Dia a dia constatamos que este Governo é o que, desde o 25 de Abril, de forma mais extremista, favorece os interesses dos "mercados" (financeiros) o que se pode traduzir de forma simplificada por favorecer os muito ricos à custa do empobrecimento dos trabalhadores e das classes médias.
Isto é o que de mais essencial há a sublinhar mas salta à vista a impreparação ou o desconhecimento da realidade portuguesa por parte de governantes importados do estrangeiro ou criados a biberon nas Jotas cuja mundividência é a dos aparelhos partidários.
Vem isto a propósito da eventual criação de taxas de entrada de veículos em Lisboa (ou outras cidades) que o Governo confirma andar a estudar. Ora o vereador da Mobilidade da CML, Nunes da Silva, vem hoje a explicar no Público, que se trata de "equívoco" do Governo porque isso é matéria da exclusiva competência da Câmara. Talvez que na tal cidade do Canadá, de onde foi importado o ministro, seja diferente...
Mas não se trata do primeiro "equívoco" do "passismo". Lembram-se da oferta do cargo de presidente do Parlamento feita a Fernando Nobre pelo candidato Pedro Passos Coelho? Pois bem, era um "equívoco" porque não é presidente da AR quem o 1º M indica mas quem os deputados escolhem, em votação secreta.
E lembram-se da oferta do lugar de vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos, feita por PPC ao amigo e conselheiro Nogueira Leite? Pois tratava-se de outro "equívoco" porque como no caso Nobre a nomeação não era da competência do 1º M ( mesmo que através do MF) mas do Conselho de Administração da CGD.
De equívoco em equívoco o país vai sofrendo o governo de PPC, o governo de Portugal que, desde o século XIX, mais se identifica com o "governo dos mercados" (financeiros).
Temos, pela primeira vez desde 1974, a "colossal" catástrofe que é um presidente, uma maioria, um Governo de direita. Mais rigorosamente: este presidente, esta maioria, este Governo.
O "colossal desvio" nas contas do Estado que Pedro Passos Coelho anunciou ter encontrado na herança de Sócrates, era afinal... vá, não é para rir - era afinal um "colossal desvio" de algumas palavras no "colossal" discurso do 1º ministro.
Três dias depois do despautério de quem garantira aos portugueses que não se desculparia com a herança do anterior Governo para contrariar o que prometera na campanha eleitoral, teve de vir o ministro das Finanças, Vitor Gaspar, apresentar uma explicação pateta para tapar a desnudada desculpa do 1º ministro. (Ver JMCP no Politeia). Custa-me dizer isto, até porque o ministro não é nenhum pateta, mas que dizer da risível explicação que teve de dar para a "colossal" boutade do 1º ministro dos mercados de Portugal.
A coisa é do Youtube, percebe-se, mas descobri e roubei a coisa, aqui, no Câmara Corporativa.
Santana Castilho tinha redigido o programa de Pedro Passos Coelho para a Educação e teve o seu apoio ao que escreveu. Só que, sensível a outras influências PPC alterou o proposto sem lhe dizer nada. Apanhado pelo autor, PPC prometeu que voltaria atrás. Mas não voltou.
O assunto do vídeo é a avaliação do desempenho dos professores.
Santana Castilho, sente-se traído e não poupa palavras:
"Disse uma coisa e logo que foi governo um dia depois, desdisse."
...
"Digo e meço as palavras: revela uma desonestidade politica que me surpreende"
E Castilho continua: "Antes tinha dito que se houvesse necessidade mexeria nos impostos indiretos mas nunca nos rendimentos. Logo que chegou ao Governo cortou nos rendimentos.
Tinha dito que cortar no subsídio de Natal era um disparate. Chegou ao Governo cortou.
Tinha dito que não tinha sido informado por Sócrates sobre o PEC-IV afinal veio-se a saber um mês depois que tinha tido uma reunião com Sócrates.
Fico estarrecido.
São só três casos mas são suficientes para percebermos a credibilidade e o valor de um político".
Estas frases soltas e transcritas "de ouvido" dão apenas uma pálida ideia, do que Santana Carrilho, com amargura e zanga revela aqui.
O Governo de Pedro Passos Coelho (PPC), começou mal. Revelou logo à partida os piores vícios de acusava o Governo de Sócrates.
Lembram-se como, numa espiral de histeria, PPC e o seu PSD, se esganiçava, numa prática discursiva cada vez mais rasteira, rebaixando o nível de intervenção política ao bas-fond da linguagem rasca, à gritaria do “é mentiroso, é mentiroso” ?
Pois bem há três meses atrás, PPC garantia: (reproduzo as suas palavras evocadas no telejornal da RTP de há dois dias)
No caso de ser governo “se vier a ser necessário um ajustamento fiscal dou a minha garantia de que ela será canalizada para os impostos sobre o consumo [o IVA] e não sobre os impostos dos rendimentos das pessoas” Ponhamos de lado a insanável dificuldade em ter um discurso em Português apresentável, vamos aos atos. E o primeiro ato do seu Governo foi apresentar um novo e pesado “imposto ao rendimento das pessoas”, equivalente a metade do subsídio de Natal, acima do salário mínimo.
Eis o valor das garantias de PPC.
Quem está sempre a evocar a transparência, a honra, o cumprimento das promessas é porque não está certo de proceder de acordo com tais mandamentos ou, e é dos manuais, procura criar uma cortina de fumo que permita esconder a sua transgressão.
Mas há mais. Não tinha PPC prometido que não usaria a “desculpa da herança” para justificar medidas que viesse a ter de tomar, como dizia ser maléfica prática do PS?
Pois que justificação usou para este assalto ao bolso do contribuinte antes do Natal? Que fora o mau comportamento da execução orçamental do Governo de Sócrates no primeiro trimestre de 2011, conhecida no próprio dia ou na véspera. É evidente que não foi ali na AR, onde expunha o programa do Governo, que alterou este, imaginou, estudou e calculou o impacte orçamental do novo imposto “ao rendimento das pessoas”. Isso não podia deixar de ter sido pensado, calculado, programado com a antecedência necessária e, com muita seriedade e transparência... ocultado.
Felizmente, talvez devido ao “estado de graça” do novel Governo, ninguém procedeu como PPC e a sua trupe para com o Governo de Sócrates, ninguém passou o dia a gritar "mentiroso" ao Primeiro Ministro de Portugal.
Curiosamente o PSD de Passos Coelho, o PSD-NL (de neoliberal) implora agora ao PS e à oposição em geral, civismo, cordialidade, respeitabilidade, boa educação.
Istó é, façam como eu peço e não como eu fiz.
Surpreende? Não. Não era de esperar outra coisa de PPC e da rapaziada do aparelho do novo PSD-NL, antes, candidatos, em nervosa ansiedade e agora, ministros, deslumbrados com “o pote”.
PPC só com metade do tempo dos outros, não admira.
Não admira que o Pedro Passos Coelho, coitado, tenha as sondagens a irem pelo cano abaixo. Pois ele tem só metade do tempo de campanha dos outros!
Como assim?
É que a cada dia em que apresenta uma medida do programa, ou uma boa ideia, perde logo o dia seguinte a emendar, a explicar melhor ou a dizer que vai alterar. É que não deixam passar nada.
Aquele frente a frente como o Louçã foi mesmo de encavacar. Parecia o professor e o puto com a lição mal estudada.
Até tenho pena porque ele é, assim, simpático. Mas no Governo, mesmo com mar chão, seria um desastre. Agora assim com mar encapelado, valha-nos Deus, é um perigo.
Se as regras ainda não mudaram, desde os tempos remotos em que por lá passei, o presidente da Assembleia da República é eleito pelos deputados.
Suponho até que em votação secreta e não de braço no ar como em certas votações.
Ora sendo assim como é que se compreende que Passos Coelho, se pode comprometer com o tal Senhor que vendeu a sua honorabilidade por um "prato de lentilhas", (estão aqui ao lado a dizerem-me que não é bem um "prato de lentilhas", que é mais um bife do lombo) oferecendo-lhe o lugar de 2ª figura do Estado que depende da votação dos representantes eleitos pelo povo? Ou Pedro Passos Coelho, além de acreditar que o PSD terá a maioria absoluta de deputados na AR crê também que os deputados do PSD farão o que ele lhes mandar?
Ora eu estou certo que, mesmo que escolhidos criteriosamente por PPC ou por Miguel Relvas, muitos dos deputados do PSD não alienarão assim, sem mais, o que a sua consciência do dever perante a República lhes ditar.
Este negócio - não posso deixar de concluir - é devastador para as legítimas ambições políticas de PPC e para a honra de FN.
1. Quando os dois partidos da extrema esquerda se associaram aos dois da direita para derrubar o Governo chumbando o PEC-IV sabiam muito bem ao que iam. Mas a ambição do poder cantou mais forte. Ambas as alas do parlamento nutrem a gloriosa esperança de que os eleitores os elevem à governação. Estou absolutamente certo de que o PCP e o BE não foram deitar abaixo um governo que consideravam mau para o trocar por um que sabem ser pior. Estou absolutamente certo de que o PCP e o BE isoladamente ou em coligação nutrem legítima e fundamentada esperança de obterem maioria nas próximas eleições e formar Governo.
2. Já o PSD de Pedro Passos Coelho, se pusermos de lado os interesses do país, como é compreensível e até natural e ainda tendo em conta os recados de Cavaco Silva com aquele discurso de grande nobreza no dia em que ganhou as eleições e o outro, de notável estadista, como PR de todos os portugueses e não apenas dos da direita, já PPC - dizia eu - se pusermos de lado os interesses do país, fez o que tinha a fazer, aproveitar o momento, jogar tudo por tudo para subir a escadaria de S. Bento.
Pode-se acusar o homem de inexperiência e coisas assim por ter ido a correr a Bruxelas explicar aos da sua família política, à Senhora Merkel, ao Senhor Sarcozi e ao Senhor Durão Barroso que as desculpas que deu no parlamento para votar contra o PEC - "que castigava as famílias, etc" - era só a fingir porque defacto votou contra porque queria mais e não menos sacrifícios. E atenção! disse isto em Inglês o que, goste-se ou não, foi muito bem pensado. Pode-se acusá-lo mas que podia ele fazer? Estava-se-lhe a esgotar o tempo para se manter na liderança do partido e portanto era agora ou nunca. Ainda por cima com o semáforo de Belém a piscar a piscar verde... O país, o país... ora o país, e os outros? Não fazem o mesmo? Que se amanhem.
Há dois dias atrás, o Jornal de Negócios dava à sua 4ª página o grande título
Sector Empresarial: FMI não assusta, antes pelo contrário.
Simultaneamente Pedro Passos Coelho, declarou, sem sensibilidade para perceber quanto as suas palavras poderiam chocar quem vive do seu trabalho,
estou pronto para governar com o FMI.
A estulta afirmação de Passos Coelho de que está pronto para governar com o FMI, esconde mal o juízo subjacente: convém-me o FMI para governar. Com ele aplicaria o essencial do seu programa: menos Estado e mais mercado desregulado - causa dos actuais abismos sociais - (menos saúde, menos educação, menos subsídio de desemprego, menos reforma) sem ter de assumir a respectiva responsabilidade.
Surpreende? Não. A entrada do FMI (e da União Europeia, isto é, do BCE, isto é, do Bundesbank) não é uma solução técnica/financeira, anódina política e socialmente. Com iguais consequências para todos os portugueses. É a solução que apresenta a factura, e que factura! apenas aos trabalhadores e às classes médias, precisamente aos menos responsáveis pela actual situação. Se em vez de facilitar os despedimentos, de diminuir o subsídio de desemprego, de retirar as devidas compensações por despedimentos sem justa causa, melhor ainda, acabar com essa ideia estúpida, de justa causa, se em vez de obrigar o Estado a reduzir os apoios sociais o FMI começasse por obrigar os especuladores que estão na origem da crise e as grandes fortunas a serem os primeiros a contribuírem para a solução dos problemas com a anulação dos seus "obscenos" privilégios, nomeadamente as pensões e salários dourados, os prémios milionários, as mais valias e dividendos com baixa fiscalidade, ou fugidos para os paraísos fiscais, bem... assim as soluções do FMI seriam tão execradas pelos seus actuais defensores como o são por aqueles que as repelem.
Estas considerações não pretendem escamotear, nem a quota parte de responsabilidades internas nem as medidas que é impossível evitar no actual contexto da UE. Mas é chocante o contraste entre a atitude da esquerda e do Governo que procuram evitar ou ceder o menos possível a estas imposições externas e o regozijo mal disfarçado de certo patronato e da direita, em especial a direita neo-liberal, que levantou Pedro Passos Coelho por estandarte.
Acabo de assistir ao Jornal das Nove da SIC Notícias. Aquele do Mário Crespo. Estou sem palavras. Mário entrevistava Pedro Passos Coelho. O próprio, o verdadeiro Pedro Passos Coelho. Crespo exultava de alegria por cada poro e caiu redondo nos braços de Pedro Passos Coelho Ângelo Correia. O verdadeiro Pedro Passos Coelho não estava menos radiante com tanta mesura e explicou ostensivamente, minuciosamente, com verdadeiro conhecimento de causa o que ia ser a política do PSD a partir de agora. A estratégia e a táctica, as iniciativas orgânicas e as atitudes para com certos caciques derrotados, como aquele Sr. lá da Madeira. Exigiu mesmo, como se espera de um real Presidente do PSD explicações ao "Bokassa" da região Autónoma. Deliciei-me. Ângelo Correia O genuíno Pedro Passos Coelho explicou com clareza como vai ser a coisa. A coisa do PSD. As explicações dadas pela fonte são sempre mais claras.
E foi tudo dito preto no branco sem um disfarce. Foi um discurso limpo, claro, dito em primeira mão, por quem sabe. Ah grande Ângelo. Disse que não vai para essa chatice de um qualquer lugar de proa do partido. Vai ajudar, isso sim, se lhe pedirem (modesto). Assim - digo eu - uma espécie de Deng Chiao Ping.
Pedro Passos Coelho com 27.000 votos e 61%, arrasou a concorrência. Por isso maior a responsabilidade.
Paulo Rangel ficou-se surpreendentemente pelos 34%, José Pedro Aguiar Branco foi castigado com 3,6%, e Castanheira de Barros ficou perdido no meio de uns 0,26%.
PPC é o 6º presidente do PSD em 6 anos. De 2004 a 2010 presidiram ao PSD Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho. Chegará o actual líder do PSD, o menos cavaquista dos concorrentes, a 1º M ? Desconfio que não.
Não consigo ver este afável e simpático presidente do PSD senão como o presidente da J. do PSD. Um Jotinha do aparelho agora já pai de três filhas.
Era muito neoliberal, creio que por ser moda, até queria privatizar a CGD (bem... agora, incrivelmente até Sócrates quer privatizar os seguros do grupo da CGD) mas a grande crise mundial veio pôr em cheque tais políticas.