia-se igualdade de direitos)da mulher!
Há que tentar que aquelas civilizações se questionem e se virem também para as suas próprias contradições.E uma das ajudas poderá vir "do fomento das trocas culturais entre países de raízes europeias e países com forte influência islâmica",como refere PF.
 
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