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2010-12-01

 

"Queremos o FMI, já"

Há dois dias atrás, o Jornal de Negócios dava à sua 4ª página o grande título
Sector Empresarial: FMI não assusta, antes pelo contrário. 
Simultaneamente Pedro Passos Coelho, declarou, sem sensibilidade para perceber quanto as suas palavras poderiam chocar quem vive do seu trabalho, 
estou pronto para governar com o FMI.  
A estulta afirmação de Passos Coelho de que está pronto para governar com o FMI, esconde mal o juízo subjacente: convém-me o FMI para governar. Com ele aplicaria o essencial do seu programa: menos Estado e mais mercado desregulado - causa dos actuais abismos sociais - (menos saúde, menos educação, menos subsídio de desemprego, menos reforma) sem ter de assumir a respectiva responsabilidade.
Surpreende? Não. A entrada do FMI (e da União Europeia, isto é, do BCE, isto é, do Bundesbank) não é uma solução técnica/financeira, anódina política e socialmente. Com iguais consequências para todos os portugueses. É a solução que apresenta a factura, e que factura! apenas aos trabalhadores e às classes médias, precisamente aos menos responsáveis pela actual situação. Se em vez de facilitar os despedimentos, de diminuir o subsídio de desemprego, de retirar as devidas compensações por despedimentos sem justa causa, melhor ainda, acabar com essa ideia estúpida, de justa causa, se em vez de obrigar o Estado a reduzir os apoios sociais o FMI começasse por obrigar os especuladores que estão na origem da crise e as grandes fortunas a serem os primeiros a contribuírem para a solução dos problemas  com a anulação dos seus "obscenos" privilégios, nomeadamente as pensões e salários dourados, os prémios milionários, as mais valias e dividendos com baixa fiscalidade, ou fugidos para os paraísos fiscais, bem... assim as soluções do FMI seriam tão execradas pelos seus actuais defensores como o são por aqueles que as repelem.
Estas considerações não pretendem escamotear, nem a quota parte de responsabilidades internas nem as medidas que é impossível evitar no actual contexto da UE. Mas é chocante o contraste entre a atitude da esquerda e do Governo que procuram evitar ou ceder o menos possível a estas imposições externas e o regozijo mal disfarçado de certo patronato e da direita, em especial a direita neo-liberal, que levantou Pedro Passos Coelho por estandarte.

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