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2013-11-07

 

Aguiar Branco num momento patético


O ministro da Defesa Nacional (MDN), Aguiar Branco, ontem pela TV, hoje pelos jornais, deu a conhecer o perigo em que Portugal se encontra por estar a caminhar para um Estado totalitário. O alarme foi dado no âmbito de uma lição dada no Instituto de Defesa Nacional (IDN) em que era professor convidado  António Barreto.
Disse Aguiar Branco –  cito o Público que reproduz o que ouvi diretamente ao ministro nos noticiários televisivos – “existe em Portugal «a tentação de um Estado totalitário» provocado por um «Estado social absorvente»”, trata-se de “um Estado social que absorve a sociedade ao ponto de se tornar totalitário.”
Mas de que fala Aguiar Branco quando fala de “Estado totalitário”? Fala do oposto a Estado totalitário, fala de estado social, em sentido estrito. Senão vejamos: o Estado totalitário de que fala o MDN não é algo com a natureza do salazarismo ou de qualquer outra ditadura, não se refere a um Estado sem liberdade ou democracia. Não, para Aguiar Branco o Estado totalitário a que se refere é “totalitário” porque tende a disponibilizar acesso à saúde a “todos”, saúde “totalitária”?, perigosamente igual para todos, ricos ou pobres. E de igual modo para o ensino e educação, escola igual para “todos” e não em função do vencimento do papá. Estado totalitário ao querer abranger “todos” no apoio ao desamparo, no desemprego, no direito à reforma, de acordo naturalmente com os descontos feitos.
Trata-se portanto, no pensamento do ministro, de um Estado social “absorvente”, que “absorve” a sociedade ao ponto de se tornar “totalitário”. Trata-se, mesmo assim de uma exageração ministerial pois que há a liberdade de criar e oferecer medicina privada e de a ela aceder quem quiser , desde que tenha dinheiro para isso. O mesmo se passando com o ensino e até com a constituição de seguros de reforma. 
O que parece que Aguiar Branco pretende é que o Estado reduza senão totalmente pelo menos ao máximo as ofertas de saúde (Serviço Nacional de Saúde), de educação (escolas gratuitas ou quase), segurança social, reforma assegurada e gerida pelo Estado. E o ministro quererá  tudo isso porquê e para quê? Não porque queira o mal de ninguém, seguramente pois julgo-o  ” pessoa de bem”. Talvez seja  porque partilha o pensamento “liberal” (no sentido usado em Economia)de que quanto menos Estado melhor para a máxima liberdade de cada um se desenvencilhar conforme o dinheiro que tiver no bolso. Mas partindo duma “grelha de partida” em que uma pequena minoria de cidadãos ultra-milionários são donos de quase tudo e outros donos de pouco ou mesmo  nada. Partilha o nosso ministro a doutrina neoliberal de Hayek, Friedman, da Escola de Chicago?.
Quer nos convencer que as fortunas ultra – milionárias que conhecemos por aí , foram em geral, obtidas pelo “suor do seu rosto”, pelo mérito?
O Estado social criado na europa e só tardiamente chegado a Portugal a partir de 1974 e com muitas debilidades é uma conquista histórica dos portugueses e representa um Estado que procura compensar as profundas desigualdades e injustiças da sociedade fazendo alguma redistribuição da riqueza usurpada por minorias que detêm o controlo maioritário do Estado exactamente para enriquecerem. Ora aquela conversa de que “existe em Portugal «a tentação de um Estado totalitário» provocado por um «Estado social absorvente»”,um Estado social que absorve a sociedade ao ponto de se tornar totalitário.” Não passa de uma conversa tola que tem o vão objetivo de ludibriar os cidadãos. Para que iludidos aceitem a liquidação ou a redução ao mínimo das funções sociais do Estado e assim as funções redistributivas da riqueza nacional. Para quê? Para que se privatizem os hospitais, as escolas, a segurança social, os fundos de pensões (desde que bem capitalizados). Para quê? Para maior liberdade e oportunidade de os mais poderosos enriquecerem mais à custa do empobrecimento da maioria portugueses e da proletarização da classe média. Não porque Aguiar Branco deseje tão negras consequências para estes, certamente, mas porque o dinheiro não cai do céu e para enriquecer os muito ricos não há outro remédio.
O ministro lembrou-se ou alguém o lembrou de adornar a sua proposta política para se pôr fim ao estado social ou reduzi-lo ao mínimo com aquelas risíveis e despropositadas “palavrotas” de “totalitarismo” ou “ estado social absorvente”.  
Tudo isto para que se mude a Constituição no que ela tem de melhor e consagrado pelas conquistas democráticas e humanistas da Europa após a 2ª Guerra Mundial.
Vá lá Sr. MDN, um pouco de bom senso e de não tomar por tolos aqueles que desejaria assustar e predispor a aceitar o roubo de uma vida digna a que têm direito.
 

Comments:
Já muito dessa técnica se tem estudado, especialmente em fraldas e papel higiénico. Mas no campo da anedota política este senhor é mesmo inovador! Estamos encurralados com estes artistas.

 
A guiar

sem defesa

 
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