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2011-01-12

 

Cavaco Silva enredado no caso BPN

“Se estivéssemos nos EUA provavelmente acontecia a Cavaco Silva o que aconteceu à Senhora Madoff que teve de devolver o dinheiro que ganhou com operações ilegais”. Operações ilegais do marido, no caso dela, de Oliveira e Costa, no caso de Cavaco Silva. Foi assim que ontem, no programa Pontos de Vista, da RTPN o deputado João Semedo concluiu sobre o caso das relações de Cavaco Silva com o BPN (Banco Português de Negócios).

O caso do BPN acabou por se tornar na questão de maior relevância na campanha eleitoral para a presidência da república. E é natural que assim acontecesse. Em primeiro lugar porque é um caso que questiona o carácter do candidato e os casos de carácter dos políticos tornaram-se há muito, nos regimes democráticos, da América à Europa, em tema que a comunicação social e a opinião pública não deixa nem deve deixar de escrutinar. Em segundo lugar porque Cavaco Silva em vez de esclarecer o que realmente se passou optou – opção fatal - por recusar responder às perguntas com a desculpa de que está, quanto a santidade honestidade e carácter, acima de qualquer suspeita, enfatizando até que terá de nascer duas vezes o português que seja mais recto e honesto que ele.

E porque não quer Cavaco Silva responder? Porque o caso é embaraçoso. Porque belisca a imagem de seriedade, honestidade e incorruptibilidade à prova de bala que obsessivamente exibe como cidadão político não político.

Cavaco Silva comprou 250 mil acções da SLN, Sociedade Lusa de Negócios, sociedade anónima dona do BPN, em 18 de Abril de 2001, ao preço de favor de 1 euro feito discricionariamente por Oliveira e Costa, presidente da SLN e do BPN. Cavaco comprou 105.378 acções para si e as restantes para sua filha. O seu amigo Oliveira e Costa comprara essas acções, três semanas antes,  em 27 de Março de 2001,  à Merfield, a 2,10 euros por ação, "perdendo" assim alegremente 175 mil euros num negócio de favor para o seu amigo Cavaco.
Em Dezembro de 2003, Cavaco Silva completou o negócio com o seu amigo, Oliveira e Costa vendendo a 2,4 euros cada acção que comprara a 1 euro, com o lucro magnífico de 147.500 euros correspondente a 140% do dinheiro investido. Negócio idêntico e simultâneo foi feito pela filha com um lucro de 209.400 euros. Enfim Cavaco Silva e a filhas ganharam cerca de 350 mil euros que fazem parte do roubo de 7 mil milhões do BPN que estamos a pagar.
O problema de Cavaco Silva não está, como ele sempre reage para não responder, em comprar e vender acções e ganhar muito ou pouco dinheiro. O problema está em ter tido aquele ganho devido a um preço de favor na compra. O problema cresce por a venda corresponder a uma compra ilegal (ilegalidade de Oliveira e Costa mas que não deixa de ter consequências para o negócio) por ser uma venda à própria SLN que só poderia ser legal com autorização, que não houve, da assembleia geral da sociedade, como manda o código das sociedades comerciais como explicou o deputado João Semedo no citado programa.

O caso ganha contornos menos agradáveis porque Oliveira e Costa é correligionário político de Cavaco Silva, seu ex-secretário de Estado e é arguido na qualidade de “chefe do gang do BPN” (caracterização de Francisco Louçã no Parlamento), que realizou a maior burla de que há registo em Portugal e, o que faz toda a diferença, vai ter de ser paga pelos contribuintes.
Para tornar o caso mais feio a gentinha do BPN que nos vai obrigar a pagar todo o dinheiro que delapidaram e com que se enriqueceram, é gentinha do círculo de amizades ou das relações de Cavaco Silva, alguma da qual ele convidou para a comissão de honra da sua candidatura.

No meio deste vendaval Cavaco Silva resolveu criticar a administração do BPN que está a tentar recuperar os salvados da maior burla de que há memória no nosso país e não teve até agora uma palavra de condenação para os seus autores.
Um outro candidato a PR, já não sei se José Manuel Coelho, se Defensor de Moura, argumentou que pessoa assim com este tipo de amizades e companhias não dá garantias para o lugar, nas circunstâncias particularmente difíceis que o país enfrenta.
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Na imagem a carta de Aníbal Cavaco Silva dirigida ao presidente da SLN a pedir para vender as suas ações da SLN em 17 de Nov 2003. [Ver aqui e aqui]

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Comments:
Num país democrático decente, O Candidato Cavaco Silva já deveria ter deixado a corrida.
Num país de brandos costumes como Portugal, Cavaco Silva ainda corre o riso de se retornar PR.
Simplesmente vergonhoso.
 
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