2013-01-11
Um pouco de mansinho... Passos/Portas estão a levar-nos à certa
António Costa e Pacheco Pereira também sabemos onde correm, mas há algo de fundo que os separa de Lobo Xavier, nomeadamente Pacheco Pereira que se situa em áreas políticas próximas de Lobo Xavier. É no campo dos princípios. Há duas ou três "traves" de cariz social/cidadania que Pacheco tem bem arreigadas e por conseguinte olha e analisa o relatório por um padrão completamente diferente de Lobo Xavier que tentou a dada altura defender que o relatório era de cariz técnico. Pacheco Pereira e António Costa desmantelaram esse argumento demonstrando que essa leitura não tinha cabimento, porque o FMI produziu um documento essencialmente ideológico. Na realidade trata-se de um relatório que tem subjacente a defesa da construção de um Estado Mínimo, ou seja, o Estado Social mesmo em situação muito aquém do que existe na Europa é para desmantelar em Portugal. Lobo Xavier muito contrafeito, sem argumento para contrapor tentou insinuar que não queria acreditar que o governo não tivesse outros relatórios mais genéricos de enquadramento para a reforma do Estado. Habilidades!!
Mas depois de muita discussão, a conclusão (Pacheco/Costa) é a de que o relatório com a chancela do FMI é do governo. Houve até quem dissesse que aquele seria o programa que o governo gostaria de ter apresentado quando foi empossado, mas não soube ou não teve coragem.
E o mais grave é que nem hoje tem. Refugia-se nas costas do FMI para ir atirando alguma lama a ver se pega. O objectivo é mesmo esse. Ver se algumas medidas pegam.
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2011-11-07
Mesmo com FMI na Itália, a UE pode ser "sacudida"
Em todo o lado, se escreve que a situação económica da Europa no seu todo não configura esta crise, até se apresenta melhor nos seus rácios económicos que os EUA e Japão.
"L'Europe va mal. Non que son économie - prise comme un tout - soit particulièrement déséquilibrée: les Européens ne consomment pas plus qu'ils ne produisent, contrairement aux Américains, et les comptes extérieurs de la zone euro sont quasiment équilibrés; l'épargne des ménages est abondante et leur endettement deux fois plus faible qu'aux Etats-Unis; même du côté des dettes publiques, qui paraissent aujourd'hui la principale faiblesse de l'Europe, leur poids dans le produit intérieur brut (PIB) est inférieur de dix points à ce qu'il est dans le PIB américain et leur progression est beaucoup moins rapide" lê-se em Alternatives Economiques nº 90, Outubro de 2011.
Mas toda a gente (menos os políticos europeus) começa a concordar que os problemas da Europa se situam a dois níveis: desequilíbrios internos profundos e principalmente uma falha e falta de comando, instituições mal formatadas como o BCE que costumo dizer só tem funções de "meio banco central", um FEEF recente e descapitalizado, que procurou financiar-se junto dos países emergentes (o que levou a Presidente DILMA a dizer mas se vocês europeus não financiam porque vamos nós entrar nesse combóio), um orçamento sobretudo para financiar a burocracia comunitária e declarações (levianas) em série dos altos responsáveis europeus sobre os problemas da Europa associadas a umas cimeiras cujas decisões caem por terra nas horas seguintes.Estas cimeiras são por isso inconsequentes, com respostas frágeis e a reboque dos acontecimentos e sem nunca agarrarem os problemas em toda a sua dimensão.
E os mercados (capital financeiro mundial) não perdoam. É a instabilidade continuada.
Agora com um país grande, a Itália sob a alçada desses mercados, oferecendo pouca confiança com um governo sui generis e ainda periclitante, a situação é gravíssima para a Europa.
A "entrada" imposta do FMI pode aliviar o negrume da situação mas nada de bom é expectável.
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2011-08-13
O 1º M de Portugal O chefe da missão do FMI dirigiu-se ao país
Etiquetas: FMI, Passos Coelho., Poul Thomsen, Troica
2011-05-24
A experiência de um dos "Tigres asiáticos" com FMI. Lições para Portugal
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2011-05-21
Europa sem estratégia para a crise
2011-04-24
O resgate português e o resgate alemão
Trata-se da República Federal Alemã, a seguir à guerra. As situações são muito distintas mas as lições da História são sempre para aplicar a situações distintas. Há que ver o que Portugal pode aproveitar como lição e uma delas é não renunciar às obrigações que tem para com o seu povo, defender os seus interesses com mais determinação do que a dos agentes do FMI e da UE em desagregação a defenderem os seus.
Uma diferença radical é que então o capital financeiro especulador não era dono e senhor do mundo. Era só de metade dele. E naquele em que dominava tinha que estar sempre atento a não criar nos países objectoda sua "ajuda" situações que levassem os respectivos povos a voltarem-se para a outra metade do mundo e a perderem a presa.
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"O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã [32 biliões de marcos] foi assinado ... depois de duras negociações.
Etiquetas: FMI, O resgate, UE.
2011-04-23
Os partidos e o FMI
A UE faz de corpo presente para alertar para que alguns compromissos de países com eleições não sejam totalmente descurados. O que apenas vem empatar e arrastar o processo.
Estou a caricaturar mas é um pouco isto que digo, o que não deixa de entristecer quem defende um espaço europeu com personalidade própria e não uma UE ,pequenina, sem voz e sem rumo que serve apenas de trampolim aos mercados financeiros no ataque aos países mais frágeis economicamente, ou seja, um instrumento do negócio da dívida, dita soberana.
Do lado português, embora defenda que nem tudo deva ser negociado na praça pública, entendo, contudo, que grandes linhas, prazos de reembolso e taxas de juro deviam fazer parte do pacote a publicitar, pelo menos em termos de intervalos.
Os partidos ao expressarem os princípios que defendem para as negociações já estariam de certo modo a apresentar o seu programa eleitoral.
Um princípio base fundamental é defender e negociar juros baixos e prazos alargados de pagamento. Só se pode amortizar uma dívida calmamente, num prazo razoável e a uma taxa de juro no mínimo equivalente à taxa de crescimento da economia e respectiva taxa de inflacção. Isto é o "bê-à-bá". Caso contrário, a situação é complicada.
Outro princípio importante, evitar medidas que gerem um ambiente depressivo da economia, dificultando ainda mais o crescimento - o problema central da economia portuguesa - pelo que há que distinguir bem as medidas entre sectores transaccionáveis e sectores não transaccionáveis.
Neste contexto, a promoção das exportações nacionais deve ser um eixo também determinante pelo que urge negociar junto da Troika condições especiais de acesso privilegiado ao crédito e incentivos no domínio fiscal.
Etiquetas: FMI, princípios de negociação
2011-04-16
A União Europeia contra o FMI
A UE protesta. Num braço de ferro com os "homens sem rosto" do FMI. E protesta com veêmencia.
- Ainda bem. Para alguma coisa havia de servir haver uma União e pertencermos a ela. E que exige a nossa União Europeia?
- Bem... exige juros mais altos!
- Mas...?
- É o estado da União a que chegámos.
Acrescento, noutro registo:
Assim parece-me inevitável o reescalonamento da dívida.
2011-04-07
20.30 de ontem José Sócrates abre "falência"
Já hoje os convidados reagiram a dar as "boas vindas" a Portugal.
Mas é sobre o tratamento que nos vai dar o FMI, porque de facto é esta instituição que conta porque manda e não o Fundo Europeu (que Europa é esta, que nem instrumentos tem para se defender!!) que gostaria de registar aqui umas quantas dicas.
Primeira dica. Hoje deve estar muita gente feliz, pois nos últimos dias, só se visualizava pressão por todo o lado e de todas as formas (vide CE) para que Sócrates sucumbisse e chamasse o FMI. Não se precisa de nomear os actores de tal pressão dentro e fora do País. Foram muitos e até a população foi contaminada, numa de Benfica-Porto.
Sócrates não se encontrava preparado para responder de acordo com o que sempre anunciara porque se deixou cercar no campo do adversário, durante a sua governação, com uma receita que era a mesma do adversário. Assim, a resistência tinha um timing até porque os adversários tinham mais e melhores jogadores e melhor estratégia de combate. Só poderia haver resistência com outra receita.
Segunda dica e esta de mais interesse. É bom reflectir sobre as duas vezes que o FMI esteve em Portugal não para comparar com a situação actual que é muito diferente em termos de enquadramento, como abordamos mais à frente, mas por duas conclusões: a grande perda do poder de compra da grande maioria dos portugueses. O aperto do cinto como é mais popular dizer-se foi de facto muito forte. Mas a segunda conclusão e para mim mais decisiva foi a de que em termos de mudança de estrutura económica pouco ou nada trouxe. O País levou uns grandes apertões, mas as deficiências estruturais do modelo de desenvolvimento por cá ficaram e tanto assim é que hoje exige nova entrada do FMI para mais uns apertões desta vez infelizmente até por um prazo mais longo, mas o modelo, esse apenas acredito que vá ser ajustado dento dos mesmo padrões.
A terceira dica é sobre o enquadramento. Nas duas vindas anteriores Portugal tinha o escudo e a grande medida de "competitividade" foi a desvalorização do escudo para facilitar exportações, a redução da despesa sempre na base do corte de salários e outras regalias e houve até a venda de umas quantas toneladas de ouro para redução da dívida.
Hoje as hipóteses de acção são menos. Há o euro e sobre esse o país não manda é moeda única. Há ouro mas nada se diz sobre isso, pelo que serão os rendimentos das pessoas que vão suportar a investida do FMI, ou via salários (Função Pública); pensões e todo o consumidor pelo aumento dos diversos impostos.
De comum, portanto teremos uma forte redução do poder de compra.
Ainda há uma outra grande diferença, o enquadramento internacional da economia portuguesa . O Mundo e sobretudo os países mais evoluídos, com a Europa à frente, está em crise económica.
De tudo isto ressalta que nunca será a receita do FMI que, a prazo, trará melhorias para o desenvolvimento do nossa economia. Mas sobre isto não há debate.
Gasta-se a energia nacional noutras frentes.
Etiquetas: FEEF, FMI, Modelo de Desenvolvimento
2011-04-01
Frenesim em Belém
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Em Belém dá-se tudo por tudo. Estudam-se cenários. O PR mantém a iniciativa desde que ganhou as eleições. E com que ganas. O assessor que já recuperou da travessia do deserto a que teve de se sujeitar por causa da "bronca" das escutas dirige as operações mas está a encontrar dificuldades.
Etiquetas: FMI, Passos Coelho, PR, Sócrates
2011-01-13
Cavaco Silva com o FMI
Mas tem é de ser claro. Diga se quer ou não o FMI a ditar as regras em Portugal.
Há quem defenda o FMI porque acha que é uma forma de calar a direita e assim aplicar mais facilmente as medidas conducentes à redução do défice. Há quem defenda o FMI porque entende que Portugal por si só nunca conseguirá chegar a lado nenhum. Há quem queira o FMI para derrubar o governo de José Sócrates.
O candidato Cavaco Silva tem toda a legitimidade de escolher o que quer e pensa. O que deve é não enganar a população. Com uma mão acena que está iminente uma crise que até pode fazer perigar a economia de Portugal, exigindo assim o recurso ao FMI e, com a outra acena que talvez o governo ainda possa empurrar isso lá mais para a frente.
Resumindo Cavaco deixa implícito que este governo está prazo e que se ganhar as eleições irá forjar todas as condições para dissolver a AR.
Preto no branco, Cavaco Silva está a descredibilizar o País no exterior, dando força aos mercados especulativos que até não precisam de ajuda.
O que estes mercados especulativos têm de ter é um freio. Cavaco Silva confundiu-se e funcionou ao contrário, abriu-lhe as portas.
O País não pode ter ficado satisfeito com as dicas de Cavaco sobre a crise que pode vir aí. Essas dicas têm mesmo de ser alvo de repulso.
Dir-se-à, tudo isto é fruto da campanha eleitoral.
Um Presidente não pode ter posições dúbias.
Etiquetas: Cavaco Silva, FMI
2010-12-01
"Queremos o FMI, já"
Surpreende? Não. A entrada do FMI (e da União Europeia, isto é, do BCE, isto é, do Bundesbank) não é uma solução técnica/financeira, anódina política e socialmente. Com iguais consequências para todos os portugueses. É a solução que apresenta a factura, e que factura! apenas aos trabalhadores e às classes médias, precisamente aos menos responsáveis pela actual situação. Se em vez de facilitar os despedimentos, de diminuir o subsídio de desemprego, de retirar as devidas compensações por despedimentos sem justa causa, melhor ainda, acabar com essa ideia estúpida, de justa causa, se em vez de obrigar o Estado a reduzir os apoios sociais o FMI começasse por obrigar os especuladores que estão na origem da crise e as grandes fortunas a serem os primeiros a contribuírem para a solução dos problemas com a anulação dos seus "obscenos" privilégios, nomeadamente as pensões e salários dourados, os prémios milionários, as mais valias e dividendos com baixa fiscalidade, ou fugidos para os paraísos fiscais, bem... assim as soluções do FMI seriam tão execradas pelos seus actuais defensores como o são por aqueles que as repelem.Etiquetas: FMI, Pedro Passos Coelho
2010-11-15
RECORDAR É, OBRIGATORIAMENTE, VIVER?
2010-11-10
o FMI e os 7%
Uma infelicidade toda a gente tem. Além do mais, não é batendo no "ceguinho" que este assunto se entende.
E então para ver se se agarra uma ponta do problema, comece-se por desmistificar que afinal a aprovação deste orçamento de pouco serviu, apesar de, desde o Presidente da República, aos grandes banqueiros nacionais, ao Presidente da Comissão Europeia, ao PS e ao PSD, toda esta santa gente dizer que ou o orçamento ou o caos e Teixeira dos Santos já tinha cometido a sua infelicidade dos 7%.
O caos ainda não chegou, mas o precipício pode não tardar.
E sabem por quê: vem aí essa coisa mítica que são os mercados. Os mercados não perdoam e esta é uma boa verdade. A especulação aproveita.
Mas onde estarão esses mercados à espreita?
Algures esses mercados corporizam-se nuns senhores bem encasacados ou também em outros até vestidos desportivamente, muito poucos são, mas pensam como "ganhar" muito dignamente.
Àqueles infelizes lá no canto da Europa vamos pregar-lhes uma partida.
São pequenos mas podem aumentar o nosso pecúlio. Que tal obrigá-los a pagar para se refinanciarem a uma taxa de 7% ou mais?
Meu dito meu feito.
E esses senhores da Banca Mundial, de parceria com uma Europa que anda a titubear e pouco sabe do que deve fazer, ou então com uma Senhora Merkel que muito gostaria de ver uns quantos países pelas costas, e a quem só levam 3% para refinanciar a economia alemã, lá estão a ajudar a economia portuguesa a refinanciar-se a taxas de quase 7%.
Já viram a diferença? Os chineses já começaram a ver e se fizerem uns pontinhos mais baratos que venham e depressa.
Em contrapartida querem apenas entrar no capital das boas empresas eufemisticamente portuguesas. Que levem.
Etiquetas: 7%, Europa, FMI, Merkel




