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2013-07-22

 

Uma derrota "colossal"

Cavaco Silva, sem surpresa, atirou a toalha ao chão. Veio confessar ao país o falhanço da  “sua melhor solução” para a grave crise política. A sua derrota é também uma rendição ao governo defunto e descredibilizado não apenas perante qualquer pessoa em seu juízo mas perante si próprio como o prova ter deixado de fazer de morto e de intervir na zaragata suicida do governo.
A justificação que achou necessário dar, com abundância de argumentos,  sobre a sua iniciativa merece reflexão. Ela  resume-se à sua profunda convicção não só da possibilidade como da naturalidade de os partidos abdicarem de aspetos fundamentais  da sua orientação para apoiarem outro partido com política oposta em nome de um suposto interesse nacional em linha com as conceções da defunta União Nacional.
Não digo, por comiseração, que Cavaco Silva tenha sido ou seja um salazarista mas, ainda que não totalmente desprovido de inteligencia é um político medíocre cuja conceção da política e da democracia  se mantem  tributária da cultura da União Nacional. No salazarismo foi sempre  “um bom aluno” e no regime democrático, como “não politico assumido”,  tem dado provas e não só agora, de que não aprecia  as regras essenciais da democracia que implicam a indispensável confrontação de políticas que correspondem a  interesses contraditórios da sociedade.  
Cavaco Silva para defender o governo da direita tem de engolir os sapos que o compõem e que ele detesta. Cavaco Silva sofreu uma severa derrota e pôs-se a jeito para averbar as que aí vêm com a ressurreição, ao fim de 15 dias, do cadaveroso governo de Passos Coelho e Paulo Portas.
Entretanto, na entrevista a Ana Lourenço, Seguro informou que as conversas com o PSD e o CDS estavam a correr bem até 5ª feira e só na 6ª feira o PS concluiu pela inviabilidade de acordo. Para desvendar o mistério Ana Lourenço quis saber, sem sucesso, as razões do súbito impasse. Seguro insinuou que foram os discursos públicos de Passos Coelho. Fica-se sem saber qual o papel nos resultados deste processo negocial das ameaças de Mário Soares, Manuel Alegre, António Costa  e outras figuras do PS. O PS de Seguro necessitou de longas reuniões durante toda uma semana para concluir que não chegaria a acordo com a direita e bastou-lhe meia hora de diálogo com o BE, a pedido deste, para concluir do desinteresse em prosseguir com tanta proximidade.  Sintomático das inclinações.   
Cavaco Silva com a sua inconsequente intervenção só agravou a crise política. A superação da crise, só possível com eleições, necessita de uma ajuda indispensável, a ajuda da rua,. Necessita do protesto das vítimas das imposições da troika e do up grade delas feito por este governo rendido aos credores. Necessita da luta dos portugueses que não aceitam o esvaziamento democrático do regime nascido com o 25 de Abril. Necessita da revolta dos portugueses condenados ao desemprego, ao empobrecimento e ao roubo do seu futuro. 

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