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2009-12-13

 

Fechar Portugal e abrir ao lado

Falido por falido apetece emigrar para a Grécia. Os clássicos sempre me fascinaram, sobretudo o teatro helénico. E não há nada melhor do que um arquipélago. Gosto do conceito inter-ilhas e de insularidade. Os continentes são demasiado monótonos. Muito interior. Antes estradas de água do que vias de asfalto, sempre em frente, povoadas por loucos suicidas em bólides irresponsáveis. Não quero transformar-me num Bandarra (o primeiro que teve uma visão profética dos destinos deste país), figura que ganhou significado colectivo e que, em minha opinião (desculpem os literatos), se pode incluir os comentadores, autores de profecias, tais como Medina Carreira, Marcelo Rebelo de Sousa, e muitos jornalistas de serviço à previsão. É um modismo. Enfim. Tenho a minha interpretação do futuro mas não a levo a sério. Brinco com ela. Nunca digo "acho" mas "julgo". É mais assertivo e impressiona. Não me interessa a compreensão da hermenêutica. Gosto mesmo é do sebastianismo, tão nosso como o mistério dos pastéis de Belém, e do PSD. Aliás, somos um povo que tem saudades de tudo. O PSD continua com saudades de Sá Carneiro. O PCP de Cunhal, o PS ainda não sabe mas tem saudades de qualquer coisa. O que não falta são exemplos. Nós, povo, temos saudades de um bom bife (aceitável, coisa terrena, conhece-lhe o gosto) ao mesmo tempo que sentimos saudades do céu (que desconhecemos mas imaginamos e vivemo-lo para além da razão).
Entre o naco de carne e o divino alimentamo-nos de uma alma lusitana (de luz) grávida de saudosismo.
Por isso, somos assim. Meio falidos. Nem tanto ao mar, nem tanto à serra. Meio alegres e meio tristes. Lembro-me de o actual Presidente da República, algures em Trancoso, já não sei quando, citar Bandarra e apresentar-se como uma espécie de mensageiro do poeta popular do séc. XVI, sapateiro de profissão. Ou seja, temos outro messiânico. E andamos nisto.
Por mim, fechava isto e abria ao lado. Mas ao lado, é Espanha. E do outro? O Mar.
É o nosso destino. "Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal". Valeu a pena? Não sei. Escrevo com teclado.

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Valeu, valeu. Está lindo.
 
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