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2009-04-12

 

TAP ou TAP WATER


Eu não me queixo. Reclamo. São coisas diferentes. Acordei cedo. Tinha avião de regresso à ilha. Terminal 2. Companhia aérea: TAP. Voo Lisboa-Funchal. Partida: 09h25. Ok.
No "check in" percebi que iria voar num A330, voo misto. Ou seja, ligação Lisboa/Madeira/Caracas. Boa. Pode ser que seja "desviado". Mas o "desvio" foi outro. Ninguém me informou de nada. Passo o primeiro check point. Não "apitei". Queria tomar uma bica. Mas eis que olho para o cartão de embarque e leio "gate 20".
"Gate 20"? Mas isso é no terminal 1, dizia-me um agente da autoridade a quem recorri. A senhora está no sítio errado. Não, não estou. Acabei de fazer o ckeck in. Pois. Mas não é aqui. Desculpe, tem de ser.
De repente, vejo uma colaboradora da TAP (é assim que agora se diz) e faço-lhe a mesma pergunta. Resposta.
"Está aí escrito Gate 20 mas é 215".
E como é que eu adivinhava?
Uma esferográfica riscou 20 que passou a 215. Fácil. Os outros passageiros baralhados que andam por aí que se lixem. Olhem para o écran e sejam espertos porque nem sempre o que foi escrito corresponde à informação visual. E lá se vai a bica porque "agora tem de entrar ali na porta de embarque dos emigrantes".
Eu? Emigrante em Lisboa, nascida na Madeira. O que é que aconteceu nesta semana em que estive fora? Jardim pediu a independência ou deram-na? Adiante.
Entro no "gate 215". Encontro um casal amigo que acabara de chegar de Cabo Verde rumo a casa. Lá vamos nós. Não! Não vamos, sem antes nos enfiarem numa fila enorme. Passaportes ou BI consoante o destino Madeira ou terras de Chávez.
Chega a minha vez e uma senhora simpática que nem um ovo de Páscoa agarra o meu BI (que já tinha sido apresentado duas vezes) e antes de o devolver diz-me em tom autoritário: "Tire os óculos" (escuros). Tirei. Sou eu ou não sou. Acho que sim. "Já posso colocar os óculos?" perguntei. "Pode". E lá entrei para uma sala de espera que desespera. A estas horas já deveríamos estar dentro do avião. Uma senhora, colaboradora da TAP, falava pelo intercomunicador. Terminou. Desculpe, mas o voo está atrasado quanto tempo?
"Neste momento, não está atrasado".
Não?
"Não se pode considerar que esteja".
Sendo assim, diga-me, por favor, a que horas está prevista a aterragem no Funchal?
"Às 11H20".
Então está atrasado porque eu deveria chegar às 10h50. Mas já percebi que entre meia a uma hora não é atraso, não é tempo. Que delicadeza! O que me irrita solenemente é a arrogância. Depois de mais um compasso de espera "normal" entre uma carrinha e outra lá entrámos no A330. Arrancou. E já largámos Lisboa quando se inicia a distribuição da ração de combate. Por amor do que quiserem, mas tenham respeito pelos passageiros e retirem de vez aquela merenda.
Um pão duro, gelado, mal cozido para não dizer cru, com duas fatias de queijo e duas rodelas de fiambre ou coisa parecida e uma sobremesa de platano (leia-se banana) que até a criança do lado, apesar de ser de "morango", recusou engolir. O café? O café estava frio. Pedi à assistente de bordo que levasse para trás aquela porcaria, explicando-lhe que, uma semana antes, já tinha feito a reclamação por escrito. Não aceito, de forma nenhuma, esta situação. E para já queria, no mínimo, café quente. Pedi-lhe para que fizesse passar a mensagem a quem de direito. Aquilo não era serviço, nem para os sem-abrigo. Paguei mais por esta viagem de 1 hora e 20 minutos do que para ir a Paris ou Londres pela mesma companhia, onde tenho direito a pão aquecido. E dei-lhe uma sugestão. Não sirvam nada, não é preciso, no percurso Funchal/Lisboa/Funchal. É melhor. E não ofende. Não só poupam no "catering" como no pessoal de bordo - não é necessário tanta gente a acotovelar-se pelos corredores - o que significa menos custos que poderiam reduzir mais o preço das tarifas.
Gostava tanto de saber quanto custa à TAP colocar um avião na pista de Santa Catarina!
Estava eu, ainda, a falar para o lado, dizendo aos meus companheiros de viagem que a malta acabava com esta vergonha se todos recusassem comer aquela "esmolinha", bom pão para uma intifada, quando o avião se fez à pista. Finalmente. À saída separam-nos em duas carrinhas, os que vão para Caracas (e que daí a uma hora têm de voltar ao mesmo avião) e os que ficam na Madeira. Lógico.
É verdade, separaram-nos mas depois despejaram-nos na mesma porta. Ou seja, voltei à história do "check point" dos passaportes e dos BI.
Mas eu vim de Lisboa e estou a entrar na Madeira e sou portuguesa. Isto não faz sentido? Vou colocar os óculos escuros, agora, de propósito. E vou fazer barulho. Pergunta atrás de pergunta. Resposta.
"Este é um voo misto e somos obrigados a verificar os passaportes. A TAP não a informou?". Não. Não quero saber de mais nada.

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Comments:
Que falta de respeito pelas pessoas. Perfeita atitude colonialista.
Celina Costa
 
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