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2015-08-12

 

“A Grécia usada para encobrir o escândalo do salvamento dos bancos europeus”

Notícia de INFOGRÉCIA:
Entrevista a Maria Lucia Fattorelli, a especialista brasileira sobre a dívida pública que participou nos trabalhos da Comissão para a Auditoria e Verdade da Dívida Pública organizada pelo parlamento da Grécia.

 

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2015-07-13

 

TENHO UMA FORTE SUSPEITA


TENHO UMA FORTE SUSPEITA. A suspeita de que vai passar a haver, histórica e politicamente duas Uniões Europeias. A UE ANTES e a UE DEPOIS do governo do Syriza. E se assim for não deixará de ser paradigmático que o sujeito da mudança seja a GRÉCIA com tudo o que tem de simbólico para a história da Europa e a história da democracia.
O governo grego lutou denodadamente pelos interesses do seu povo (não estou a falar dos Onassis e outros oligarcas gregos) e por estranho que a alguns pareça, pelos interesses da Europa dos Cidadãos, aquela Europa que nunca chegou a existir mas que este governo da Grécia, com a sua denodada luta, revelou como uma Europa pronta, a cada momento, a ser uma Europa CONTRA os cidadãos, se isso puser em causa os interesses do capital financeiro ou contrariar a renovada e agoirenta vertigem imperial da Alemanha.

Perante a NOVA ORDEM europeia em construção, sob a liderança de Schauble/Merkel, ergueu-se patrioticamente um governo de esquerda que, naturalmente aos olhos neoliberais parece uma assombração esquerdista. Perante grandes dificuldades negociais o Governo grego consultou o povo o que enraiveceu, em particular, governos como o português por tal revelar o seu comportamento de alegre capataz da Berlim e dos mercados em geral. 

O Governo grego negociou, fez cedências, foi vergado quase até ao chão. Para mim não foi completa surpresa, em 26 de Junho, no Facebook, disse que 

"a relação de forças [entre a UE e a Grécia] é a que a imagem mostra. De modo que, apesar do receio de indigestão, o mais provável é o cinzento engolir o verde.”


A Grécia e o Syriza tiveram o grande mérito de expor às escâncaras o crescente deslizar antidemocrático das Instituições da UE e a paulatina tutela germânica. E o acordo que a Grécia acabou por aceitar (não conheço ainda com rigor todo o seu conteúdo) só foi possível porque, contra a arrogância alemã, de duvidosa estratégia e duvidoso futuro, se levantou o habitualmente agachado François Hollande, à custa de telefonemas de Washington, a falar de geoestratégia, a lembrar que os EUA e a NATO têm uma base militar na Grécia e a humilhação da Grécia pode, ao contrário do "humilhado" Portugal, ter consequências desagradáveis com uma eventual aproximação à Rússia e, sabe-se lá, se à China também.

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2015-06-26

 

Voroufakis entrevistado. O homem, o político, a Grécia

JANICE TURNER, ENTREVISTA VAROUFAKIS para “The Times Magazine”/ The Interview People Varoufalis  O expresso reprodu-la em 2015-06-17 [aqui] e para que continue online coloquei-a no Puxapalavra in Extenso

A entrevista visa dar a conhecer o homem, o político e a política do governo grego do Siryza. Devido à extensão não está aqui totalmente reproduzida.
Grande entrevista: as confissões, motivações e explicações de Varoufakis
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Dois dias depois de nos encontrarmos, a Grécia devia fazer o seu primeiro pagamento de junho ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 310 milhões de euros, iniciando uma série de reembolsos que totalizarão 13 mil milhões de euros até ao fim do mês. A Grécia já andou à cata de trocos no forro do sofá da nação. Hospitais, universidades e autarquias locais entregaram as suas reservas ao Governo; o Estado protela os pagamentos aos fornecedores, para ter dinheiro vivo. Depois de cinco anos de austeridade, a economia grega encolheu 25% e mantém-se em recessão; um quarto da população (e 60% dos jovens) está no desemprego.
Do que a Grécia precisa, do que espera neste carrossel pede-a-Pedro-para-pagar-a-Paulo da finança mundial, é de mais um empréstimo, de 7,2 mil milhões de euros, de resgate da chamada “troika” de instituições financeiras: FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Mas o dinheiro está a ser retido até a Grécia concordar em cumprir as exigências da troika: mais privatizações, mais cortes nas pensões e mais mudanças nas leis laborais que facilitem os despedimentos. Por outras palavras, mais austeridade, precisamente o que o Governo radical do Syriza foi mandatado para combater após a sua retumbante vitória eleitoral.  
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Conversa abertamente, interrompendo-se de dez em dez minutos para atender o telefone. A última chamada – “Olá, Larry!” – para falar com Larry Summers, o professor de Harvard e secretário do Tesouro de Clinton, é feita na casa de banho privada. Varoufakis, 54 anos, não parece esmagado por ter às costas o destino da nação. ...
... Vai escrever um livro? “Claro que vou! Ha, ha!” 

Varoufakis descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”

E ele é, claro, o menos enfadado dos políticos. Quando lhe pergunto se, enquanto jovem assistente na Universidade de Essex  – onde a sua máxima “Subvertam o paradigma dominante” foi estampada em t-shirts pelos estudantes  – poderia imaginar-se ministro das Finanças, Varoufakis ri-se. “Nem há um ano poderia imaginar!” Na verdade, estava a trabalhar no Texas quando o Syriza o pôs nas listas. Não era membro do partido e continua a não o ser, ainda que nas eleições de janeiro tenha recolhido a maior votação de todos os candidatos apoiados pelo Syriza.

Varoufakis, apesar dos muitos livros que escreveu, descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”. ... “Da mesma forma, acredito em políticos relutantes. Uma pessoa que se entusiasme com o poder político devia ser impedida de o ter.”

Na primeira reunião do Governo do Syriza, conta, o novo primeiro-ministro disse: “Rapazes, lembrem-se: não queremos saber dos nossos gabinetes”. Varoufakis olha à sua volta, com as suas pinturas modernas, as plantas yucca, as estantes de livros de economia e uma ausência total de objetos pessoais, e depois ergue os braços do sofá magenta. “Não estou ligado a este gabinete, a este sofá. Quero dizer, se ficar sem eles amanhã, estou-me nas tintas. Isso, acho, é fundamental. Se começamos a sentir que perdemos a nossa posição ministerial – as sondagens estão a resvalar, meu deus, o Wall Street Journal não está a dizer grande coisa sobre mim, se calhar estou de saída –, se começamos a ralar-nos com isso, então muito depressa perdemos a força.”
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Varoufakis está refrescantemente livre do estilo treinado para os media de fugir às questões. Abre um livro de candura e eloquência. Quando lhe digo que ainda não aprendeu as maneiras dos políticos, diz com dramatismo: “Quando as aprender, demito-me. Por outras palavras, quando começar a mentir e a não chamar espada a uma espada, deixei de ser útil. Não acho que o mundo, e a Grécia de certeza, precise de mais um político que distorça a realidade. Eu não falei de mais, só falei verdade”.

Na sua eleição, causou furor ao declarar “sou o ministro das Finanças de um Estado na bancarrota”. Mas isto, afirma, é um simples facto. A Grécia não sofre de falta de liquidez - é insolvente. E não há empréstimo que a cure. “É como um amigo seu que não pode pagar a hipoteca da casa obtendo um novo cartão de crédito e dizendo que o problema está resolvido.”

Diz que recebe ameaças de morte desde a crise de 2010, quando se manifestou exaltado contra os resgates, contra os cleptocratas que esgotaram os fundos e contra a injustiça que é o grego comum sofrer pelo desgoverno dos banqueiros. 

O que é preciso, reclama Varoufakis, não é só investimento na Grécia, mas generosidade de espírito. Fala do famoso “discurso da esperança” feito pelo secretário de Estado norte-americano James Byrnes à Alemanha em 1946, como prelúdio do Plano Marshall. Foi a declaração da América de que desejava a paz com o seu inimigo derrotado; de que a Alemanha tinha o direito de voltar a ser próspera à custa de trabalho esforçado. O discurso de esperança da Grécia, declara, deve ser feito por Angela Merkel.

Quando negoceia, mantém presente vários gregos que lhe exemplificam os males do país: pensa num casal de empresários que conheceu e que tenta erguer das cinzas uma start-up arrasada pelo sistema fiscal; lembra-se de um homem de quarenta e muitos anos que veio servir de tradutor quando Varoufakis deu uma entrevista a um jornal espanhol - antigo professor de línguas com família, vive agora na rua. “Disse-me: 'apoio-o, mas não pode fazer nada por mim. Estou feito. Acabado. Faça qualquer coisa é pelos que estão à beira do precipício e ainda não caíram'.”

Depois, numa noite em que foi beber um copo com a mulher, a artista Danae Stratou, ao bairro rico de Kolonaki, em Atenas, viu “uma idosa muito bonita, dos seus oitenta, muito limpa e bem arranjada, sentada num banco de jardim”. Veio a saber que era uma burguesa que vivia num dos apartamentos da zona e que se tinha tornado numa sem-abrigo. “Passa ali a noite e quem a conhece toma conta dela.”

E depois há os seus antigos alunos da Universidade de Atenas. Antes da crise, faziam fila à porta do seu gabinete para pedir recomendações para os mestrados. Depois de 2010 pediam-lhe referências para irem trabalhar para o estrangeiro. Ele próprio se juntou à fuga de cérebros, em 2012, saindo para os Estados Unidos desencantado com o desfazer do seu departamento e com o corte no salário, que significava que não podia apoiar a filha, Xenia, que desde 2005 vive com a sua ex-mulher, a académica Margarite Poulos, em Sydney.

Embora seja um político recente, Varoufakis foi criado num ambiente muito politizado. O seu pai, Giorgos, que subiu a pulso até se tornar presidente da maior siderurgia grega, lutou do lado dos comunistas na guerra civil; a sua mãe, bioquímica, era militante feminista. O pai foi preso uns tempos pela junta militar que deteve o poder na Grécia no final dos anos 60, princípio da década de 70 do século passado; o tio esteve preso vários anos. “Lembro-me de a porta ser arrombada ao pontapé pela polícia secreta”, recorda Varoufakis. À noite, a família juntava-se em segredo a ouvir a BBC, cuja emissão estava proibida.

Saiu para estudar em Inglaterra com 17 anos - ficando por lá até aos 27 - e foi-lhe difícil transmitir aos amigos britânicos o horror de viver em ditadura.
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Deve conhecer a visão popular no norte da Europa de que, por muito lamentável que seja a provação do povo grego, a sua miséria é autoinfligida. A evasão fiscal na Grécia é endémica, a política suja, a idade de reforma baixa, o sector público hiperdimensionado — e isto endurece os corações. “São grandes mentiras baseadas numa miríade de pequenas verdades”, diz Varoufakis. “A imunidade fiscal para os poderosos, a corrupção, uma oligarquia que gere tudo mal… Sim, montes de coisas mal feitas. Isso é assim desde 1827, quando o Estado grego moderno foi criado.” Mas, argumenta, o Estado grego vive dentro das suas possibilidades no que toca a salários e pensões - só está paralisado pelas dívidas. E os atuais problemas da Grécia vêm da própria entrada do país na Zona Euro: “A crise que tivemos nos últimos sete anos não teria simplesmente existido. Em 2008, teríamos tido uma pequena correção, mais ou menos como a Bulgária. E nos últimos três ou quatro anos temos crescido muito rapidamente.”
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 Os ricos não vão fugir? “É deixá-los ir”, diz Varoufakis com um gesto vago. “Eles já foram, de qualquer forma - o seu dinheiro está em Londres ou nas Ilhas Caimão. Por isso, acho que nos desenvencilhamos sem eles. O que precisamos de fazer é travar este regime que perpetua e reproduz as coisas más.”

“Destruição. Completa destruição”. (...) “Não sobraria nada; voltava tudo à Idade da Pedra. Por isso não estou preparado para realizar essa experiência de nos libertarmos do euro. Acho que temos de consertar o euro”, refere Varoufakis

Mas e quanto àqueles que dizem que a Grécia mascarou as dívidas para atingir os critérios de entrada no euro? “Acredita mesmo que os europeus são tão facilmente enganados?”, exclama. “Que lhes mentimos e nos safámos? Dizer que os governos gregos da época conseguiram mentir para entrar é simplesmente desonesto.”  “Claro” que a Grécia “não devia ter entrado no euro”, mas uma vez que a sua situação é integralmente causada por essa entrada, cabe à Europa resolver a crise resultante.
Não sente, após meses de negociações, que a Alemanha e a Grécia são simplesmente irreconciliáveis? “Sou um otimista”, diz. O que mais o desapontou nas conversações, depois de anos de universidade, é a falta de rigor e superficialidade dos debates. Dez minutos para cada, “burocratas não eleitos falam na perspetiva das suas instituições e depois passamos horas a discutir o comunicado final”.

Wolfgang Schäuble tem sido o mais firme opositor da Grécia, insistindo em medidas de austeridade, mas Varoufakis diz que o prefere a outros negociadores com duas faces. “Gosto das nossas reuniões, porque ele também chama espada a uma espada. Por isso, quando falamos, é tudo muito civilizado, cheio de respeito mútuo – discordamos, mas sei que posso acreditar no que ele me diz.”

No turbilhão de especulações sobre as intenções do Syriza, há uma teoria de que Varoufakis, que escreveu livros sobre a teoria dos jogos, está secretamente a trabalhar num plano B - a saída da Grécia do euro. Mas ele rejeita isto com veemência: “Não tenho mandato para empobrecer mais um milhão ou dois de gregos, para fazer uma experiência social, pôr quatro milhões de pessoas a viver abaixo da linha de pobreza, só para ver em quanto tempo recuperamos mais tarde”.
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O Syriza estabeleceu muitas “linhas vermelhas” nas negociações. Mas quais são as suas próprias? “Eu só não quero dar muita importância ao facto de ser político e ainda menos de ser ministro. Não vou negociar a minha integridade para manter este cargo.” Demitir-se-ia, declara, se não fosse capaz de libertar a Grécia do seu eterno ciclo empréstimo-pagamento-austeridade.

Mas avisa com ar soturno: se a Grécia for à bancarrota e deixar o euro, se o país mergulhar no passado, o governo do Syriza não será substituído pelos velhos partidos centristas que falharam, mas pela Aurora Dourada, o partido neonazi grego. “Este é um país que lutou com unhas e dentes contra os nazis. Os três países europeus que tiveram uma maior percentagem de baixas no combate aos nazis foram a Rússia, a Jugoslávia e a Grécia. Um movimento nazi indígena na Grécia é uma afronta à nossa História.” Mas a combinação da implosão económica e da humilhação nacional  – “como vocês, europeus, dizem, os gregos são um caso perdido de aldrabões do fisco e preguiçosos, não é?” – pode levá-la ao poder.

E para onde iria Varoufakis? “De volta para a universidade”, diz, encolhendo os ombros. Sente falta de ter tempo para ler e de correr na rua sem ser detido por cidadãos que querem contar-lhe as suas histórias pessoais. (Diz-me que está morto por ir ao ginásio: “Limpa-me a cabeça como mais nada”) Com a sua bela Danae, ainda come em esplanadas de Atenas sem seguranças, mesmo depois do incidente de abril em que foi cercado e ameaçado por anarquistas. Embora nos dias que correm tenha muito pouco tempo para gozar o seu pequeno barco e outros prazeres da vida. Depois de uma sessão fotográfica para a “Paris Match” de que hoje se arrepende, foi criticado por ousar comer peixe no seu terraço durante a crise. “Não sou católico - não acredito no purgatório e na autoflagelação. As pessoas dizem-me, 'Foste apanhado a beber vinho'. E daí?”

Entretanto, o telefone toca. Em Bruxelas e Berlim e Washington, banqueiros e burocratas dão voltas à cabeça para saberem como lidar com este político relutante que continua a subverter o paradigma dominante, porque ele e o seu país sentem que têm tudo a perder.
 

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2012-05-08

 

NEONAZIS GREGOS - Amanhecer Dourado - obrigam jornalistas a ficar de pé na primeira conferência de Imprensa

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2012-03-09

 

Portugal e a Grécia com muito de comum a analisar

"É de loucos que Portugal não estude as opções que a Grécia teve" afirma Mitu Gulati.

Quem é este senhor?

Se a resposta vier do campo do governo actual, este académico reputado como um dos especialistas mundiais de reestruturações de dívidas de países não passaria de um "perigoso comunista" porque aquela velha táctica de quem não tem as nossas ideias, durante 50 anos tão solidificada em Portugal com Salazar e Caetano, ainda pega.

Este académico dá uma entrevista ao DN de hoje e hoje também fala na U.Católica desdiz que não é pelo facto de um País reestruturar a dívida que fica afastado dos mercados financeiros e dá dois exemplos de sucesso. O Uruguai que voltou aos mercados menos de um ano depois de reestruturar a sua dívida e a Argentina.

Por conseguinte, mais uma vez, os defensores da não reestruturação da dívida portuguesa não têm razão em querer resolver os problemas da dívida pela austeridade que em nada resolve e o caso da Grécia ensina-nos bem isso e tentam enganar-nos com falsos argumentos como o afastamento dos mercados.

Agora que o processo de reestruturação é complexo e a exigir muitos punhos de renda e firmeza é um facto.

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2011-11-23

 

Reflexões sobre a crise na Europa... que veio por longo prazo

Natixis: Portugal e Grécia precisam de solidariedade


"O que deve ser feito com a Grécia e Portugal?" É este o título de um trabalho de análise económica do Natixis, que sublinha que as políticas correctivas aplicadas em Dublin, Paris, Madrid e Roma não funcionam em Atenas e Lisboa e que tem de se aceitar a ideia de federalismo - leia-se "solidariedade".
“Quanto maior é a espera pelo efeito das políticas correctivas de redução dos défices orçamental e externo na Irlanda, Espanha, Itália e França, maior é a dificuldade de acreditar que a Grécia e Portugal possam conseguir o mesmo”, sublinha uma nota de “research” do banco Natixis.

Segundo a análise, assinada por Patrick Artus, estes dois países têm um problema estrutural que existe há muito tempo, nomeadamente a incapacidade para equilibrarem o seu comércio externo devido à pequena dimensão do sector da exportação (mesmo incluindo os serviços ligados ao turismo e ao imobiliário). Esta situação, sublinha o estudo, levou ao endividamento privado e ao actual excessivo endividamento público.

A análise sublinha que os “remédios” propostos não são eficientes: o cancelamento de parte da dívida não evita que se acumule de imediato mais dívida; além disso, reduzir a procura interna (através de políticas orçamentais restritivas e corte de salários) de modo a eliminar a necessidade de empréstimos externos também seria, muito provavelmente, insustentável.

“A União Europeia terá de acabar por aceitar a ideia de que apoiar os Estados-membros através da transferência de rendimentos – ou seja, federalismo ou solidariedade – é a única solução”, defende Patrick Artus nesta sua análise económica.

Ao passo que se prevê que França, Espanha, Itália e Irlanda consigam reduzir ou eliminar os seus défices externos, o mesmo não se pode esperar da Grécia e de Portugal, salienta o “research” do Natixis.

“Há muito tempo que a Grécia e Portugal têm um problema com os seus défices externos e orçamentais, sendo que o problema fundamental é o do défice externo”, lê-se no estudo, que acrescenta que o défice externo surgiu nos dois países na segunda metade da década de 90 e que este se tem, tendencialmente, deteriorado desde então.

“O problema de base destes dois países é que o sector exportador (no sentido lato: indústria, turismo, serviços exportáveis) é demasiado diminuto em comparação com as suas necessidades de importação. Os excedentes no turismo ou noutros serviços estão muito longe de compensarem o défice de bens”, salienta a nota de análise.

Dado os juros pagos sobre a dívida externa, “podemos ver que a balança de transacções correntes deverá deteriorar-se tanto quanto a balança comercial”.

A condição de “periferia geográfica” destes dois países face ao centro da Zona Euro, a crónica escassez de inovação e a abundância de trabalhadores não qualificados, bem como o fraco nível de capital produtivo, não lhes permite equilibrar o comércio externo, refere o estudo.

Europa mantém "a ilusão de que a Grécia e Portugal conseguirão solucionar os seus problemas"

“Os líderes da União Europeia continuam a manter a ilusão de que a Grécia e Portugal conseguirão solucionar os seus problemas. Trata-se de uma ilusão. Os remédios apresentados não funcionam”, sublinha o autor do “research”.

Para Patrick Artus, a saída do euro por parte destes dois países e a desvalorização das suas novas moedas nacionais só iria agravar os seus problemas em matéria de défice externo. A procura interna nestes países teria de ser reduzida. “Atendendo ao peso das importações, o consumo interno teria de diminuir mais 30% na Grécia e 26% em Portugal, o que teria, obviamente, efeitos insustentáveis sobre o emprego”.

O estudo critica assim esta abordagem – como a procura nestes países supera a sua produção interna, devem reduzir essa procura para o nível da produção para eliminarem o défice externo - que tem vindo a ser sugerida pelas autoridades europeias e economistas alemães. “O custo social desta política seria inaceitável”, garante.

“Espanha, França, Itália e Irlanda têm de eliminar os seus défices excessivos e dispõem de meios para o fazerem. Mas é muito difícil imaginar que esse seja o caso na Grécia e em Portugal, atendendo à estrutura das suas economias. Os remédios habitualmente referidos (“haircut” sobre a dívida, desvalorização, melhoria da competitividade, redução da procura) não são suficientes e não permitirão que estes países se financiem”.

Qual poderá ser, então, a solução? O Natixis diz: “atendendo aos modestos requisitos para empréstimos nestes países, uma pequena dose de federalismo (solidariedade) seria suficiente para evitar uma materialização” da diminuição do poder de compra e dos subsequentes riscos políticos. “Esta é a solução usada para as regiões pobres e desindustrializadas em todos os países”, remata a análise.

Transcrito do "Jornal de Negócios"

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2011-11-03

 

G20 - a cimeira do Imprevisto

Oficialmente hoje e amanhã reúne-se o G20 em Cannes. A regulação financeira era tema, mas de forma inesperada, a Grécia veio estragar a festa a muita gente, em especial ao Sr. Sarkosy, presidente da Cimeira que se preparava para cantar loas à Cimeira da Europa recentemente havida e daí retirar alguns trunfos eleitorais.

Mas George Papandreou que, certamente, não deve ter gostado das dicas de Sarkosy no final da cimeira europeia ao dizer que a Grécia nunca deveria ter entrado no Euro, respondeu-lhe.

A Grécia está no centro do Mundo sem fazer parte do G20. Teve direito a reuniões especiais.

Vem a Srª Merkel dizer "que estabilizar o euro é mais importante que salvar a Grécia".

Mas como, se ela já provou que não sabe? Nem salva a Grécia nem o Euro.

Papandreou, talvez sem querer, terá prestado um serviço à Europa. Fazê-la primeiro tremer e talvez a faça pensar e mudar de políticas.

Os actuais Merkozy estão longe de uma Europa para os povos. Não têm estatura moral nem intelectual para liderarem essa Europa de novo estilo.

Parem com a humilhação dos povos que é o que tem vindo a acontecer em muitos países da Europa e em especial o grego e o povo português não está muito longe de idêntica humilhação. É necessária uma mudança de rumo em que o povo conte e seja a prioridade.

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2011-10-28

 

Houve perdão da dívida grega?

Falou-se e escreveu-se muito (eu escrevi...) que o perdão da dívida grega seria de 50%.

À medida que vamos dominando melhor a informação que nos chega, a realidade parece bem outra. E naquilo que resta será mesmo um perdão a sério?

Alguns dados para raciocínio.

Os empréstimos públicos recebidos pela Grécia do FMI e UE somados aos títulos do tesouro comprados pelo BCE correspondem a 30% da dívida grega. Ora, o "perdão", assim, só incide sobre os restantes 70%, ou seja, 35%, uma vez que os montantes (FMI+BCE+UE) não entram.

Segundo aspecto, estamos de facto perante um "perdão"?

O mecanismo do perdão consiste no seguinte, segundo entendi. Os bancos credores vão trocar os títulos da dívida grega que valem zero por títulos a 30 anos, cujo reembolso é garantido nessa data pelo FEEF e, durante estes 30 anos, esses bancos recebem um juro anual pelos respectivos montantes "perdoados".

Ao fim e ao cabo o perdão é pago pelo povo grego transformando-se num bom negócio.

Tanto alarido para uma solução destas da Cimeira!!.

Esta matéria merece análise aprofundada. Quem saiu beneficiado: a Grécia ou os bancos?!

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2011-10-19

 

hoje no talho

Cheguei ao talho logo pela manhã e na Televisão estava o Ministro da Economia a falar da energia e das taxas.

Os talhantes comentavam entre si, com um certo gozo, o que dizia o Álvaro, dizendo: este é que a sabe toda, deixou a ciência lá pelo Canadá, nunca geriu nem uma cantina, anda o prometer tudo e o seu contrário, (ouviram o que ele disse em Viseu, a minha terra) mas não faz nada como governante. Assim é porreiro. Pelo menos, dizia um, aqui tenho de saber cortar a carne senão os clientes vão-se para outro talho

A conversa foi animando, entrei nela, pois não estava mais ninguém era cedo e falou-se da Grécia e a conclusão dos talhantes foi esta: os gregos é que a sabem toda. O povo até está a dar uma grande ajuda ao Governo indo para a rua. Assustaram tanto a Europa que lhes vai perdoar 50% da dívida.

Se o povo português agir como os gregos, também ainda nos pagam e isto depois volta tudo ao mesmo.

Enfim, se esta ideia pega, a rua vai ser um sucesso!!

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2011-09-27

 

Se a Grécia entrar en défaut ...

Cada vez mais a Grécia apresenta sintomas de não poder reembolsar os seus credores e os juros devidos.

Se esta situação se verificar que impactos terá em Portugal?

Muitos. Quais? Não sei ver toda a dimensão. Mas uma é certa. Pela orientação deste Governo e da política da União, de certeza, o poder de compra da população portuguesa irá ser ainda mais reduzido: mais impostos, subidas de preços e cortes nos salários e subsídios.

Tem razão o Ministro das Finanças quando afirma que anos mais difíceis virão ainda para os portugueses, pois as medidas do governo não vão no sentido de superar a crise. Sem crescer, a economia portuguesa não sai do buraco em que caiu.

Mas convém olhar um pouco mais longe.

A União Europeia não vai ficar imune. A União, no seu conjunto, vai ficar muito debilitada. Vai perder peso político e económico mundial rapidamente. Até Obama já veio mostrar grande apreensão pela situação na Europa.

Até a Alemanha, apesar de não ter rasgos para propor medidas de fundo que façam a Europa sair do pântano em que se atolou, não tem interesse numa Europa frágil, sem peso, nem que se inicie a desagregação da Europa, pois perde posição Global. De país grande e dominador num ajuntamento de Países, caso a Europa se desagregue, passa a ser um país como muitos outros e com perda de influência e de mercados.

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2011-06-25

 

A situação preocupante na Grécia





A comunicação social está a divulgar desde ontem que o Conselho da Europa não poderia ter corrido melhor para Portugal.

Que a estreia de Passos Coelho foi um êxito, certamente porque não apostou na presença de nenhum nobre companheiro.

Tudo vai correr às mil maravilhas!!.

O Governo antecipa cortes no Estado (três meses e teremos identificados os organismos públicos a extinguir - o problema é extingui-los) e as privatizações a avançar de forma célere.

Passos Coelho vai ter a hipótese de reprogramar os fundos comunitários, mas foi pena que nem uma ideiazinha avançasse sobre o que fará com essa reprogramação, ou seja, que linhas de condução lhe servirão de suporte: Projectos de exportação? De substituição de importações? Que projectos agrícolas tanto do agrado do seu parceiro de governo e agora do recém convertido à agricultura Presidente Cavaco Silva vai incentivar? Que apoios ao turismo e ao mar? À construção e reparação naval que anteriores governos do PSD desmantelaram ou então não souberam enquadrar numa política ampla de desenvolvimento? etc, etc.

Só se pedia uma luzinha, tanto mais que o programa de governo certamente deverá trazer indicações precisas dessa reprogramação.

Mas ao lado destas considerações sobre o que se espera do nosso país, junto um dos quatro cenários apontados hoje no DN, trabalho de Eduarda Frommhold (com algum humor negro) com base num outro trabalho de Harvard, para que se possa ir formando uma visão mais precisa das consequências inevitáveis para um país que abandone o euro ou seja forçado a tal, ou mais grave se o euro "explodisse", o que não está fora de hipótese, caso a UE não encontre saída para conter a crise e fazer a UE ressurgir do atoleiro em que se precipitou.

Não é com as medidas de orientação até à data tomadas que a Europa ressurgirá.

(clicar sobre a foto para ampliar)



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