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2013-01-11

 

Um pouco de mansinho... Passos/Portas estão a levar-nos à certa

Ontem vi a Quadratura do Circulo. Gostei de Pacheco Pereira e de António Costa. Estavam muito bem preparados, tinham estudado o relatório do FMI e descreveram, cada um a seu modo, as implicações da sua aplicação ao país. Lobo Xavier é um caso à parte. Apesar de habilidoso cada vez consegue disfarçar menos por onde torce e aonde pretende chegar. É o papel dele.

António Costa e Pacheco Pereira também sabemos onde correm, mas há algo de fundo que os separa de Lobo Xavier, nomeadamente Pacheco Pereira que se situa em áreas políticas próximas de Lobo Xavier. É no campo dos princípios. Há duas ou três "traves" de cariz social/cidadania que Pacheco tem bem arreigadas e por conseguinte olha e analisa o relatório por um padrão completamente diferente de Lobo Xavier que tentou a dada altura defender que o relatório era de cariz técnico. Pacheco Pereira e António Costa desmantelaram esse argumento demonstrando que essa leitura não tinha cabimento, porque o FMI produziu um documento essencialmente ideológico. Na realidade trata-se de um relatório que tem subjacente a defesa da construção de um Estado Mínimo, ou seja, o Estado Social mesmo em situação muito aquém do que existe na Europa é para desmantelar em Portugal. Lobo Xavier muito contrafeito, sem argumento para contrapor tentou insinuar que não queria acreditar que o governo não tivesse outros relatórios mais genéricos de enquadramento para a reforma do Estado. Habilidades!!

Mas depois de muita discussão, a conclusão (Pacheco/Costa) é a de que o relatório com a chancela do FMI é do governo. Houve até quem dissesse que aquele seria o programa que o governo gostaria de ter apresentado quando foi empossado, mas não soube ou não teve coragem.

E o mais grave é que nem hoje tem. Refugia-se nas costas do FMI para ir atirando alguma lama a ver se pega. O objectivo é mesmo esse. Ver se algumas medidas pegam.

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2011-11-07

 

Mesmo com FMI na Itália, a UE pode ser "sacudida"

A crise da dívida soberana na Europa, que muita tinta tem feito correr, começa agora a assumir uma dimensão com potenciais consequências de muita gravidade, incluindo o eventual fim da moeda única .

Em todo o lado, se escreve que a situação económica da Europa no seu todo não configura esta crise, até se apresenta melhor nos seus rácios económicos que os EUA e Japão.

"L'Europe va mal. Non que son économie - prise comme un tout - soit particulièrement déséquilibrée: les Européens ne consomment pas plus qu'ils ne produisent, contrairement aux Américains, et les comptes extérieurs de la zone euro sont quasiment équilibrés; l'épargne des ménages est abondante et leur endettement deux fois plus faible qu'aux Etats-Unis; même du côté des dettes publiques, qui paraissent aujourd'hui la principale faiblesse de l'Europe, leur poids dans le produit intérieur brut (PIB) est inférieur de dix points à ce qu'il est dans le PIB américain et leur progression est beaucoup moins rapide" lê-se em Alternatives Economiques nº 90, Outubro de 2011.

Mas toda a gente (menos os políticos europeus) começa a concordar que os problemas da Europa se situam a dois níveis: desequilíbrios internos profundos e principalmente uma falha e falta de comando, instituições mal formatadas como o BCE que costumo dizer só tem funções de "meio banco central", um FEEF recente e descapitalizado, que procurou financiar-se junto dos países emergentes (o que levou a Presidente DILMA a dizer mas se vocês europeus não financiam porque vamos nós entrar nesse combóio), um orçamento sobretudo para financiar a burocracia comunitária e declarações (levianas) em série dos altos responsáveis europeus sobre os problemas da Europa associadas a umas cimeiras cujas decisões caem por terra nas horas seguintes.

Estas cimeiras são por isso inconsequentes, com respostas frágeis e a reboque dos acontecimentos e sem nunca agarrarem os problemas em toda a sua dimensão.

E os mercados (capital financeiro mundial) não perdoam. É a instabilidade continuada.

Agora com um país grande, a Itália sob a alçada desses mercados, oferecendo pouca confiança com um governo sui generis e ainda periclitante, a situação é gravíssima para a Europa.

A "entrada" imposta do FMI pode aliviar o negrume da situação mas nada de bom é expectável.

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2011-08-13

 

O 1º M de Portugal O chefe da missão do FMI dirigiu-se ao país

Poul Thomsen chefe da missão do FMI, andou por aí em inspeção para se certificar de que as decisões da tutela, a UE, o FMI e o BCE, estão a ser cumpridas à risca pela comissão administrativa que dá pelo nome de Governo de Portugal.

Feita a inspecção, num gesto de simpatia para com os autótones o 1º Ministro chefe da missão do FMI decidiu dar uma entrevista que correu pela TVI.
O representante da troica sem retirar o seu apoio aos tipos que fazem o papel de Governo de Portugal não deixou de lhes dar um puxão de orelhas. Avisou que o 

«Programa não pode ser cortes e mais cortes» a certa altura da sua comunicação ao país até se dignou gentilmente afirmar

«que está preocupado com um programa excessivamente austero. Se este programa for só cortes e mais cortes, cortes nas áreas orçamental e financeira, se não for sobre reformas estruturais para criar emprego e crescimento, então sim estou preocupado que o programa seja político e socialmente insustentável».

Muito elucidativa foi também a informação de que a troika «foi consultada a propósito do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal» talvez para deixar bem claro que mesmo medidas extra para revelarem conduta de "bom aluno" não deixam de exigir autorização prévia.
Passos Coelho no seu afã de mostrar serviço à troica faz-me lembrar o régulo bom que, para revelar fidelidade, informa o capataz que além das chibatadas impostas pelo patrão ao pessoal da roça ele gostaria, por convicção, aplicar mais umas vergastadas.

(Mais sobre a entrevista do chefe da missão do FMI ver aqui.) 

Desculpem lá, mas não é demasiado humilhante, depois de impor um programa governativo a troica mandar um seu representante inspecionar o Governo e este dirigir-se ao país, pela televisão, permitindo-se um comportamento de verdadeiro capataz? Não é excessivo? Ou foi o próprio Governo, em pose de "bom aluno" que, no afã de ir para além do que manda a troica, teve o desplante de sugerir a ida de Poul Thomsen à televisão, falar ao país e opinar sobre o que vai bem ou vai mal na governação?

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2011-05-24

 

A experiência de um dos "Tigres asiáticos" com FMI. Lições para Portugal

"Da Coreia do Sul vem um exemplo a olhar por Portugal com atenção: na sequência da crise asiática do final da década de 1990, o FMI impôs ao país um pacote de ajustamento estrutural como contrapartida de um financiamento de 54 mil milhões de dólares, quando a Coreia tinha um nível de desenvolvimento idêntico ao de Portugal, mas um mercado interno de quase 50 milhões de pessoas. O resultado foi positivo do ponto de vista macroeconómico, mas criou um país com maiores desigualdades sociais. [Choong Tong Ahn, economista sul-coreano que é também provedor do Investimento Externo no seu país].

No final de uma década com crescimentos do PIB sempre acima de cinco por cento, a Coreia do Sul foi atingida pela crise financeira asiática, que se declarou na Tailândia no Verão de 1997 e alastrou a vários países da região. Mas como é que um país com aquelas taxas de crescimento e uma balança de transacções externas apenas levemente negativa (o seu maior défice foi de quatro por cento do PIB em 1996) precisa da ajuda do FMI? "A crise espalhou-se até à Coreia do Sul e os credores deixaram de emprestar ao país, apesar de os seus indicadores serem sólidos", explica Choong Tong Ahn.
...
Com a necessidade de recurso ao FMI, a Coreia do Sul teve de se submeter ao "programa de ajustamento" da praxe.
Em cumprimento desta determinação, o país empreendeu um conjunto de reformas. A generalidade das empresas públicas foi privatizada. Quais as excepções? "Electricidade, caminhos-de-ferro, água para consumo público e um banco semipúblico, o Korean Development Bank", responde Ahn. Houve também um reforço da liberalização do mercado de trabalho, dando às empresas grande liberdade para despedir em função da conjuntura.
... "Considera que o programa foi "demasiado severo" e que podia ter sido mais flexível. Além disso, "polarizou os rendimento", uma forma de dizer que "os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres", sem que esse efeito se tenha revertido desde então. O país tem "uma estrutura dualista".

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2011-05-21

 

Europa sem estratégia para a crise

FMI: Resposta mais forte por parte da Europa é urgente . Interessante

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2011-04-24

 

O resgate português e o resgate alemão

O JN publicou um artigo de um prof.do ISEG, Um resgate alemão, de que reproduzo algumas partes, para chamar a atenção para a importância do modo como Portugal conduzir as negociações com a UE e o FMI. O Autor refere-o como um case study importante e actual - e sabe do que fala - as remotas lições de 1953 não deixam de estar presentes nos negociadores da Irlanda.
Trata-se da República Federal Alemã, a seguir à guerra. As situações são muito distintas mas as lições da História são sempre para aplicar a situações distintas. Há que ver o que Portugal pode aproveitar como lição e uma delas é não renunciar às obrigações que tem para com o seu povo, defender os seus interesses com mais determinação do que a dos agentes do FMI e da UE em desagregação a defenderem os seus.
Uma diferença radical é que então o capital financeiro especulador não era dono e senhor do mundo. Era só de metade dele. E naquele em que dominava tinha que estar sempre atento a não criar nos países objectoda sua "ajuda" situações que levassem os respectivos povos a voltarem-se para a outra metade do mundo e a perderem a presa.
_________

"O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã [32 biliões de marcos] foi assinado ... depois de duras negociações.
...
A ideia de condicionalidade do pagamento (pagamento apenas do que se pode - e quando se pode) esteve sempre presente desde o início das negociações. O acordo visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1 - Perdão / redução substancial da dívida;
2 - Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo;
3 - Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5%.
...
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
...
O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã é um case study... que tem interessado os estudiosos das situações de insolvência soberana para nas quais o tema do pagamento condicionado é incontornável.
Ainda muito recentemente, o governador do Banco Central da Irlanda elaborou, publicamente, uma interessante reflexão sobre o pagamento condicionado do serviço da dívida soberana irlandesa .
...
No início deste mês, o Governador do Banco Central da Irlanda, Patrick Honohan, propôs o seguinte: "Uma versão simples ... seria a Irlanda pagar mais quando o crescimento do seu produto nacional bruto for forte e menos quando o crescimento for mais fraco. O objectivo destas obrigações ligadas ao PNB, ou de inovações de partilha de risco similares, deve ser restaurar, pela via do crescimento, uma dinâmica favorável do rácio da dívida soberana." (Financial Times de 7 de Abril de 2011)

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2011-04-23

 

Os partidos e o FMI

Já nem pronuncio a UE, porque apesar de se falar nas negociações com a Troika, na prática quem comanda e manda sabe-se.

A UE faz de corpo presente para alertar para que alguns compromissos de países com eleições não sejam totalmente descurados. O que apenas vem empatar e arrastar o processo.

Estou a caricaturar mas é um pouco isto que digo, o que não deixa de entristecer quem defende um espaço europeu com personalidade própria e não uma UE ,pequenina, sem voz e sem rumo que serve apenas de trampolim aos mercados financeiros no ataque aos países mais frágeis economicamente, ou seja, um instrumento do negócio da dívida, dita soberana.

Do lado português, embora defenda que nem tudo deva ser negociado na praça pública, entendo, contudo, que grandes linhas, prazos de reembolso e taxas de juro deviam fazer parte do pacote a publicitar, pelo menos em termos de intervalos.

Os partidos ao expressarem os princípios que defendem para as negociações já estariam de certo modo a apresentar o seu programa eleitoral.

Um princípio base fundamental é defender e negociar juros baixos e prazos alargados de pagamento. Só se pode amortizar uma dívida calmamente, num prazo razoável e a uma taxa de juro no mínimo equivalente à taxa de crescimento da economia e respectiva taxa de inflacção. Isto é o "bê-à-bá". Caso contrário, a situação é complicada.

Outro princípio importante, evitar medidas que gerem um ambiente depressivo da economia, dificultando ainda mais o crescimento - o problema central da economia portuguesa - pelo que há que distinguir bem as medidas entre sectores transaccionáveis e sectores não transaccionáveis.

Neste contexto, a promoção das exportações nacionais deve ser um eixo também determinante pelo que urge negociar junto da Troika condições especiais de acesso privilegiado ao crédito e incentivos no domínio fiscal.


São apenas algumas ideias importantes.

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2011-04-16

 

A União Europeia contra o FMI

- O FMI quer impor juros altos a Portugal no empréstimo (politicamente correcto é dizer "ajuda") cujas condições ainda estão em estudo.
A UE protesta. Num braço de ferro com os "homens sem rosto" do FMI. E protesta com veêmencia.
- Ainda bem. Para alguma coisa havia de servir haver uma União e pertencermos a ela. E que exige a nossa União Europeia?
- Bem... exige juros mais altos!
- Mas...?
- É o estado da União a que chegámos.
___________


Acrescento, noutro registo:

Assim parece-me inevitável o reescalonamento da dívida.

O FMI defende que, no empréstimo que para a semana se vai negociar com Portugal, os juros sejam a 3,5%, a UE quer impôr  "juros punitivos" de 5,5%. O FMI defende que o empréstimo seja feito para um prazo maior para não obrigar a uma grave recessão, a uma rutura social e a uma eventual incapacidade de Portugal poder pagar a dívida por não conseguir, nestas condições, pôr a economia a crescer o suficiente. Por outro lado a Srª Merkel e outros Governos de direita, dependentes de eleitorado de direita e extrema direita, e dependentes dos interesses dos bancos alemães (e também espanhóis) que têm muito dinheiro emprestado a Portugal, querem não apenas as taxas de juro "punitivas" mas um prazo recorde (3 anos) para pôr as contas em ordem, haja mortos ou feridos.
A posição mais preocupada e sobretudo mais realista do FMI, em contraste com a posição "punitiva" da UE/Angela Merkel e Cia poderá ter alguma coisa a ver com o facto de à frente do FMI estar Strauss-Khan, um membro do PS francês e os decisores do Euro e da UE estar dominada pela direita?

A Grécia conseguiu negociar agora a baixa da sua taxa de juro de 5,5% para 4,5% e conseguira um prazo de 7 anos. Só uma posição negocial exigente e firme de Portugal, apesar dos poucos meios para tanto, nos poderão dar algum alívio. Mas com estas condições de juro e prazo vamos ter seguramente de vir a reescalonar  a dívida, como aliás já aqui ,em Janeiro, opinei. Para isso era indispensável uma aliança concertada pelo menos com a Grécia e a Irlanda se entretanto a Espanha não se afundar também. 

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2011-04-07

 

20.30 de ontem José Sócrates abre "falência"

José Sócrates anuncia que Portugal decidiu bater à porta da União Europeia, o que para esta situação quer dizer bater na do FMI.

Já hoje os convidados reagiram a dar as "boas vindas" a Portugal.

Mas é sobre o tratamento que nos vai dar o FMI, porque de facto é esta instituição que conta porque manda e não o Fundo Europeu (que Europa é esta, que nem instrumentos tem para se defender!!) que gostaria de registar aqui umas quantas dicas.

Primeira dica. Hoje deve estar muita gente feliz, pois nos últimos dias, só se visualizava pressão por todo o lado e de todas as formas (vide CE) para que Sócrates sucumbisse e chamasse o FMI. Não se precisa de nomear os actores de tal pressão dentro e fora do País. Foram muitos e até a população foi contaminada, numa de Benfica-Porto.

Sócrates não se encontrava preparado para responder de acordo com o que sempre anunciara porque se deixou cercar no campo do adversário, durante a sua governação, com uma receita que era a mesma do adversário. Assim, a resistência tinha um timing até porque os adversários tinham mais e melhores jogadores e melhor estratégia de combate. Só poderia haver resistência com outra receita.

Segunda dica e esta de mais interesse. É bom reflectir sobre as duas vezes que o FMI esteve em Portugal não para comparar com a situação actual que é muito diferente em termos de enquadramento, como abordamos mais à frente, mas por duas conclusões: a grande perda do poder de compra da grande maioria dos portugueses. O aperto do cinto como é mais popular dizer-se foi de facto muito forte. Mas a segunda conclusão e para mim mais decisiva foi a de que em termos de mudança de estrutura económica pouco ou nada trouxe. O País levou uns grandes apertões, mas as deficiências estruturais do modelo de desenvolvimento por cá ficaram e tanto assim é que hoje exige nova entrada do FMI para mais uns apertões desta vez infelizmente até por um prazo mais longo, mas o modelo, esse apenas acredito que vá ser ajustado dento dos mesmo padrões.

A terceira dica é sobre o enquadramento. Nas duas vindas anteriores Portugal tinha o escudo e a grande medida de "competitividade" foi a desvalorização do escudo para facilitar exportações, a redução da despesa sempre na base do corte de salários e outras regalias e houve até a venda de umas quantas toneladas de ouro para redução da dívida.

Hoje as hipóteses de acção são menos. Há o euro e sobre esse o país não manda é moeda única. Há ouro mas nada se diz sobre isso, pelo que serão os rendimentos das pessoas que vão suportar a investida do FMI, ou via salários (Função Pública); pensões e todo o consumidor pelo aumento dos diversos impostos.

De comum, portanto teremos uma forte redução do poder de compra.

Ainda há uma outra grande diferença, o enquadramento internacional da economia portuguesa . O Mundo e sobretudo os países mais evoluídos, com a Europa à frente, está em crise económica.

De tudo isto ressalta que nunca será a receita do FMI que, a prazo, trará melhorias para o desenvolvimento do nossa economia. Mas sobre isto não há debate.

Gasta-se a energia nacional noutras frentes.

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2011-04-01

 

Frenesim em Belém

Apostilha em 3 de Abril: a conversa deste post tinha a pretensão de ser a mentira do 1º de Abril. Mas... ter-me-á fugido a boca para a verdade?
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Em Belém dá-se tudo por tudo. Estudam-se cenários. O PR mantém a iniciativa desde que ganhou as eleições. E com que ganas. O assessor que já recuperou da travessia do deserto a que teve de se sujeitar por causa da "bronca" das escutas dirige as operações mas está a encontrar dificuldades.
Belém mexe os cordelinhos e não é só dentro do PSD é também no PS. Urgente é convencer Sócrates mesmo com o Governo em gestão a  chamar o Fundo Europeu de Resgate com o FMI, agora que as agências de rathing (instrumentos dos maiores bancos norte-americanos e não só) puseram Portugal na notação "lixo". A entrada do FMI deverá ser feita pela mão de Sócrates por causa do terrível efeito penalizador no futuro. Teria o consentimento (mas distante) do PR para não o comprometer com o que aí virá. Invocar-se-ia calamidade ou mesmo "traição" nacional se Sócrates o não chamasse. Isso facilitaria a vida ao Governo saído das eleições que Belém tudo fará para que seja encabeçado pelo PSD, como aliás, as sondagens indicam.
Metade do plano está cumprido, Sócrates e o seu Governo já foram abaixo e a outra metade é juntar as forças que dentro dos dois partidos são a favor do bloco central. O busílis é neutralizar Sócrates e Passos Coelho que Belém não suporta. Então procura-se que Sócrates e Passos Coelho se imolem no altar do interesse nacional (ou de Belém?) e saiam de cena ou em alternativa fiquem como dirigentes máximos dos seus partidos mas com o acordo expresso de que ficariam fora do Governo, com a explicação de que nenhum quer ser subalterno do outro e o país corre perigo de se afundar.
De momento o assessor de Belém trabalha o cenário PSD a ganhar as eleições. Manuela Ferreira Leite seria a 1ª Ministra ( o que por ser mulher até concitaria simpatia) e Luís Amado seria vice - primeiro ministro e, eventualmente, conforme a situação após eleições, Paulo Portas a ministro dos Negócios Estrangeiros ( Defesa não por causa dos submarinos). Se tudo corresse pelo pior (para Belém) com PS à frente do PSD o plano B trocaria as posições de Leite e de Amado.
Ver aqui mas é necessário ler nas entrelinhas que a coisa não está assim tão explícita.

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2011-01-13

 

Cavaco Silva com o FMI

Cavaco não seria o primeiro a protagonizar a entrada do FMI.

Mas tem é de ser claro. Diga se quer ou não o FMI a ditar as regras em Portugal.

Há quem defenda o FMI porque acha que é uma forma de calar a direita e assim aplicar mais facilmente as medidas conducentes à redução do défice. Há quem defenda o FMI porque entende que Portugal por si só nunca conseguirá chegar a lado nenhum. Há quem queira o FMI para derrubar o governo de José Sócrates.

O candidato Cavaco Silva tem toda a legitimidade de escolher o que quer e pensa. O que deve é não enganar a população. Com uma mão acena que está iminente uma crise que até pode fazer perigar a economia de Portugal, exigindo assim o recurso ao FMI e, com a outra acena que talvez o governo ainda possa empurrar isso lá mais para a frente.

Resumindo Cavaco deixa implícito que este governo está prazo e que se ganhar as eleições irá forjar todas as condições para dissolver a AR.

Preto no branco, Cavaco Silva está a descredibilizar o País no exterior, dando força aos mercados especulativos que até não precisam de ajuda.

O que estes mercados especulativos têm de ter é um freio. Cavaco Silva confundiu-se e funcionou ao contrário, abriu-lhe as portas.

O País não pode ter ficado satisfeito com as dicas de Cavaco sobre a crise que pode vir aí. Essas dicas têm mesmo de ser alvo de repulso.

Dir-se-à, tudo isto é fruto da campanha eleitoral.

Um Presidente não pode ter posições dúbias.

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2010-12-01

 

"Queremos o FMI, já"

Há dois dias atrás, o Jornal de Negócios dava à sua 4ª página o grande título
Sector Empresarial: FMI não assusta, antes pelo contrário. 
Simultaneamente Pedro Passos Coelho, declarou, sem sensibilidade para perceber quanto as suas palavras poderiam chocar quem vive do seu trabalho, 
estou pronto para governar com o FMI.  
A estulta afirmação de Passos Coelho de que está pronto para governar com o FMI, esconde mal o juízo subjacente: convém-me o FMI para governar. Com ele aplicaria o essencial do seu programa: menos Estado e mais mercado desregulado - causa dos actuais abismos sociais - (menos saúde, menos educação, menos subsídio de desemprego, menos reforma) sem ter de assumir a respectiva responsabilidade.
Surpreende? Não. A entrada do FMI (e da União Europeia, isto é, do BCE, isto é, do Bundesbank) não é uma solução técnica/financeira, anódina política e socialmente. Com iguais consequências para todos os portugueses. É a solução que apresenta a factura, e que factura! apenas aos trabalhadores e às classes médias, precisamente aos menos responsáveis pela actual situação. Se em vez de facilitar os despedimentos, de diminuir o subsídio de desemprego, de retirar as devidas compensações por despedimentos sem justa causa, melhor ainda, acabar com essa ideia estúpida, de justa causa, se em vez de obrigar o Estado a reduzir os apoios sociais o FMI começasse por obrigar os especuladores que estão na origem da crise e as grandes fortunas a serem os primeiros a contribuírem para a solução dos problemas  com a anulação dos seus "obscenos" privilégios, nomeadamente as pensões e salários dourados, os prémios milionários, as mais valias e dividendos com baixa fiscalidade, ou fugidos para os paraísos fiscais, bem... assim as soluções do FMI seriam tão execradas pelos seus actuais defensores como o são por aqueles que as repelem.
Estas considerações não pretendem escamotear, nem a quota parte de responsabilidades internas nem as medidas que é impossível evitar no actual contexto da UE. Mas é chocante o contraste entre a atitude da esquerda e do Governo que procuram evitar ou ceder o menos possível a estas imposições externas e o regozijo mal disfarçado de certo patronato e da direita, em especial a direita neo-liberal, que levantou Pedro Passos Coelho por estandarte.

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2010-11-15

 

RECORDAR É, OBRIGATORIAMENTE, VIVER?

Nota: Este post é da autoria de Lilia Bernardes. E se em baixo tem a assinatura de RN foi apenas por dificuldade de formatação com a rubrica da autora. RN

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2010-11-10

 

o FMI e os 7%

"Não vale a pena bater mais no ceguinho".

Uma infelicidade toda a gente tem. Além do mais, não é batendo no "ceguinho" que este assunto se entende.

E então para ver se se agarra uma ponta do problema, comece-se por desmistificar que afinal a aprovação deste orçamento de pouco serviu, apesar de, desde o Presidente da República, aos grandes banqueiros nacionais, ao Presidente da Comissão Europeia, ao PS e ao PSD, toda esta santa gente dizer que ou o orçamento ou o caos e Teixeira dos Santos já tinha cometido a sua infelicidade dos 7%.

O caos ainda não chegou, mas o precipício pode não tardar.

E sabem por quê: vem aí essa coisa mítica que são os mercados. Os mercados não perdoam e esta é uma boa verdade. A especulação aproveita.

Mas onde estarão esses mercados à espreita?

Algures esses mercados corporizam-se nuns senhores bem encasacados ou também em outros até vestidos desportivamente, muito poucos são, mas pensam como "ganhar" muito dignamente.

Àqueles infelizes lá no canto da Europa vamos pregar-lhes uma partida.

São pequenos mas podem aumentar o nosso pecúlio. Que tal obrigá-los a pagar para se refinanciarem a uma taxa de 7% ou mais?

Meu dito meu feito.

E esses senhores da Banca Mundial, de parceria com uma Europa que anda a titubear e pouco sabe do que deve fazer, ou então com uma Senhora Merkel que muito gostaria de ver uns quantos países pelas costas, e a quem só levam 3% para refinanciar a economia alemã, lá estão a ajudar a economia portuguesa a refinanciar-se a taxas de quase 7%.

Já viram a diferença? Os chineses já começaram a ver e se fizerem uns pontinhos mais baratos que venham e depressa.

Em contrapartida querem apenas entrar no capital das boas empresas eufemisticamente portuguesas. Que levem.




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