2014-06-03
António Costa ou António José Seguro?
Há, desde o dia 25 de Maio, um facto novo e incontornável, à
maior e estrondosa derrota da coligação neoliberal no poder, o maior partido da
oposição, o PS, que em circunstâncias idênticas no passado, conseguiu uma grande
vitória, teve agora uma "vitória de Pirro".
Este facto novo leva qualquer cidadão interessado na
substituição deste governo às ordens da troica e do sistema financeiro internacional,
inimigo da maioria dos portugueses, a ter as mais fundadas dúvidas na
capacidade do PS triunfar em 2015 com o atual líder.
Portanto o óbvio é os militantes do PS, porque só eles têm esse
poder, serem chamados de imediato, mas de imediato! a decidir se querem
continuar com o atual líder que teve um “enorme vitória” mas de
"Pirro" ou se preferem outro líder que lhes pareça dar mais garantias
de vitória e de vitória para outra política, pressupõe-se.
As hostes governamentais estão assustadas com a eventual
troca de líder no PS. A gentinha do pior governo que Portugal já teve, no atual
regime democrático, prefere Seguro a Costa. Não porque simpatize mais com este dirigente
do PS do que com aquele mas porque, tal como o simples eleitor, crê que com
António José Seguro há uma oportunidade de voltarem a ganhar as eleições
legislativas. Com a ajuda de uma boa tática
eleitoral, demagogia em doses cavalares, mil promessas e a distribuição de
algumas aparas do bolo que governam em nome dos mercados e da troica, talvez...
Nos corredores do poder, os seus homens estudam respostas à
eventual e “muito inconveniente” mudança de líder do PS. Por exemplo, cenários
à Marcelo Rebelo de Sousa. Eleições antecipadas já, o mais depressa possível,
apanhando o PS em contramão.
Seria, no entanto, necessário um véu para tal golpe de mestre.
Por que não uma dramatização levada ao rubro em torno das decisões do Tribunal
Constitucional? Nisso contam com o apoio do mercenário que têm na Comissão
Europeia, contarão com o locatário de Belém e contam com toda a tralha da UE que
se posterga perante a constituição alemã como perante o boi Ápis mas que tem a
lata de considerar oficialmente a Constituição de Portugal algo desprezível e que só atrapalha.
Fulanizar o caso da liderança do PS é iludir o problema. Entregar
isto à disputa entre os amigos de Seguro e os amigos de Costa seria um
desastre anunciado. Os portugueses sabem
que a possível alternativa ao desgoverno do país pelos Passos/Portas tem de contar com o
PS e não querem saber dos interesses pessoais deste ou daquele seu líder por
mais compreensíveis e estimáveis que sejam no plano pessoal. Exigem do maior partido da oposição uma política
alternativa e a escolha de um líder ganhador.
Para lá da
"tragédia" pessoal de um corte brusco de expectativas está o futuro
de milhões de portugueses. A política é isto. O que está em causa é o futuro dos Portugueses.
Por isso me parece que ou o PS faz um congresso extraordinário já, onde se fale
de política, para uma escolha rápida de políticas alternativas e de líder que
as garanta ou terá um dramático divórcio do país.
Argumentarão
alguns: mas António Costa garantirá
melhor que António José Seguro o êxito, isto é uma vitória do PS para a banda
dos 40%, nas legislativas? Que garantia há? Não há nenhuma garantia. Na política
não há certezas sobre o futuro. Mas as eleições para o PE ofereceram uma
informação incontornável. A uma derrota estrondosa, como nunca se vira, desta coligação Passos/Portas, correspondeu, com António José Seguro há
três anos à frente do PS, uma… uma vitória-derrota. Pode-se tentar "tapar o Sol com a peneira" mas... les faits sont têtus (os factos são teimosos) como dizem os franceses.
Comments:
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Mal estaríamos os portugueses se dependessemos desta dança de figurinhas opereta. Nesta "análise" nem sombra de classes trabalhadoras... Felizmente a esta politiquinha de sombras ao fundo da caverna de compadrios e arranjinhos terá o seu fim com a verdadeira POLITICA. Essa em que o Povo é o protagonista e esta corja do arco governativo faminta de tachos cairá pela borda fora
Meu caro. Seguro argumenta que António Costa teve várias hipóteses de ser líder e não as aproveitou.E esse argumento colhe em algumas áreas. Não será que se esquece que há um outro argumento. António Costa deu-lhe a aportunidade para Seguro sustentar esse cargo, mas revelou-se incapaz por ele prórpio e pela equipa que escolheu.
Mas a mim, substituir apenas caras não me basta. Como cidadão, embora a minha simpatia vá mais para António Costa não chega E a minha simpatia vai no sentido de achar Costa muito mais capaz. E as diferenças? Tem de se chegar á frente e começar a enunciá-las. Soluções para a dívida. Tratado orçamental. Não precisa de muitas.
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Mas a mim, substituir apenas caras não me basta. Como cidadão, embora a minha simpatia vá mais para António Costa não chega E a minha simpatia vai no sentido de achar Costa muito mais capaz. E as diferenças? Tem de se chegar á frente e começar a enunciá-las. Soluções para a dívida. Tratado orçamental. Não precisa de muitas.
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