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2009-02-11

 

Liyannaj kont pwofitasyon

é o nome do colectivo que desencadeou a actual greve geral em Guadalupe nas Antilhas que referi recentemente aqui, traduzido para português significa "colectivo contra a exploração" (pwofitasyon em crioulo vem do verbo francês "profiter": aproveitar).

O nome do colectivo reflecte bem o sentimento de grande parte da população das Antilhas francesas. Na Guadalupe e nas outras ilhas francesas os circuitos económicos da distribuição estão nas mãos de grupos que não têm concorrência, o isolamento das ilhas e a reduzida dimensão do mercado facilita todo o tipo de abusos; o exemplo mais marcante é o preço da gasolina que era cerca de 0.6 € superior ao preço em França antes do inicio da greve. A razão é simples: existe um único distribuidor: filial da Total que impõe os preços sem nenhum tipo de controlo por parte do estado. Com uma economia totalmente dependente da agricultura (banana e cana de açúcar) e as propriedades agrícolas concentradas num número reduzido de famílias de descendentes dos antigos colonos uma grande parte da população (a grande maioria descendente de escravos importados de África) vive abaixo do limite de pobreza. Um aspecto especialmente chocante é o facto de o salário mínimo ser o mesmo que na "metrópole" mas os funcionários públicos originários da "metrópole" terem um complemento de salário por o custo de vida ser 30% a 40% mais elevado.

Após um período de duas semanas em que o governo parecia ignorar o problema o Secretário de Estado do Ultramar Yves Jégo foi para a Guadalupe para resolver o problema através de negociações. Durante o fim de semana as negociações avançaram e o fim da crise parecia possível, as organizações patronais aceitaram aumentos de salários de 200 € se tiverem como contrapartida reduções de impostos (ou seja se for o estado a pagar). Imediatamente o Primeiro Ministro convocou Jégo a Paris para o desautorizar dizendo que não será o estado a pagar os aumentos de salários. Esta noite o Secretário de Estado voltou para a Guadalupe acompanhado por dois mediadores nomeados por Fillon. A situação é extremamente delicada para o governo Francês: se ceder arrisca-se a criar um exemplo que servirá de inspiração a reivindicações salariais no resto da França (a Martinica já pede aumentos de 300 €), se não ceder a greve será cada vez mais dura com o risco de bloqueio total.

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