2011-02-18
Povos que tanto menosprezávamos
As chamas da revolta ateiam por todo o mundo árabe e reacendem no Irão que sendo muçulmano, xiita, não é árabe mas sofre dos mesmos males. Desemprego, grandes desigualdades sociais, falta de perspectivas de futuro digno, falta de liberdade, ausência de democracia, repressão brutal.
Subi lá acima ao alto do Puxa Palavra e saudei de longe os povos do Magreb e Médio Oriente e muito especialmente os jovens - os Deolinda de lá - pela sua coragem e determinação pela grande lição que dão ao mundo.
Saudo-os com aquela certeza de que eles é que saberão descobrir o caminho que consolide as vitórias já conseguidas e as outras que têm de conquistar.
Tunísia, Egipto, Iemen, Bahrein, Líbia, Síria, Jordânia, Irão e os outros, sem esquecer a Arábia, propriedade da família Saud, de nome completo Arábia Saudita.
Li algures que alguém, daqui do rectângulo, vai à Tunísia ensinar o nosso 25 de Abril, a nossa revolução. Seria bom que trouxessem de lá alguns ensinamentos.
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Corre pela web que Mubarak teria por bancos da Suiça, Reino-Unido, França e por esse mundo de Deus afora um aforro de 50 mil milhões de euros.
Etiquetas: Egipto, mundo árabe., revolta no mundo àrabe, Tunísia
2011-01-22
Tunes: "La policía contra la dictadura"
"Ésta debe ser la primera vez en la historia de este país en que algunos de los 160.000 policías tunecinos participan en una manifestación, en lugar de vigilarla o reprimirla, como hicieron hasta el martes pasado en esta misma avenida.
... La policía también pide ahora que se haga limpieza en el ministerio del Interior. ... "Quienes mataron a la gente fueron los hombres de la guardia presidencial del dictador, no nosotros. Nosotros formamos parte del pueblo", dicen varios de ellos mientras sus compañeros cantan cada vez más fuerte el himno nacional.
... En el cercano hotel África Tunis... unos agentes han escrito con enormes letras: "La policía contra la dictadura" y "El pueblo de Túnez ha liberado a la policía: al fin somos libres". [Link]
Etiquetas: Polícia manifesta-se, Tunísia
2011-01-17
Tunes: "A revolução estoirou na internet"
É o título do jornal Público sobre a "revolução" na Tunísia. O Público, jornal de esquerda, o de Espanha, não o de cá.
João Tunes, via Facebook, levou-me ao Público e este, a Tunes, não ao de cá, o João, mas a Tunes de lá, capital da Tunísia.
Começa assim:
El edificio de la censura que Zin El Abidin Ben Alí había levantado se empezó a agrietar en 1997, cuando unos tunecinos ávidos de quitarse la mordaza accedieron a internet. Poco podía saber el régimen, que se jactaba después de ser el primer país africano y magrebí en haberse conectado a la red, que el día en que el primer ciudadano de su país entró en ella se había plantado la semilla de una herramienta que ha sido clave en la caída del dictador.
Vale a pena accionar o link e ler o resto, até porque o artigo nos leva a Lina Ben Mhenni, uma jovem tunisina de 27 años e ao seu blog A Tunisian Girl, um blog regularmente censurado pelo ditador posto em fuga, "una situación que "acabó hace dos o tres días".
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Coloquei no início do post a palavra revolução entre aspas, não porque desdenhe do heroico levantamento do povo da Tunísia que, se me é permitido, vivamente daqui saúdo, mas para lembrar (não ao povo da Tunísia que desculpo, desde já, não ler o Puxa Palavra, mas a si, caro leitor, no caso de não saber disto mais do que eu) que para o primeiro e decisivo passo - pôr o ditador em fuga - se transformar numa revolução que instaure um regime democrático é necessário desmantelar o aparelho da repressão do ditador, a polícia política, a censura, neutralizar a base de sustentação económica da ditadura e devolver ao país, ao povo, as riquezas roubadas pela oligarquia despótica. Há, portanto, muito trabalho de casa a fazer (mas na rua, atenção!). Nada de deixar entregue a outros o que só quem deitou abaixo o ditador sabe fazer.
2011-01-15
TUNÍSIA: jovem imola-se pelo fogo e derruba ditadura
No dia 17 de Dezembro, em Sidi Bouzid, localidade tunisina, Mohamed Bouazizi, de 26 anos, com curso superior de informática, no desemprego, ia subsistindo como vendedor ambulante de fruta e hortaliça, quando mais uma vez a polícia o proibiu de vender na rua, única forma que lhe restava de subsistência da família. Revoltado, Mohamed Bouazizi foi comprar gasolina e imolou-se pelo fogo, em frente da câmara municipal.
Em 14 de Janeiro, menos de um mês depois, o ditador Ben Ali, que há 23 anos governava o país, teve de fugir para a Arábia Saudita, derrubado pela onda de revolta que por todo o país alastrou resistindo à repressão que causou 66 mortos (dados de organizações dos direitos humanos.)
O ato de desespero de Mohamed Bouazizi foi a centelha que incendiou o mar de descontentamento, humilhação, desemprego e pobreza da população tunisina revoltada com a corrupção e o enriquecimento faustoso do ditador e seus apaniguados.
O ditador prometeu tudo. Não se “recandidatar”, dar liberdade de expressão, diminuir os preços da alimentação. Tarde demais. As manifestações principalmente de estudantes e comerciantes não paravam e receando os excessos na repressão (e a justiça internacional) o chefe do Exército suspendeu-a contra as ordens do ditador.
Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, como aliás os restantes países árabes vivem sob ditaduras toleradas quando não apadrinhadas pela Europa. Só quando os ditadores não são “os nossos ditadores”, e atacam os “nossos” interesses, é que a democrática Europa se agonia com as ofensas à liberdade.
Estes ditadores corruptos e a minoria privilegiada que os apoia, saqueiam e condenam à miséria e atraso os seus povos. A democrática União Europeia, a França, a Alemanha, a Suiça, a Itália e outros, recebem, escondem e aplicam as fabulosas fortunas roubadas por estes ditadores e ao apoiarem-nos são um factor decisivo contra a democratização dos seus países. E não serve de desculpa o perigo de serem substituídas por ditaduras fundamentalistas piores. O fundamentalismo é alimentado pela miséria, pela consciência das injustiças sociais e do conúbio do Ocidente com estes regimes corruptos e despóticos em troca do saque das riquezas nacionais. Na Tunísia o movimento islâmico fundamentalista, proibido, Nahda (Renascimento) não teve nenhum papel nesta revolta popular.
Obama saudou o derrube do ditador. Os líderes europeus seguem-lhe o exemplo timidamente. A queda do ditador, por enquanto é só isso e para dar lugar a uma revolução democrática a movimentação popular tem de continuar e desmantelar o aparelho que suportava o regime.
Dois dados muito interessantes da “revolução” tunisina.
1º: O papel das novas tecnologias, telemóvel, internet, canais estrangeiros de televisão não censurados, nomeadamente da Al Jazira permitiram a comunicação e a coordenação das manifestações à escala nacional.
2º: o surgimento de manifestações de apoio por todo o norte de África onde o Egipto poderá estar na calha para seguir o exemplo da Tunísia.
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Etiquetas: Tunísia






