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2010-02-17

 

[1942] Berlusconi primo ideológico da nossa direita

Intrigado com tanta azáfama do PSD do velho cavaquismo - rasga, rasga, rompe, rompe - na luta pela liberdade de imprensa e o Estado da direita de direito - ele é Paulo Rangel (que até já foi denunciar o caso lá fora) ele é o Pacheco Pereira [que pede ajuda ao PS para demitir Sócrates], ele é professor Marcelo (o inventor dos factos políticos? Esse mesmo) ele é o Alberto João Jardim ( grande lutador contra o antigo regime e pela liberdade), ele é o Eduardo Moniz e a sua esposa Manuela Moura Guedes e outros paladinos da comunicação social de referência...
Tanta a algazarra... fui a Roma, um dos pilares, a par da Grécia antiga, da civilização europeia, ver o que fazem, neste capítulo, os irmãos ideológicos da nossa direita.
Pois fazem assim: 
A televisão pública italiana, RAI, está proibida de emitir programas de debate político, segundo directiva do governo de Berlusconi. Mas os três canais privados esses não estão proibidos.
Porquê? Ora... são privados, isso dá-lhes plena legitimidade, né ? Por acaso até são dele, mas isso é mera coincidência. [link]
E... notícia mais recuada informava: 
"O primeiro ministro [Berlusconi] pede à La Republica uma indemnização de um milhão de euros pela publicação de um artigo que continha uma lista de dez perguntas mal esclarecidas sobre escândalos que o evolviam diretamente. [link]
Ai este Sócrates tem muito que aprender com os primos italianos do nosso PSD  radical.

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2009-12-13

 

EUROPA A MURRO

Berlusconi foi atingido na cara com um murro que lhe partiu os dentes. Tudo aconteceu depois de um comício na praça do Duomo (Milão). Durante uma sessão de autógrafos, o agressor quebrou o cordão de segurança e aproximou-se demasiado do primeiro ministro de Itália acabando um serviço há muito anunciado, basta ler a blogosfera e acompanhar o movimento "No Berlusconi Day" que desde Outubro pede a demissão do PM.
"Anomalia italiana" é a justificação para a vitória de Berlusconi nas eleições de Abril de 2008. Mais uma, diga-se.
Temo que o que se passa em Itália, um país com a comunicação social controlada e uma Justiça de rastos, atinga proporções maiores. Pode ser que a Europa acorde e não precise de abrir os olhos a murro. O desemprego, o aumento da pobreza, as clivagens sociais cada vez mais vincadas, o sentimento de que tudo está errado, a crise do capitalismo, a ausência de ideologias para se agarrar, deixa-nos à deriva.
E há um pormenor que nos atinge. Há quatro países com economias preocupantes e que viveram ditaduras -Grécia, Espanha, Portugal e Itália.
Arrepia-me quando ouço, e cada vez mais, que é preciso "meter este país (Portugal) nos eixos".
Num cenário de ingovernabilidade, é bom que ninguém se esqueça que o povo de barriga vazia não pensa e, normalmente, abre portas a um pai tirano.
Às vezes, julgo que é isso que muita gente anda a querer para Portugal. Mas tomem juízo. Há histórias que não se repetem.

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