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2004-06-30

 

Protesto contra a RTP

A que título tenho ainda de ver e ouvir O JMB, no final do jogo que Portugal ganhou e bem, na qualidade de PM?

JMB já não o é de facto.. Protesto. Ainda tive de ouvi-lo a fazer campanha de si próprio.

Falta de decência no mínimo da RTP e do próprio.
 

Estamos a envelhecer de facto. E, em espírito?

Um estudo da demografia recente, realizado pelo INE para o horizonte 2050, conclui que Portugal está em processo de envelhecimento acelerado.

A última informação disponibilizada sobre a população estrangeira, legalmente a residir em Portugal, diz-nos que, em 2003, se registou a menor taxa de crescimento desde 1998.

A emigração portuguesa tem apresentado uma tendência ligeira para aumentar, nas suas duas componentes: temporária e permanente, embora seja a temporária a mais significativa.

Estamos integrados no espaço comunitário europeu que, segundo a revista The Economist, disfruta de uma "situação de desconforto" nesta matéria, a nível mundial. "Hoje", a idade média dos americanos é de 35.5 anos e a dos europeus é de 37.7.

A questão de fundo não é a situação comparativa de hoje, mas o amanhã (2050),- um envelhecimento a passos largos - porque, mantendo-se as tendências actuais, a idade média nos EUA será, em 2050, de 36.2 anos contra uma Europa de 52.7 anos, com consequências radicais no campo económico. Hoje, as economias EUA e UE têm sensivelmente a mesma dimensão em termos de PIB mundial, mas em 2050, a confirmarem-se estas projecções demográficas, os EUA terão uma dimensão económica equivalente ao dobro da Europa.

Estas tendências não nos podem deixar tranquilos. E são questões como estas que precisam de uma resposta estratégica dos responsáveis políticos deste País. A redinamização da Estratégia de Lisboa, devidamente ajustada face ao tempo já perdido, seria certamente um bom indicador no pensar do Futuro
 

A questão mais importante

A manifestação realizada ontém ao fim da tarde em frente ao Palácio de Belém para recusar a hipótese Santana Lopes para primeiro ministro e defender a realização de eleições antecipadas foi das mais inovadoras e estimulantes, em termos de palavras de ordem, em que, desde há muito tempo, tenho participado. Provavelmente, tal facto ficou a dever-se à juventude da larga maioria dos participantes e ao seu saudável espírito irreverente e criativo.
No entanto, do ponto de vista político, parece-me que enfatizar, como faziam muitas palavras de ordem, a recusa de Santana Lopes como primeiro ministro não é o mais importante neste momento.
A questão que neste momento mais nos deve preocupar não é a do nome que o PSD possa indicar para primeiro ministro, mas sim a da possibilidade de o PSD poder voltar a indicar qualquer nome, depois do seu líder ter irresponsavelmente abandonado o País e aberto uma profunda crise política, sem que, primeiro, seja dada aos portugueses a oportunidade de avaliar a situação e decidir quem deve assumir o futuro Governo.

 

Honra ou provocação?

Esta opinião da direita que a ida de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia é uma grande honra para Portugal e um serviço prestado ao País é uma grande tanga.
Como é que a escolha, em terceira ou quarta mão, do portugês mais responsável pela estrondosa derrota infligida ao seu partido pela maioria dos portugueses, precisamente nas recentes eleições europeias, pode ser honroso para Portugal?
Eu diria que era quase uma provocação!
 

Ficções Políticas V



Então, parece que o DB (call me just José Manuel Barroso) vai mesmo para Presidente da Comissão. Estão certos disso? É assim tão evidente, apesar do ar fatalista que as coisas tomaram? O 1º Ministro ainda nem sequer apresentou a demissão ao PR!... Mesmo assim? Devemos embarcar já nesse “cenário”? Bom. Há gente para tudo!

Para o jogo de amanhã, com a Holanda, deveremos então trajar de “vermelho bandeira” ou de “verde”. Isto não começa a parecer-se perigosamente com uniformes para exaltar as “nossas” cores contra os “laranjas”? Mas que coincidência irónica!...

Figo disse ontem que nem Deus (estaria a referir-se a Jesus Cristo?) conseguiu que todos gostassem dele. Ena, ena. Então os jogadores da selecção portuguesa tornaram-se assim tão modestos à beira das meias-finais? Com quem se irão comparar então se, porventura, chegarem à final? Com o DB (please call me José Manuel Barroso and forget Durão). Também acho...

Quanto ao comentário do anónimo engraçadinho que pergunta se estamos atacados por algum acesso de melancolia por (eu e o João Abel) termos prestado a nossa homenagem poética ao António Gedeão, respondo - por mim, é claro - que graças à liberdade poética, as “Ficções Políticas” terão forçosamente de continuar contra quaisquer realismos políticos.

Como dizia há anos um vice-presidente do PPD/PSD (cujo nome não me ocorre... Mas não é por mal. Daqui a pouco, lembro-me e revelo-o...) “É dos livros!”

Também Sá Carneiro dizia que, acima do partido, estava a democracia e, acima da democracia, estava Portugal. DB (call me José Manuel Barroso and forget Durão) descobriu que acima de Portugal está a Comissão Europeia. Não se trata de uma fuga, como sustentam o Raimundo Narciso e alguns dos seus acólitos de blog. Coitados. Não atingem que DB desenvolveu teoricamente a escadinha de Sá Carneiro. Agora, acima de tudo, está o... “interesse nacional”. Ele lá sabe do que fala!

2004-06-29

 

A Catedral de Burgos



A catedral de Burgos tem trinta metros de altura
e as pupilas dos meus olhos dois milímetros de abertura.

Olha a catedral de Burgos com trinta metros de altura!





António Gedeão

do livro "Linhas de força"

 

Poema de António Gedeão

In Poemas Escolhidos

Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê Moinhos? São moinhos
Vê Gigantes? São gigantes.



 

Portugal, o País da OCDE com pior desempenho na captação de IDE

Segundo dados da OCDE, divulgados ontem, os investidores estrangeiros apenas colocaram em Portugal, no ano de 2003, cerca de 820 milhões de euros contra 1,5 mil milhões em 2002. Embora o investimento seja uma daquelas variáveis com um certo comportamento errático, queda tão pesada (44%) não pode deixar de ser muito preocupante para a economia de um país.

O País precisa de atrair investimento directo estrangeiro para estancar o definhamento do seu aparelho produtivo designadamente o sector industrial e para o fomento de serviços de valor acrescentado em que Portugal é "pobre", precisa de criar condições para que o investimento de origem nacional seja dinamizado e de uma estratégia coerente, que articule estas diferentes componentes do investimento.

O país precisa daquele tipo de investimento que se designa de estruturante, ou seja, daquele investimento que se reproduz no tecido económico, daquele tipo de investimento que induz conhecimento a nível da tecnologia, da inovação, da organização, dos mercados, daquele tipo de investimento que absorve quadros de elevada qualificação e nesta dinâmica "desperta" essa mesma formação, articulando-se com o ensino universitário e ajustando-o.

Não é a criação de uma API "com pompa e circunstância" que muda a situação. Bem, pelo contrário, o lançamento de novos organismos podem constituir-se em mais um entrave, se lhe faltar essa tal estratégia de fundo.

Mas indo um pouco atrás às causas de tão grande mau desempenho pode considerar-se que se trata de uma situação conjuntural, uma vez que se registou um refluxo do IDE em todo o mundo no ano de 2003. Não admitir que este comportamento tem algum impacto seria incorrecto.

Mas a realidade profunda nacional não me parece ser essa. A não captação de IDE tornou-se estrutural, porque o país não criou as condições de atração, apesar de algumas iniciativas promissoras mas descoordenadas como os CFE- centros de formalidades de emepresas, as lojas do cidadão. Só que tudo isto caiu rapidamente na rotina e Portugal continua a dispor das piores condições de tratamento e acolhimento do IDE e do investimento português porque nada se leva até ao fim "com conta, peso e medida". Olhemos para a justiça deste país na perspectiva empresarial...não há termos para descrever: Um simples acto como um não pagamento arrasta-se anos e anos nos tribunais. Constituir uma empresa continua a ser um calvário...Os outros países agilizaram-se e assentam nesta celeridade um dos seus trunfos de competitividade. A vizinha Espanha é em alguns destes segmentos um excelente exemplo de mudança.

O País está em perda no "agarrar" das oportunidades e o actual governo, apesar da grande demagogia de reformas que foi anunciando, deu um contributo decisivo para esta situação, até pela desestruturação que lançou em muitos sectores, aumentando a burocracia e paralizando Ministérios. O da Economia é paradigmático, apesar do muito dinheiro dado a consultores para discernir a sua "reforma", paralisou-o

Precisa-se de uma nova política económica em que o rigor orçamental seja uma componente mas não o objectivo determinante: é preciso criar condições de desenvolvimento que crie riqueza e que essa riqueza se distribua de forma justa.

 

Queremos eleições antecipadas

Face ao agravamento da situação económica e social do País e à crise de confiança e autoestima dos portugueses, criados pela actuação do governo de Durão Barroso, acolitado por Paulo Portas, nos últimos dois anos, e face à estrondosa derrota do PSD e do CDS nas últimas eleições europeias, o primeiro ministro resolveu desertar e deitar o País às malvas.
Compreende-se a ideia: perante o cenário de mais quase dois anos de governação sem honra nem glória, optou pela alternativa de poder disfrutar de um mandato de cinco anos longe dos problemas que criou.
Fugir assim aos compromissos assumidos com o povo portugês é uma atitude muito irresponsável, aliás partilhada pelo PSD e pelo CDS que aprovaram a deserção, e que agora querem evitar, a todo o custo, que o povo português se pronuncie sobre o seu comportamento.
Vai o Presidente da República fazer-lhes a vontade e co-responsabilizar-se pelas consequências, quando a maioria dos portugueses reclama por eleições antecipadas?


 

ACEITAMOS UM PAÍS DE FANTASIA ?

O que me espantou na 6ª feira não foi ver certo pessoal dos media e comentaristas de serviço a vender a banha da cobra da importância e da honra para o país que era Durão Barroso aceitar ir para a Comissão. O que me espantou foi alguma outra boa gente dos jornais deixar-se ir no despautério.
O Zé povinho é que se calhar não se deixou enganar como se pode ver aqui.
A Fuga do 1º Ministro, particularmente no contexto que vem desde o início do seu Governo, é uma decisão tão irresponsável, tão destituida de ética, que ninguém de bom senso admitia como possível. No PSD como na oposição.
Honra para Portugal? Alguém admite tal honra na França, na Espanha, na Holanda? Algum dos outros 1º M em exercício convidado aceitou? Alguma vez algum 1ºM aceitou? Por isso com toda a razão o Ivan Nunes - mesmo a banhos na Praia - dizia:
Que esse dirigente político, por menor que ele seja, ache que pode de facto concretizar o devaneio, é bastante espantoso. Que isso seja tolerado, saudado e até aceite como moeda de troca para não convocar eleições por uma parte do país e pelo Presidente da República, é verdadeiramente inaudito. Será pago nas urnas, severamente, em 2005 e em 2006 (duas vezes); mas o nível de desprezo que vai propiciar, pela classe política em geral, conhecerá mais um valente impulso.

Aí temos a crise. Já está tudo parado. O Governo. A Assembleia da República. E vamos ver como é que ela sobejará para a economia.
Não é possível deixar tratar isto como um assunto interno do PSD. Não vejo nenhuma boa solução que não passe por eleições. Talvez Jorge Sampaio descubra. Qualquer Governo dirigido por quem
não foi a votos é um governo fraco, provavelmente sem fôlego para dois anos e, na realidade, percebido pelos eleitores em geral como um logro democrático.
Então se for um Governo de Fantasia ao estilo de Pedro Santana Lopes então seremos mesmo um perigoso País de Fantasia.

2004-06-28

 

Ficção política IV



Com a ajuda dos media (mass, sms, blogs e até face a face) temos estado a discutir a eventualidade da ida de Durão Barroso para Presidente da CE, sabendo que se trata ainda de um cenário, de uma possibilidade entre outras.
As motivações dos intervenientes na discussão são diferentes - uns facilitam a aceitabilidade do cenário P. Santana Lopes em 1º Ministro enquanto outros (e são mais do que eu poderia supor) acham a solução abstrusa. De um modo ou de outro, todos concorremos para criar a impressão de que o “cenário” se está a objectivar. Há quem pense, mesmo, que os dados já estão lançados e não nos resta senão assistir "desportivamente" à sua realização.

A Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais e o Sindicato Nacional dos mesmos, por exemplo, com base no cenário de que vimos falando ficcionalmente, desconvocou uma greve marcada para a próxima sexta-feira

Bombeiros profissionais desconvocam manifestação e greve de sexta-feira (28/06 | 18:52)

“devido ao novo cenário político criado com a eventual nomeação do Primeiro Ministro para a presidência da Comissão Europeia”, dizem em comunicado, acrescentando que, por isso, não consideram o momento oportuno. Isto é, face ao virtual, o “real” rende-se.

Acerca desta tendência de os humanos considerarem que os resultados dos seus trabalhos e congeminações ganham vida própria - uma certa autonomia - li há pouco uma excelente colecção de ensaios que tratam entre outras coisas, desta. O livro chama-se “Dilemas da Civilização Tecnológica” (Lisboa, ICS, 2003) e o ensaio que me ocorreu, da autoria de José Luis Garcia, intitula-se “Sobre as origens da crítica da tecnologia na teoria social. A visão pioneira e negligenciada da autonomia da tecnologia de Georg Simmel”. Vale a pena ler.

Gostei dos comentários de J. Ferreira e A. Madeira às Ficções Políticas III. Vou aceitar a sugestão e visitar quanto antes os nossos colegas da Causa Nossa.

 

Ficção política III



1. Antes de mais, obrigado ao Raimundo Narciso, ao J. Ferreira e ao Filinto, a muitos anónimos e à acutilância dos seus comentários em relação às Ficções I e II. Houve também quem dissesse, à boca pequena, que este estilo de ensaísmo humorista degrada a política, mas como se trata de ficções, digamos que essa não será a única coisa que fica por provar...

2. Fizeram-me chegar, também, algumas questões que vão de encontro ao cerne destas ficções :

a) como poderia a Comissão aceitar um derrotado (com a maior derrota eleitoral portuguesa de sempre) das Eleições Europeias? Poderia um líder europeu sobreviver a tal défice de legitimidade?

b) como poderia o PR deixar de dissolver a AR se, para além da acintosa e paranóica contabilidade eleitoral que o CDS/PP exibe para irritar o PPD/PSD, Manuela Ferreira Leite fala de “golpe de Estado”, Marques Mendes manifesta-se contra um 1º ministro “escolhido na secretaria”, e o conjunto (incluindo o nosso colega do Abrupto e Marcelo Rebelo de Sousa) adverte que um Congresso extraordinário do PPD/PSD para eleger o novo líder nunca deveria ter lugar após a escolha do 1º Ministro substituto, sob pena de se tornar num rito aclamatório?

3. Por não ter nada a oferecer à Comissão Europeia nem poder garantir, de qualquer modo, estabilidade política, Durão Barroso terá de ficar. O modo inflamado e patriótico com que o fará amanhã, depois de receber as últimas informações das distritais do seu partido, é que constituirá o próximo “facto político”. Poderá não ter substância, mas será muito provavelmente uma boa jogada.

Se assim for, prosseguirão as ficções políticas. Se não, então, vamos para eleições antecipadas. Há quem diga que o PS não as quer, apesar de afirmar o contrário. Porém a coligação de direita, além de não as querer, teme-as. Necessita de um 2º ciclo governativo (o do bacalhau a pataco) para fazer as pazes com alguns sectores do eleitorado.

2004-06-27

 

Ficção política II



Volte face na próxima cimeira: Durão Barroso compreende finalmente o que esperam dele: menor múltiplo comum entronizado para dar a impressão que a CE tem um Presidente e não são as negociações entre os maiores de cada eixo que controlam, de facto, a condução das coisas.

Ter de aturar George W. Bush a insistir, todos os dias, que a Turquia deve entrar quanto antes na UE.

Um horror!

No plano interno, de resto, que garantia de estabilidade pode DB oferecer ao PR no imediato? O resultado da próxima reunião da Comissão Nacional do PPD/PSD? A moção e o líder aprovados no próximo Congresso Extraordinário?

Ao arrepio do que parece óbvio, inelutável, sem retorno, Durão Barroso ficará. A ida dele para a Presidência da Comissão não seria boa solução para ninguém..., nem mesmo para Santana Lopes...


 

Ficção política I



Valeu a pena ver a Quadratura do Círculo na SIC-Notícias que foi para o ar esta madrugada. O Pacheco Pereira a explicar que um líder de compromisso entre os eixos (anglo-americano e franco-alemão) só poderia ser um líder fraco, com uma reduzidíssima margem de manobra; o Lobo Xavier a reprovar que alguém na situação do DB deixasse o trabalho a meio mandato; e o Zé Magalhães a não acreditar, de todo, que o DB vá para Bruxelas.

É claro que eles gravaram a conversa na sexta-feira, antes da zizânia que se instalou e quase disputava a cobertura ubíqua do EURO nas televisões; antes do Marques Mendes ter respingado; antes do Marcelo Rebelo de Sousa ter esclarecido que qualquer solução será um "mal menor"...

Agora, imaginem que DB recusava o lugar e declarava publicamente sacrificar-se para cumprir o mandato de acordo com o prometido aos portugueses. Lendo o post de ontem sobre o “pundunor” que o Raimundo Narciso aqui deixou com a sua criatividade habitual, DB terá, impressionadíssimo, tomado uma decisão final:

“Não vou. Torno-me um heroi nacional, ganho novo fôlego para remodelar e passar ao ciclo do bacalhau a pataco com os olhos em 2006.”

Vai uma aposta?

Para que nível deslizará então o debate político em Portugal?

 

Eleições antecipadas é o mal menor.

Poderá haver alternativa séria? Politicamente sustentável?
Do ponto de vista Constitucional sabe-se que há. Até com Santana Lopes, com Alberto João Jardim ou mesmo com o major Valentim Loureiro se houver rapidez em apagar os milhares de horas de escutas gravadas. Mas com a fuga do 1ºM, acossado por uma derrota eleitoral devastadora não me parece salutar um governo apoiado nesta coligação dirigido por quem não se submeteu ao sufrágio para o exercício das funções de chefe do Governo. E se quem se perfila para o cargo é um populista hábil então pior ainda.
Ora, ao contrário do que parece, quem decide em definitivo sobre quem chefiará o Governo é o PR e não os serviços de imprensa dos putativos candidatos mesmo que com a colaboração diligente de boa parte da comunicação social.
O PS pode considerar que o momento não é azado. Por várias razões. Desde a inexistência de um projecto para o país preparado com tempo até aos problemas internos de disputa de liderança. O PSD enfrentará problemas não menos complexos nos cenários à vista.
Estarão a ser feitos muitos cálculos nos partidos da coligação e no PS mas isso não deveria ser fundamento para soluções pouco claras. Para grandes problemas eu aposto na capacidade para se encontrarem grandes soluções. Por isso apesar de todos os inconvenientes estou por eleições antecipadas.

2004-06-26

 

Sem Pundonor

Durão Barroso é o 1ºM de Portugal. E o que diz e promete deveria ter mais valor que o valor de um escárnio.
Pediu sacrifícios para que melhores dias pudessem vir. Prometeu não recuar perante as dificuldades para vencer a crise que por erro e sectarismo político agravou. Prometeu lutar até ao fim da legislatura para que não fossem vãos os sacrifícios que pedia e impunha. E agora, com o barco da governação encalhado, oferecem-lhe uma boia, abandona o barco e quem nele está?
Sem réstia de pundonor!
 

Trocar Lisboa por Bruxelas

Deve ser aliciante, em termos pessoais, para um homem com ambição de percurso político, trocar Lisboa por Bruxelas até porque deixa para trás uma série de imbróglios onde a remodelação governamental pesava muito. Por outro lado, deixa de ter de se preocupar com o pagar da factura aos autarcas sem entrar em colisão frontal com a Drª Ferreira Leite. Esta é uma parte da questão.

A outra e, certamente vai ser a muito invocada, é que a aceitação do cargo de Presidente da Comissão dá alguma projecção externa a Portugal, designadamente se desempenhar bem as funções. E como tudo é relativo, tendo em conta os desempenhos imediatamente anteriores a fasquia não está, assim, tão alta.

Resta-nos agora a situação nacional e a recolha dos cacos.

Bem aqui Jorge Sampaio tem a última palavra a dizer.Mas francamente não me choca que ele não vá para eleições antecipadas. Acho que a factura desta governação só deve ser acertada em 2006.

2004-06-25

 

O Primeiro Ministro Fugiu

Se Durão Barroso tem vencido as eleições fugia para Bruxelas? Se Durão mesmo perdendo as eleições tivesse um projecto para Portugal teria desertado? Se Durão acreditasse que o 1º Ministro e o Governo que ele dirige tem qualquer plano para levantar Portugal teria claudicado?
O 1º Ministro passou meio mandato a justificar o desastre da economia, o desemprego galopante, o aperto do cinto dos Portugueses e a falência de milhares de empresas com o falso anúncio de que recebeu um país de tanga. Desbragadamente acusava o seu antecessor de ter fugido. E Durão Barroso que faz? Foge!
 

O Referendo da CE

A população portuguesa, como na esmagadora maioria dos outros estados membros, sente-se distante do processo de construção da Europa e maior prova não podia haver do que a resposta dada pelo grau de abstenção, nas últimas eleições.

A "culpa não pode morrer solteira" e temos de atribuir responsabilidades aos nossos políticos por esta situação, decorrente da falta de informação e clareza e de alguma "manha" com que nos falam da Europa, dos seus objectivos e pela não prestação de contas pela condução na defesa dos interesses nacionais em Bruxelas.

Independentemente de cada estado membro vir a seguir o seu próprio processo de aprovação da Constituição Europeia, em Portugal parece estar a reunir-se consenso para a realização de Referendo nos inícios de 2005.É um passo importante esta unanimidade "aparente". Muita água vai correr. Mas aguardemos e que o referendo se realize mesmo

Duas fases importantes na preparação do Referendo para que ele possa ser uma peça na conciliação do País com Bruxelas.

Uma divulgação massiva do teor da Constituição, com debates e programas diversos, muitos deles televisos, em todos os canais. Esta fase deveria ser conduzida por entidades não partidárias e vemos aqui um papel relevante para a Presidência da República, aliás, como já antes defendemos.

Numa outra fase ou num outro plano ficam as campanhas partidárias e também aqui seria óptimo que fosse feito trabalho de casa. Com isto, apenas isto: os partidos devem dizer o que defendem para a Europa ou que Europa defendem, em que se diferenciam, a sua posição face a esta Constituição e o que traz esta Constuição para o modelo sócio económico que querem ver implantado no espaço comunitário.

Sem este debate prévio, amplo e participado, sem uma questão muita clara e simples no Referendo, o Referendo limita-se-á a ser mais "um acto europeu" (sem ser sentido pela população) e corre o risco dos não 50%.

2004-06-24

 

Há sinais de recuperação económica?

Eu não quero, neste domínio, entrar em grandes polémicas. É melhor ficar pelos factos e quanto a isso duas notas. Primeira, fazer a leitura da informação estatística disponibilizada pelo INE na base da teoria económica, é um exercício útil de compreensão da realidade. Como segunda nota, a teoria económica não deve ser "moldada" consoante as circunstâncias.

Tendo em atenção estes dois pressupostos, segundo as contas nacionais trimestrais, recentemente divulgadas, a situação económica é a seguinte: o PIB no 1º. trimestre de 2004 cresceu de 0.1% comparando com igual trimestre de 2003 e de 0.6% relativamente ao trimestre anterior, ou seja, o 4º. trimestre de 2003. Atendendo ao valor das taxas de variação, não é muito possível ir além da constatação de uma paragem do trajecto recessivo da economia.

Quanto aos "sinais" de retoma, é preciso ser prudente. Primeiro e como aqui já foi referido, a evolução constatada tem por suporte a procura interna, ou seja, a economia "estancou" a sua fase descendente de crescimento no primeiro trimestre motivado pelo aumento do consumo privado e do investimento, mas com o contributo negativo da procura externa, nomeadamente porque as exportações acusaram desaceleração. Por outro lado, as importações aceleram exactamente porque a produção nacional não mostrou capacidade para responder a uma melhor performance do consumo nacional

Ora, uma recuperação segundo estes parâmetros significa entrar numa situação de crescimento "perverso", porque se o motor dinamizador do crescimento económico fôr a procura interna, a sua satisfação exige recurso a importações com os consequentes desequilíbrios económicos.

Estamos, assim, perante uma situação complexa em que a oferta de bens e serviços portugueses se debate com dificuldades em dar resposta a solicitações externas, por razões várias, qualidade, preço, design, tudo isto agravado pelo nosso posicionamento muito fragilizado ao longo cadeia de valor.

No entanto, já se vê muita gente e instituições a dizer: a retoma está aí...

Espero francamente, para bem de todos nós, que a situação se altere depressa.

2004-06-23

 

A Grande Festa Pagã

A festa do Causa Nossa, como diria o meu amigo, ex-coimbrão, Tó Almeida, foi um êxito.
É gratificante ver como pessoas que não se conhecem de lado nenhum podem estreitar laços, criar relações de agradável convívio e até de amizade tendo como ténue (ou forte?) elo de ligação a pertença à comunidade bloguística.
Aqui e ali, era bem visível, surgiam movimentos de atrevimento convivencial, raros no temperamento dominante dos portugueses. Ouça lá, você é aquele do blogue X? Não, não tenho blogue, que pena! Lamentava-se o interpelado receoso de assim sem blog não poder disfrutar daquele convívio a desabrochar. Ah, deixe lá, então você quem é?
Mesmo sem blog a coisa compunha-se.
Os Causa Nossa estiveram como era expectável no centro das atenções e no centro da...animação. No desempenho exemplar das tarefas de anfitriões e em especial na distribuição dos prémios. ver aqui e aqui

Apostilhas das Terças ;-)
1)Fiquei a conhecer o Luís Filipe Borges. Vejam como os palpites podem sair furados. Esperava um Causa Nossa de 45 a 50 anos, de bigode e ar sizudo, qual não foi a minha surpresa ao ver aquele jovem muito jovial que afinal viria a ser a estrela da noite, um verdadeiro entertainer.
2)Fiquei a conhecer o Paulo Querido - só de vista, pois saí a seguir aos prémios e já não deu para meter conversa - essa estrela de primeira grandeza da Internet(!!) e não apenas dos blogs, cujo Weblog, em tempos, José Magalhães me recomendara. A única decepção foi a não presença de Pacheco Pereira, Francisco José Viegas (que Paulo Querido informa no seu post de hoje estarem no estrangeiro) e do laureado Pedro Mexia.
3)Parabéns aos Causa Nossa e ao Mais Velho Vital Moreira.
4)Recemos emails de leitores do Memórias do Presente sobre o Causa Nossa. Podem ler aqui

2004-06-22

 

Todos à Grande Festa do Solstício de Verão

orq Posted by Hello
orq

A equipa do Puxapalavra agradece o convite do Causa Nossa para a GRANDE FESTA DO SOLSTÍCIO DE VERÃO, no LUX, logo às 22h e promete lá estar em peso. Como prova de amizade e apreço oferecemos ao Causa Nossa na pessoa da Maria Manuel este ramo de orquídeas, o melhor que encontrámos na florista.

2004-06-21

 

O Paraíso e o Poder

É um pequeno/grande livro de Robert Kagan com o subtítulo "a América e a Europa na Nova Ordem Mundial", editado pela Gradiva e que começa da seguinte forma: "é chegada a altura de parar de fingir que os europeus e os americanos partilham uma visão do mundo ou até que ocupam o mesmo mundo. Na importantíssima questão do poder - a eficácia do poder, a moralidade do poder, a desejabilidade do poder - as perspectivas norte-americanas e europeias estão a tomar direcções divergentes".

Mas quem é este autor?

É um reputadíssimo estudioso da política externa dos EUA, com obra publicada e, assina uma coluna mensal no Washington Post. Este livro é o desenvolvimento de um ensaio publicado no Policy Review e que provocou uma tempestade nos círculos internacionais.

Este pequeno/grande livro, de apenas 110 pgs, merece uma leitura porque, para além da abordagem do tema da política externa dos EUA nas suas relações com o Mundo e, designadamente com a Europa, tem elementos de reflexão preciosos sobre uma questão de fundo estruturante. Podem os EUA, em questões de estratégia mundial, desligar-se da Europa? E, em sentido inverso, pode a Europa alhear-se das posições dos EUA e ter projecto próprio? E que implicações?
 

Já se discute a ratificação da Constituição Europeia

Lendo a imprensa europeia, o processo de ratificação da Constituição é um tema quente.

Em França, o presidente Chirac entende que o processo de ratificação deve, no mínimo, levar um ano, sem se pronunciar, porém, pela via a escolher: Parlamento ou Referendo.

Há vozes de grande peso na defesa do Referendo como Delors, ex- Presidente da Comissão Europeia, figura altamente prestigiada, para além de movimentos de cidadãos e de alguns partidos políticos. Delors aproveitou ainda para tocar num ponto, "comentado em surdina", que é a posição de "desalinhamento" do Reino Unido em quase tudo o que é o processo europeu, dizendo que está a chegar o tempo de se questionar o RU se quer ou não "estar".

No Reino Unido, a situação é complicada. Há um movimento de eurocépticos forte, há a fragilidade de Blair, ainda na sequência da guerra do Iraque, há o seu complexo e alinhamento com tudo o que é EUA. Daí que este processo vá ter um percurso longo e complexo, onde o tema posto por Delors poderá aparecer.
mas Blair tem interesse em não deixar cair a questão.

Em toda esta movimentação em prol do processo da ratificação, estão a evidenciar-se duas questões de fundo, sentidas, que, se bem conduzidas, podem ajudar a conciliar os europeus com a "EUROPA" que se quer construir: o método de debate e a via de ratificação que, em minha opinião, deve ser a via referendo.

É bom que por cá não nos atrasemos. Acho que os órgãos de comunicação não se podem alhear deste processo.

2004-06-20

 

NUNO ÁLVARES

 Posted by Hello

O dia estava bom. Soalheiro na conta certa. Saí naquele estado d'alma domingueiro de não fazer nada e direito a consciência tranquila. Era cedo e o país ainda estava em paz só a ganhar balanço para a tardinha. Para a mobilização total. Foi assim, distraído, que entrei no café do Sr. Caetano mesmo ao lado da minha casa.
Então hoje compraste a Bola? Era o meu vizinho do 6º com quem ponho a semana em dia. Alarmei-me. Eu que de bola só gosto de ver e jogar. Jogar é como quem diz, gostava. Eu que não alinhei em bandeirinhas nem na loucura geral, estava agora ali mesmo descansado a sentar-me à bica e então não compro por engano a Bola em vez do Público?
Estava neste susto quando um olhar mais inquiridor ao jornal me fez perceber que o meu vizinho estava a bromear.
É a Bola, é a Bola!! Abre lá o jornal!!! E apontava o dedo acusador. Abre, abre!Comecei acontar. 1ª página futebol, 2ª futebol, 3ª também, e 4ª e 5ª e 6ª e 7ª e 8ª só parei na 16ª.
Foste roubado em 15 páginas!!! Gritava-me ele mais do que me esclarecia.
Com o tempo fui deixando de ser tão radical e não rasguei as páginas do jornal como ele fez à frente de toda a gente.
Afinal temos que estar com o povo e não armar em elitistas. Procurava acalmá-lo.
Ele não se conformava. É a paranoia geral! Está tudo doido!! Terceiro-mundismo!!! O bom e o bonito foi quando o Sr Caetano ligou a televisão e deu futebol. Pediu para mudar de canal. O dono da televisão de má catadura - que o que ele queria mesmo era as notícias que interessavam - lá ia mudando, seguro de que não haveria estação que tivesse virado costas à pátria.
Só havia futebol. Então o meu vizinho do 6º andar disparou porta fora. Sem um até logo nem um bom dia nem nada.
À tarde espreitei o café. A mobilização popular ia num crescendo que maravilhava. Cervejinha, caracóis... que a vizinhança não é muito dada a lagosta, lavagante, gambas e outras estravagâncias. Voltei pela tardinha. O povão atingira o climax. Os gritos do café suplantavam os gritos da televisão. Novos e velhos, senhoras de meia idade e até umas miudas muito interessantes mas em que só reparo muito disfarsadamente, riam, berravam abraçavam-se, ralhavam para de novo rir e logo gritar. Uma coisa que dava gosto ver. A mobilização de energias era total. Retesavam-se músculos, contraíam-se testas, afinava-se o patriotismo, invocava-se S. Jorge (nosso padroeiro de todas as batalhas desde que deixámos Santiago, a partir da primeira dinastia, só para os Castelhanos).
Espanhóis nem bom vento... ouvia-se ao fundo. Aljubarrota! ALjubarrota percebia-se no meio de gestos belicosos. Vamos a eles, à mistura com cascas de tremoços, imperiais escorregadias e burriés de camouço.
Vim para casa para assistir mais atento ao jogo mas com prejuizo daquele patriótico climax. Eis senão quando, ainda faltavam uns minutos, dei um olhadela pela net e vejo O Bota Acima do meu amigo João Tunes sobre Pooortuuuuuugaaaaaaal.
Fez-se luz no meu espírito. O povo estava a preparar-se para uma nova Aljubarrota. Vingar o avanço que esses Castelhanos nos levam na economia e no resto. E foi assim neste espírito de fé patriótica torcendo pelo Mestre de Avis que bebi cada chuto de Nuno Gomes como quem vive uma espadeirada de Nuno Álvares.

 

Vitória Dura.....(mas) Merecida

Após o jogo com a Grécia, confesso que fiquei desiludido com a qualidade do jogo desenvolvido pela equipa portuguesa e pensei comigo: cá está mais uma edição do campeonato do mundo.

Francamente, a minha experiência de vida leva - me a dizer que quem fica com o ónus quando as coisas correm mal é normalmente quem menos culpa tem, neste caso, os jogadores e esquecem - se as estruturas. Foi assim no campeonato do mundo e hoje também o seria, apenas com uma diferença, o actual treinador tem mais personalidade.

Termino esta nota pessoal muito satisfeito com o resultado Portugal- Espanha, e espero que a equipa vá longe, mas inquieto com o que hoje li do sociólogo João Nuno Coelho "A excessiva importância social e política que damos ao futebol é ditatorial e asfixiante". Pelo menos vai-me fazer reflectir sobre este nosso país, onde de facto o futebol tem um "peso social" descomunal, sem esquecer que alguns se têm servido dele como trampolim político. Esta coisa do "apito dourado" é que veio estragar um bocadinho a festa.

2004-06-19

 

Na ordem do dia....a Constituição Europeia

Bem ou mal há uma Constituição Europeia que, a partir de 2009, vai regular as instituições da UE. Na minha opinião, deu-se um passo importante na configuração da Europa.

Esta Constituição, ratificada pelos Chefes de Estado/Governo dos 25 países membros, deve ser referendada. O lançamento do Referendo deveria ser antecedido de uma fase de informação e debate não apenas pelos partidos políticos mas por iniciativas da sociedade civil.

Como ideia para esta discussão alargada, avanço com a criação de condições para a intervenção de movimentos cívicos na promoção deste debate, mas parece-me que a Presidência da República poderia desenvolver um papel fulcral.

Tem conselheiros de vários quadrantes políticos, conhecedores desta matéria e que poderiam "organizar" uma forma própria de se envolver com a sociedade civil neste debate.

Não podemos perder esta grande oportunidade de conciliar/dinamizar os portugueses com a Europa.

Referendo precisa-se e não há argumentos para não ser feito.
 

A ocultação inadvertida dos resultados eleitorais


O semanário EXPRESSO de hoje não apresenta nenhum título de 1ª página acerca do resultado das Eleições para o Parlamento Europeu.

“A maior derrota /eleitoral de sempre” apenas se pode ver nas interiores em página par (pág. 10) numa peça assinada por José António Lima.

Então as Eleições para o PE não tinham “actualidade”? Bom. A verdade é que todos os media andaram a fazer sombra ao EXPRESSO desde a noite de domingo passado, e o EXPRESSO prima pela originalidade. Assim, presenteia-nos com um cartoon do António no canto inferior direito da capa. Uma caricatura de Durão Barroso enforcado numa faixa da campanha, e a legenda “A Força de Portugal”.

Há momentos em que os chamados jornais de referência procedem a uma gestão curiosa das notícias. Esta, do EXPRESSO, é intrigante. Os resultados propriamente ditos, reservam-se para os leitores habituais (os que folheiam todo o caderno principal); o lamento radical do cartoon de António fica em cartaz, de modo que até os não compradores possam espreitar nos escaparates.

A chave para a compreensão desta legítima opção é dada, talvez, por um outro título de primeira página: “Camacho avisa”/’Portugal/não sabe/lidar com/a pressão’. Faltaria, portanto, acrescentar: O EXPRESSO também não.

2004-06-18

 

Os Blogs no Parlamento

 Posted by Hello
Quando soube que a Assembleia da República aderira aos blogs não descansei enquanto não fui lá ver No entanto, distraído com outros afazeres demorei e com a demora cresceu a curiosidade.
Substituindo-me à realidade aqui à mão fui imaginando as dezenas, quiçá centenas de deputados a aproveitarem este excelente instrumento para potenciarem o seu trabalho perante os eleitores para dialogarem com eles e para mostrarem a quem os elegeu de uma forma fácil como estão a cumprir o seu mandato. E para receberem sugestões, palmas e "apoiados" ou "uh uh uh" e outros protestos.
Era um passinho na senda do estilo americano (há que imitar o melhor e não o pior da América!) em que o deputado tem gabinete aberto para receber eleitores e meios ágeis de contacto com eles.
Fui lá e foi um balde água fria. Três. Três deputados de boa vontade. Guilherme de Oliveira Martins, um deputado com um invejável curriculum na política e na cultura. José Magalhães um apaixonado pelas modernas técnicas da informação e comunicação. Dele não digo mais nada porque sendo seu amigo não quero ser injusto - por excesso - pois reconheço ter uma tendência irreprimível para elogiar as suas inesgotáveis capacidades e saberes. E o deputado José Leitão que conheço menos mas o suficiente para ter dele uma opinião muito positiva.
Não proponho uma leitura apressada deste facto. Não averiguei os porquês desta recusa generalizada do blog.Sou dos que conhece casos que não prestigiam o Parlamento e sendo crítico do seu funcionamento sou dos que sabe que em geral os deputados são pessoas que deviam merecer o respeito e a estima dos cidadãos.
Sei que muitos deputados tem os seus blogs pessoais ou colectivos. Mas esses são e muito bem para a dinâmica e o mundo novo da bloguística. Ali na AR via o blog como instrumento político para a transparência e diálogo com eleitores.
Quando fui deputado de 1995 a 99 fiz uma home page (ainda não se sonhava com blogs)com meios caseiros, grafismo naif, e a ajuda diligente dos colaboradores informáticos do Grupo Parlamentar do PS, e a necessidade de alojar na longínqua América o pobre site. Vivia-se uma altura de generalizada iliteracia e alheamento dos deputados pelo maná que o uso da net oferecia. José Magalhães não se cansava de chamar a atenção para o avanço que a Europa nos levava para não falar da distância, anos de luz, dos EUA.
Fiz aquela pobre home page para pôr à disposição dos eleitores o meu trabalho. Não sei se algum viu. E se viu se ligou.
A home page ainda lá está no velho Geocities como a deixei há 5 anos.

 

"A ineficácia está a cortar as pernas aos portugueses"

Esta frase de João Salgueiro, proferida numa conferência de imprensa como Presidente da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social,
merece a nossa reflexão. Porque traduz, de forma objectiva a inoperância ou a má gestão que atravessa a governação no seu todo, embora com reflexo maior em sectores como a saúde e a educação e, porque está a atrasar o progresso do País, ou como dizia João Salgueiro de uma forma mais crítica ainda, "a impedir o progresso do país" e quanto a este aspecto dá como exemplo a desorganização do sistema judicial.

Mas não deixo de sublinhar dois outros aspectos, referidos pelos dirigentes da SEDES, para mim importantes, aliás, de algum modo, já abordados neste blog:

i) "a ideia de retoma é perigosa" porque não tem ainda alicerces sólidos. Houve uma paragem da recessão, de facto, no primeiro trimestre, mas a uma taxa de 0.1% em termos homólogos e na base do consumo privado, com as exportações em queda. Ora, é preciso ter muita prudência na análise deste comportamento, embora ontem também tenha assistido a comentários de euforia sobre esta memsa temática, de dois ex-ministros das finanças (PS e PSD), num programa da SICn. Oxalá, venham a ter razão;

ii) desde a adesão, Portugal tem o complexo "do bom aluno" o que leva a uma desfocagem negocial que o estar na UE exige permanentemente. Esta postura parece impedir os nossos governantes de apresentar em Bruxelas ideias próprias de interesse ao desenvolvimento do país.

Um aspecto final relevante, João Salgueiro entende que as lamentações do PSD e do PS sobre a elevada abstenção dos portugueses nas eleições europeias não passam de "lágrimas de crocodilo" porque, como completou João Ferreira do Amaral, estes dois partidos têm sido os principais obreiros do bloqueamento da discussão desta matéria.
 

Há Uma Política Económica Europeia ?

Estas notas prendem-se com uma das perguntas colocadas por um comentarista, neste blog, a propósito de anterior comentário sobre o Pacto de Estabilidade (PEC). Aqui ficam umas quantas ideias.

Em termos simplificados (talvez em demasia) temos, no campo da política económica europeia dois instrumentos, direi, "globais" mas de força desigual: o PEC e as GOPE-grandes orientações de política económica.

Mas enquanto as GOPE não passam de um exercício anual que cada país tem de fazer na base de um esquema prévio (elaborado a nível central europeu) e que, quando muito, emite umas tantas recomendações não obrigatórias, a partir da sua análise no ECOFIN (conselho de Ministros das Finanças), recordem-se, por exemplo, entre outras, as várias recomendações feitas a Portugal nos domínios da concorrência e dos preços nas indústrias de rede, o PEC é uma política de "boa gestão" que fixa normas de estabilidade orçamental (obrigatórias) para os países membros. Se juntarmos a isto o elemento federalista por excelência que é a gestão da política monetária pelo Banco Central Europeu, começamos a nos aproximar do quadro de intervenção da UE.

Claramente não existe uma política económica europeia, quando muito, referenciamos peças do puzzle e níveis de acção e intervenção "dispersa e descoordenada" dos diversos orgãos da UE.

Como imagem admito um tanto caricatural, a UE já dispõe de uma série de peças "soltas", o mercado único, uma moeda única, um banco central único, uma política de concorrência, etc, etc, mas falta-lhe o cimento da consistência agregadora.

A UE não dispôe nem de uma estratégia económica nem política.

Estas são as questões fulcrais da UE onde muito caminho se encontra por desbravar e onde é fundamental, para cada um de nós e para o projecto, que as diferentes famílias políticas, nos diferentes países, bem como os movimentos alternativos e sociais nos esclareçam sobre que "estacas", designadamente condições socio economicas, pretendem apoiar este gigantesco projecto de construção da Europa.


 

Recordando Sousa Franco

Sobre o Prof. António Sousa Franco, já muita gente escreveu, gente de todos os quadrantes políticos e sociais que conhecia bem o seu percurso político e académico, o seu carácter rigoroso e determinado, o seu ideário genuinamente democrático, as motivações mais profundas da sua actividade como cidadão.
Para quem tinha de Sousa Franco uma visão pouco informada, muitas vezes alimentada pelos seus adversários políticos, deve ter constituído uma grande surpresa a quase unanimidade de pontos de vista (nalguns casos com muita hipocrisia à mistura) sobre as suas enormes qualidades como homem e como cidadão, como certamente constituiu surpresa para muita gente a excelente performance patenteada durante a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, a cujo debate político e ideológico trouxe fortes convicções, frescura, imaginação e determinação.
Pessoalmente, nunca tive grandes contactos com Sousa Franco, para além de uma experiência vivida em 1999, que muito me marcou e que não mais esqueci, quando ele era Ministro da Finanças do primeiro governo de António Guterres e eu era administrador da IPE e Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal.
(Artigo publicado no "Diário Económico" de 17.Jun.2004. Para ver o artigo completo consulte o ALFORGE)

2004-06-17

 

A gestão (caos) do trânsito em Lisboa

Numa manhã de sol, como a de hoje, anda um pacato cidadão a dar uma voltinha a pé no seu bairro, café, jornal, etc, e é que não ganha para o susto. Ficar "esborrachado", é o termo, entre o autocarro e o muro foi uma questão de sorte e de centésimos de segundos.

Vamos por partes. Há muitas ruas em Lisboa, como é o caso da Graça palco deste caso, onde as dificuldades em se cruzarem dois autocarros são de facto enormes. Acontece e esta foi a situação, um dos autocarros galga simplesmente o passeio (já de si estreito) e por pouco não ia esborrachando duas pessoas, entre as quais aqui o escriba. O susto já cá canta e seria, no mínimo simpático, não voltar a acontecer. Se o passeio matinal fez bem ao físico não sei se o susto não teve efeitos bem mais comprometedores.

Bem aqui há dois aspectos em causa. Um primeiro tem a ver com a condução, muitas vezes pouco cuidada e foi o caso. Mas a questão de fundo tem a ver com a gestão do trânsito que é cada vez mais um caos. Carros em segunda e terceira fila, mesmo ao lado dos parquímetros (pergunto que moral é esta?) zonas em que a dimensão dos autocarros deveria ser outra,(quando há tantos anos se fala na mudança) sinalização "enganosa" (quando o ACP não se cansa de alertar, muitas vezes causa de acidentes mortais). Certamente que a Câmara de Lisboa tem um pelouro de trânsito e um serviço eventualmente com muita gente e uma polícia municipal e promessas nesta área por cumprir. Por outro lado há uma Carris. Porquê esta gente toda não articula o seu trabalho para trazer uma maior pacatez à circulação do cidadão?


 

Que Diálogo à Esquerda?

Antes de mais, obrigado pelo convite. A ti, Raimundo, e aos blogistas fundadores do Puxapalavra. Já fiz um tour bastante intensivo e, como esperava, a paisagem é muito estimulante.
Blogemos então. No Secretariado Distrital do PS Ribatejano, vide Santarém, lá fizemos as habituais análises de resultados na passada segunda. Questionei então os meus camaradas se não haveria mesmo nada de ideológico nas opções de voto de Domingo. E tracei o seguinte cenário: imaginem tudo ao contrário. No Governo estava uma coligação de esquerda, juntando os três partidos com representação parlamentar. Imaginem que o cabeça de lista do PSD era, por exemplo, Medina Carreira. E que todo o seu discurso de campanha fosse baseado na denúncia das incongruências entre as posições quanto à UE do PS, da CDU e do BE. Mesmo sem o descalabro desta governação, teria ou não sucedido a diabolização de um Louçã ou de um Carvalhas de forma a afastar os eleitores mais moderados da coligação de esquerda? É que eu creio firmemente que o ataque desferido sobretudo por Sousa Franco(e não foi inocente a sua escolha como cabeça de lista para poder ter mais autoridade para traçar este quadro) às incompatibilidades entre o PP de Portas e o PSD de Durão em matéria europeia, se não rendeu muitos votos no PS, afastou certamente muito eleitor da coligação de direita.
O que tem isto a ver com a necessária criação de uma alternativa à esquerda? Tudo, parece-me. Como integrar num projecto liderado pelo PS as contribuições mais positivas do Bloco, por exemplo, em matéria civilizacional, sem os seus desmandos utópicos? Como enquadrar a combatividade do PCP por exemplo em matéria laboral sem a arqueologia socioeconómica? Têm a esquerda, o PS e até Ferro Rodrigues de responder a isto para voltarem a ser Governo? Penso que sim, porque isto significa não apenas debate ideológico meramente abstracto, mas opções que terão efeito na qualidade de vida dos portugueses. E é aí que os portugueses têm que sentir que um governo de esquerda vai fazer a diferença.

2004-06-16

 

NASCEU O DIOGO

Eram 17 horas e 36 minutos. E nesse momento experimentei aquela brisa suave que transforma o vulgar homem da rua num respeitável avô. A Filipa e o filho estão de boa saúde e o pai José Alexandre foi agora levado pelos amigos para festejar o acontecimento. A Maria Machado reivindica como avó um estatuto superior ao meu mas a argumentação não me satisfez.
O Diogo revelou, no entanto, um certo mau génio. Gritou, barafustou e disse coisas que só mais tarde se atingiu o verdadeiro alcance. O Pai percebeu qualquer coisa parecida com Scolari o que às cinco e meia da tarde só podia ser para dizer mal. A mim pareceu-me que se referia à derrota do Governo o que era sinal de interesse pela política. Só um pouco mais tarde é que reparámos que aquele repetido grrrol era para anunciar os golos da vitória contra a Rússia.
 

Um novo "Mundo Cão" a rodar em Bagdad


“General diz ter recebido/ordens para tratar/presos “como cães” - titula na primeira página o PÚBLICO de hoje, a propósito de declarações da General norte americana Janis Karpinski, responsável pelo enquadramento de várias prisões no Iraque ocupado pelas forças da coligação.

A General acusa o seu chefe Geoffrey Miller de encorajar o pessoal de segurança às prisões - inquiridores incluídos - a tratar os prisioneiros iraquianos “como cães”.

Consta que a mensagem chegou a Bagdad truncada. Tal como aqui foi dito há dias, os torturadores da coligação, ao açularem cães desaçaimados sobre os presos, estavam a interpretar mal a consigna. Tratar “como” cães, não é o mesmo que tratar “com” cães.

Há alguns problemas de comunicação na hierquia das tropas da coligação em Bagdad.


 

A incontornabilidade das manchetes


O PÚBLICO de hoje escolheu para manchete “José Lamego avança contra/Ferro para a liderança do PS”. Estou em condições de assegurar que, sabendo-se que João Soares também já anunciara candidatar-se, nunca a manchete poderia ter sido: “José Lamego anunciou que disputará com Ferro Rodrigues e João Soares a liderança do PS”.

Porquê?

Porque com a banhada das europeias a recordar acidamente ao PSD que o CDS/PP não perdeu deputados, é bom que sejam as guerrilhas internas dos partidos de esquerda a ocupar a agenda. É natural que, na sua plena liberdade de fabricar manchetes, o PÚBLICO use os qualificativos marciais por vezes utilizados para descrever as acções sindicais.

“José Lamego avança contra Ferro (...)” é de facto o mais apropriado.

Alguém tem dúvidas?

 

Um estado de alma...amargo

Votei como cerca de 38% dos eleitores. Ainda fiz essa opção...

Como uma percentagem de votantes (penso, cada vez mais significativa) o meu acto de cidadania foi exercido em sinal de contrapoder e não por escolha de um projecto político em que me reconhecesse, um projecto político credível, diferenciado, mobilizador de vontades e sobretudo centrado no bem estar das pessoas.

Este país, penso, não vai longe sem uma mudança muito ampla no campo de mentalidades. E os sinais são poucos. Os partidos políticos porque enredados e dominados pelas intrigas (internas e externas) de poder não se preocupam em clarificar os seus projectos, porque a sua matriz de funcionamento (sobretudo objectivos pessoais ou de grupo) já não o permite e, assim, com grande angústia minha, se queria votar, tive de escolher "do mal o menos". Fica-se, no mínimo, com amargos de boca.

Ao ler a imprensa de hoje, este estado de alma subjacente ao meu voto ainda se foi mais abaixo (e agora é a hesitação), porque assisto por sistema (certamente numa visão minha desfocada) a que, neste país, o poder quando incomodado reage sempre no sentido de "impedir" (fazer ou rever leis) quem o pode incomodar.

Isto vem a propósito do ataque ao papel dos jornalistas que está a ser "cozinhado" pelos partidos do bloco central mais CDS-PP no tocante ao segredo de justiça. Refiro-me apenas a estes partidos porque pouco sei dos restantes.

Francamente não pretendo ir pelas questões jurídicas que não domino,(embora pense que, como a política económica não se faz por decreto, as leis estruturantes terão de ter enquadramento societário), mas como cidadão atento, intuo que a informação incomoda mesmo o poder no seu sentido mais global (político, empresarial, sindical, pessoal, etc). Que há excessos, houve e haverá, não tenho dúvidas. Que o poder de informar dos jornalistas incomoda o poder dos "grandes nomes" sonantes, incomoda, e que são os processos mais recentes seja Casa Pia, seja Moderna, seja Apito Dourado que estão na base desta tentativa de "uma lei da rolha" também não tenho dúvidas.

Mas é mais um sinal dos tempos de que as lógicas dos partidos não vão no bom caminho. Até porque a informação dos jornalistas tem fontes e até não sou tão anjinho que acredite que tudo seja linear. Mas PJ, Ministério Público, Tribunais, Defesa dos arguidos etc, não se lhes toca, nada há a dizer, nem a "mexer"? Não entendo tal ferocidade contra os jornalistas. Ou melhor, entendo e bem.

Não é essa a "vox populi". Todos "sabemos" que houve fugas de muito lado, muitas delas orientadas e fica-me a sensação de que até são os tribunais, porque dispõem de fracos recursos para agarrar processos tão delicados, os menos "a visar".

Certamente, estamos nós desinformados e a ver mal "a realidade". Haverá mesmo quem não deixe de comentar que forma tão negra de olhar para as coisas!!....

2004-06-15

 

E a saga dos professores continua ...

Mais uma vez a lista de colocação de professores apresenta erros que prejudicam os interesses dos professores (é o que afirmam as estruturas sindicais e muitos professores ouvidos na comunicação).

Como cidadão choca-me tanta incompetência, mas choca-me ainda mais que os políticos responsáveis (Ministro e Secretários de Estado) não retirem de tudo isto as ilações devidas... depois de "tanto mal dizer" que este governo alimentou sobre a Administração Pública.

2004-06-14

 

Pacto de Estabilidade e Crescimento

Não consegui aceder à entrevista do comissário Pascal Lamy pelo que não posso atender, naturalmente, à sugestão do Manuel Correia de a comentar. Assim, deixo umas quantas notas de ordem geral sobre a revisão (ou não) do pacto de estabilidade.

De uma forma simplificada, o pacto de estabilidade pode ser visto sob duas perspectivas: ou como instrumento disciplinador das finanças públicas dos países europeus ou como instrumento de uso dos governos na gestão do ciclo político.

Na perspectiva de instrumento disciplinador das finanças, está provado que os objectivos para que foi criado o pacto não têm sido alcançados (Alemanha, França, Itália, Portugal), designadamente em ciclos recessivos e que a insistência na sua aplicação agrava ainda mais os mesmos problemas (caso de Portugal). Se outras razões não houvesse, a sensatez aconselharia a ponderar e discutir as alterações de fundo a introduzir no pacto. Apesar de uns tantos incorrigíveis (há sempre quem não queira ver), a onda de economistas defensora da revisão e adaptação, aqui e na Europa, engrossa e, portanto, há que pôr o tema a debate rapidamente e de forma séria. Trata-se de um tema de alguma tecnicidade, o que não invalida transparência de debate e participação das pessoas. Tanto que se fala do papel das universidades, aqui têm um bom espaço para se ligar ao país e aos cidadãos.

Na outra óptica, encarar o pacto como um dogma, como uma exigência ética só acarreta o descrédito da UEM. Talvez aqui entronquem algumas das razões da abstenção. Afinal entra-se para um “clube” cujo cumprimento de objectivos só nos arruína? Não se tente “confundir” esta posição de revisão e ajustamento com laxismo, pois os resultados de cumprimento do défice orçamental (sem soluções para as questões fundamentais - sim o défice estrutural nem minimamente foi atacado ainda no nosso país) têm assentado em fait divers contabilísticos e adicionalmente a pôr em causa direitos sociais adquiridos.

 

Um Voto de Protesto

Há verdades irrefutáveis. A direita tem de se haver com uma "grande banhada", definitivamente a "Força Portugal" não está a dar. As esquerdas parecem ter ficado estonteadas com as perspectivas que se abrem. Umas mais que outras é certo. Porém que o grande mal do autismo não afecte a inteligência interpretativa!!.

Para mim, os ganhos derivam sobretudo do mau desempenho do adversário em quase todas as frentes e o voto foi sobretudo um sinal de protesto. Os erros disparatados nas listas de colocação dos professores (nas diferentes versões e que ainda hoje é notícia do dia) são bem o exemplo típico das "embrulhadas" em que este governo se mete e que, por manifesta incompetência (falta de análise das situações e recurso a gente inexperiente), não sabe como delas sair. E o povo percebe, sente e reage a tudo isto.

As esquerdas têm a oportunidade de se tornarem credíveis e por direito próprio conquistarem sustentadamente os nossos votos. Para isso têm de ser mais actuantes na denúncia das políticas económicas e sociais que estão a transtornar profundamente os portugueses,designadamente afectando-lhes as perspectivas de vida futura, têm de ser mais claras nas diferenças que as separam da direita coligada, têm de mostrar o que as diferencia e, fundamentalmente, terão de mostrar o que valem como políticos no exercício futuro da gestão do Estado com a apresentação de projectos coerentes e exequíveis que nos mobilizem, fundamentais em vários domínios. Queremos saber quais os projectos alternativos para a Reforma da Administração Pública, para a Justiça, para a Saúde, Educação e Economia, Inovação e Ciência? Como pode o nosso país ganhar desenvolvimento e distribuí-lo bem socialmente? Que política social? Como promover uma política de causas, em torno destas questões e fazer participar as pessoas nessas causas? Esperam-se respostas.


 

Força Portugal? E Portugal Respondeu!

pe Posted by Hello
pe
 

Derrota esmagadora do Governo e da Direita

Posted by Hello

O PS obteve a maior vitória de sempre e o Governo e a direita coligada sofreram uma derrota humilhante. As eleições são para o Parlamento Europeu e muita coisa pode mudar até às legislativas mas os eleitores castigaram não foi as diferenças entre o PSD e o PS para a Europa. Castigaram a política responsável pelo aprofundamento da crise económica, pelo agravamento do desemprego, pelas políticas sociais neo-liberais, pela descrença. Condenaram o apoio do Governo à invasão do Iraque, as mentiras que as justificaram, condenaram Durão que mentindo as coonestou.
Ferro Rodrigues não perdeu tempo e tirou as devidas ilações: será candidato a Secretário Geral do PS no próximo Congresso.

2004-06-13

 

Derrota Dura....Merecida

Vou emigrar (esquecer as mágoas) para as regiões autonómas até 4 de Julho. Ali, pelo menos, não há estádios de futebol, nem os ingleses dos desacatos, nem São Pauleta nem os seus colegas por lá estacionarão, embora numa de solidariedade às ilhas possam já marcar viagem, pois pelo menos sempre dariam uma ajudinha ao turismo local que bem precisa e, por cá, pouco ficarão a fazer.

Agora, se um rasgo patriótico destes vos acometer, é fundamental não se esquecerem de levar na bagagem a nunca mais esquecida e determinante obra para a formação da autoestima nacional, o Media Guide do dr. Madail, de leitura aprazível para todo o português que se preza.

Todos nós portugueses temos uma dívida de tal monta para com o senhor presidente da federação de futebol pelo seu excelente desempenho, pelo menos desde o anterior campeonato do mundo, que nos perguntamos se já não está na forja outro Media Guide e obras quejandas e apenas compungidamente lembramos ao senhor Scolari que se prepare para entrar na peça do senhor Oliveira.

A orquestra pode ter bons executantes mas se o maestro desafina, nada feito e aqui o maestro presidente há muito que desafinou. E Q.E.D.(já está demonstrado) como nos teoremas.

2004-06-12

 

Deve-se a Reagan o fim da União Soviética?

Posted by Hello
Que na América de W. Bush, no afã de criar o mito, se atribua a Ronald Reagan o fim da União Soviética e do comunismo, mesmo com a ajuda do papa, de Tatcher ou de Valesa, conforme as opiniões, eu compreendo. Mas que aqui, leaders de opinião com reputação a defender, se façam eco de tais dislates, parece-me despropositado. Até deixam mal colocadas todas as grandes figuras da História que em 75 anos, não menos que Reagan mas com outra estatura, se empenharam em tal propósito.
 

Extremistas Sempre!

Estavam na mesa ao lado mas a falar alto para se ouvir à volta. Continuei a folhear o jornal e a beber o café. Diziam-se escandalizados com alguns dos seus antigos camaradas da UDP e outros partidos maoistas e agora jornalistas ou analistas políticos muito conceituados no establishment, porque se mostravam inebriados com Reagan e W. Bush.
Por mim acho natural. Pois se ontem se arrebataram com Mao Tsé Tung e Stalin...!
 

Reagan: criar o mito para esquecer o Iraque

Posted by Hello

A pompa dos funerais de Reagan foi nos EUA tão grandiosa quanta a necessidade de distrair o povo com um novo mito.
A América sempre necessitou de criar mitos. Uma das razãos advem da pouca História do país o que a levou a imitar a nostálgica e mitificada Europa, pletórica de Heróis e Santos. Até castelos de pedra encaixotada levaram da "Velha Europa" para os reconstruir no Novo Mundo!
Mas agora o mito Reagan tem outras motivações. É preciso fazer esquecer aos eleitores americanos o fracasso da guerra do Iraque, o escândalo das torturas legalizadas superiormente e dar nas eleições que se avizinham uma ajudinha a W. Bush, digno sucessor do ex-presidente, actor e político de segunda.
Reagan como W. Bush não era forte em geopolítica como aliás em quase tudo o que é importante num estadista! Para além da Califórnia e do Texas, e de Washington claro, o resto do mundo era algo sincrético que lhe escapava. Por isso Reagan em visita ao Brasil confundiu o país com o Peru e quando viajou para este fez confusão com a Colombia. Ou vice-versa.
Na condução das negociações sobre o desarmamento nuclear com Gorbatchov em Reykiavik (a TV deu as imagens)Reagan dormitava revelando a importância do seu papel pessoal nas relações internacionais.
A complexidade da condição humana, da sociedade, da História era vista por Reagan a preto e branco. O mundo estava dividido entre o Império do Bem e o Império do Mal. Este representado pelo comunismo e a União Soviética. Aquele pela América. Não a América do progresso, da vanguarda da ciência, da Estátua da Liberdade, de Luther King, dos direitos humanos mas seguramente a América do Macartismo, de Barry Goldwater, da segregação racial, da Klu Klux Klan.
Os grandes poderes na América receiam que os grandes estadistas, possam atrapalhar os seus interesses, por isso preferem políticos à Reagan ou à W. Bush. Quando lhes saiem dos outros chegam a baixezas como no caso Mónica Lavinsky ou recorrem mesmo a extremos como com Kenedy em Dallas.
Reagan era o género de presidente medíocre a milhas de um grande estadista. Bom comunicador (para eleitor primário), óptimo para o lugar na perspectiva da América imperial. Mas como compará-lo, a ele e a W. Bush, com Roosevelt, Kenedy ou Clinton para ir só aos mais recentes presidentes norte-americanos?

2004-06-11

 

Afinal os cães de Bagdad não eram iraquianos...


Depois de tudo o que se disse e desdisse sobre a guerra de ocupação do Iraque, e apesar do risco de perder no decurso dos dias a visão de conjunto que permitiria pôr em destaque a generosidade democrática e humanista das forças da coligação, reparem agora no que vai sendo fornecido a conta-gotas às "opiniões públicas".

O Washingtonpost.com de hoje "revela" que a utilização de cães sem açaime na tortura dos prisioneiros de guerra iraquianos, não apenas era conhecida das autoridades, como foi ordenada hierarquicamente pelos responsáveis dos serviços de informação militares que enquadravam as acções de detenção e interrogatório.

Correm rumores que Bush se prepara para fazer uma comunicação pública reconhecendo que os excessos caninos não podem ser imputados às forças da coligação.
De facto não consta que nenhum cão tenha lido a Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra ou, mesmo que tal tivesse por absurdo acontecido, é bom lembrar que os cães têm fraca apetência para a contenção, sobretudo quando lhes tiram os açaimes e os açulam.

É da História...

 

Um fim de semana de grandes desafios

Dois grandes desafios nos esperam. Amanhã, o Portugal Grécia e no domingo as eleições para o parlamento europeu. Dois desafios marcados por vários e dolorosos acontecimentos.

Gosto de futebol e gostaria e, assim o espero, que a nossa equipa se porte bem. Já não aprovo e protesto (é um direito que a democracia me confere)contra o aproveitamento que a coligação no poder e o governo fizeram do futebol, desde logo a apropriação da sigla da selecção e o ambiente de clima de paz podre que tentaram impôr, alegando a mobilização e a imagem do país no euro, quando o objectivo foi desviar os eleitores dos graves problemas que o País atravessa. O país tem estado desmoralizado e a imprensa ao fazer eco de muitas coisas negativas que têm acontecido também não ajuda, como é o caso dos BI falsos à venda em Inglaterra por uma ninharia de euros, os doutoramentos não reconhecidos, ou o polémico guia da Federação de Futebol. Mais uma vez recordo onde "se meteu" o Ministro do desporto que nada disse sobre este triste episódio?

Esperemos uma resposta: uma votação exemplar no domingo e uma selecção a valer.


 

O registo de uma decisão

Dificilmente o Presidente da Câmara de Lisboa poderia ter outra decisão do que demitir o Chefe da Polícia Municipal, o subintendente Almeida Rodrigues.

Ao proibir a realização de festas populares na zona do Martim Moniz, alegando que aquela zona era perigosa porque frequentada predominantemente "por indivíduos de tez negra" que "trazem consigo e põem em prática os usos e costumes de origem», o subintendente Rodrigues deu uma mostra do seu mais primário racismo.

Esta justificação de tão bárbara teve resposta merecida e felicito as organizações como o SOSracismo que logo se puseram em campo na denúncia de atitude tão disparatada, mas reveladora da distância a que este País de duvidosos "brandos costumes" se encontra de um estado moderno e civilizado.
 

Morreu Lino de Carvalho

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Lino de Carvalho era desde a saída de João Amaral do grupo parlamentar do PCP o mais qualificado e carismático deputado comunista no parlamento de que era vice-presidente.
Grangeou o respeito dos seus pares pelo conhecimento profundo das matérias que defendia, pela sua combatividade e frontalidade.
A sua acção política remonta à luta pela liberdade contra o regime fascista, tendo sido preso pela PIDE/DGS duas vezes.
Um dos principais rostos da Reforma Agrária, colocou sempre a sua acção política ao serviço de causas e ideais, dignificando a política com o seu exemplo.
Entrou para o comité central do PCP no congresso de 1988 que foi palco da primeira grande dissidência deste partido. Posteriormente demarcou-se dos sectores ortodoxos do PCP e das expulsões que acompanharam a sua segunda grande dissidência por isso foi sem surpresa que foi preterido na escolha para a presidência do Grupo Parlamentar comunista por um inexperiente galucho.

2004-06-10

 

A conjuntura económica recente

O INE divulgou ontem os dados das contas trimestrais, relativas ao 1º Trimestre de 2004.

O que se verifica que mereça realce?

O crescimento real do PIB de 0.1%, em termos homólogos, ou seja comparado com idêntico Trimestre de 2003 e de 0.6% face ao último Trimestre de 2003. Em termos concretos, significa que poderá ter sido travada a queda do PIB que se fazia sentir desde o 3ºTrimestre de 2002.

Há que ser prudente e não içar ainda as bandeiras da retoma. É cedo para dizer-se, como alguma imprensa de hoje, que a economia portuguesa rompeu o ciclo da recessão, o que também já tínhamos ouvido da boca do primeiro ministro antes da divulgação destes dados, com mais ênfase até. Se a campanha eleitoral não tivesse terminado, com a morte de Sousa Franco, os dias finais de campanha seriam certamente de grande "exploração" da retoma pois o mote já estava dado por Durão Barroso, com a frase de que a informação disponível do INE lhe permitia não pedir a Scolari a "retoma" da economia. Ela já está aí, disse.

Não pretendo pintar de negro a situação e ansiamos todos por uma retoma vigorosa da economia. Mas há motivos para um pouco de prudência. Trata-se de uma taxa de crescimento demasiado inexpressiva, e para além disso, pouco sustentada. Esta paragem da queda tem por base a procura interna, designadamente o consumo privado (1.6% contra 0; 1% nas GOP) e uma deterioração da balança de bens e serviços.

Ora, é o próprio governo que nas Grandes Opções do Plano (GOP) para 2004 e em muitos documentos seus afirma que "as exportações constituirão o motor do crescimento económico" e atenção o PIB cresceu apenas 0.1% com as exportações em desaceleração, o que significa que a economia portuguesa está em perda de competição, domínio em que não se revela inversão de tendência.

2004-06-09

 

Há mortes que empobrecem

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Que empobrecem o país e a política. A de Sousa Franco é uma delas. É conhecido o seu valor como académico, como servidor do Estado, como governante. Podia-se não concordar com as suas ideias ou não apreciar a sua maneira de ser. Aquela que se conhecia até esta campanha. Porque esta revelou que o académico rigoroso, o governante sizudo e por vezes agreste era também um homem afável, com humor e capaz de se bater com os políticos de feiras e mercados no seu terreno sem perder a seriedade da política séria.
Boa escolha para o exercício do lugar em Bruxelas mas - pensei - a campanha terá de ser assegurada pelas segundas figuras. Cada dia a realidade desmentia este juizo e mostrava um outro Sousa Franco a comandar a campanha, popular quanto baste mas sem cedências popularuchas. Dava gosto ve-lo feliz e seguro na descoberta de outras competências.
Claro que não é o momento para especular sobre lotas, praças e feiras mas de há muito que me interrogo se isso serve a política ou o seu descrédito. E há a certeza de que dá votos?
A morte de Sousa Franco empobrece a política porque ele era dos que (apesar de não serem tão poucos como se diz) nos fazia crer que a política pode ser exercida com integridade e como serviço público.
 

O País em deriva (II)

No DN de 7 de Junho li uma entrevista curiosa do empresário José Manuel de Mello, agora a produzir vinho e cavalos no Alentejo, cujo título "o povo tem perdido qualidade" muito me chocou.

Porquê tão só o povo português? Sinceramente, a minha curiosidade era muita para chegar aos fundamentos de tal afirmação. Afinal, à medida que a leitura ia prosseguindo vejo que não era só isso e não era sobretudo isso que o entrevistado dizia (o jornalista lá sabe porque assim titula a entrevista!!). José Manuel de Mello afirma, sem sombra de dúvida, que as élites empresariais e políticas, ou seja os empresários gestores e políticos nacionais estão em perda de qualidade.

Apesar de não concordar com a abordagem dos problemas do país de José Manuel de Mello,referidos na entrevista, acho que ele pôs o dedo na ferida neste caso das elites e nomeadamente ao apontar como principais problemas "a justiça, a educação e a falta de estratégia". Não é de certeza a estratégia que defendo, mas é positivo, fundamental mesmo, o reconhecimento de que este país está desgovernado nas matérias essenciais e mais grave, sem bússola.

2004-06-08

 

Ponta de Icebergue?

A forma como o director nacional da PJ Adelino Salvado, o novo director da PJ do Porto Ataíde das Neves e Durão Barroso (ao manifestar-se contra o pedido do PS e do PCP para ouvir o primeiro na Assembleia da República) têm reagido à investigação que atinge o "popular" major Valentim Loureiro e outras figuras do mundo político-futebolístico-empresarial é de molde a causar as maiores preocupações sobre a atitude do Governo face ao combate à corrupção, ao nepotismo e à consequente degradação do regime democrático se a lama não atingir só a oposição.
Se o Governo e a chefia da PJ pretendem dar a ideia de que estão apostados no controlo político-partidário da PJ e das respectivas investigações não podiam fazer melhor do que o que têm feito com o caso do Apito Dourado.
Sabe-se que há horas e horas sem conta de escutas validadas. Diz-se na imprensa que o major vangloriava-se de telefonar ao 1º Ministro sempre que queria. Não está obviamnete em causa o 1º M mas se ele falava assim com o 1ºM com quem mais não falaria ele! Ele e os outros indiciados. Aquelas horas sem fim de escutas podem tornar o que se sabe apenas na ponta de um ameaçador iceberg.
O processo não poderá ser reduzido a nada mas para muita gente poderá ser decisivo apagar tanta conversa gravada. Circunscrever os perigos é certamente preocupação de muitos.



 

Apito Furado 2

Quem é quem? Adelino Salvado é o controverso director da Polícia Judiciária, escolhido pelo governo Durão-Portas que pôs na prateleira Maria José Morgado, uma especialista no combate ao crime de colarinho branco. É também, segundo os media quem ficou muito incomodado com o Juiz Artur Oliveira e toda a equipa que levou a cabo a surpreendente investigação do Apito Dourado, porque não foi em tempo informado sobre o alcance das investigações e que agora aceitou a demissão do director e impôs a demissão dos seus adjuntos os investigadores daquela surpreendente operação.
Ataíde das Neves é o juiz que era director da PJ de Coimbra e que por acaso foi quem determinou, devido a suspeita de crimes, a prisão (depois libertados com caução) do pai e do irmão do juiz director da PJ do Porto que agora substituiu.
Teófilo Santiago e João Massano. Socorro-me de Eduardo Dâmaso no editorial do Público de hoje:
"...dois operacionais da polícia que deram à instituição e ao país mais do que o referido senhor[Ataíde das Neves] alguma vez dará. Basta confrontar o currículo profissional de uns e outros. Se alguma coisa avançou no combate à criminalidade organizada e ao crime económico em Portugal deve-se a pessoas como Teófilo Santiago e João Massano...
...A substituição destes dois sub-directores foi, percebe-se agora, um acto de poder ressabiado, uma confissão de impotência momentânea quanto à questão essencial que é, obviamente, a luta pelo controlo do inquérito "Apito Dourado"..."
Por sua vez deles diz Arnaldo Mesquita: Santiago foi responsável pela coordenação de importantes investigações como o "Aveiro Connection", e João Massano pela investigação das avultadas fraudes consumadas no Matadouro da Guarda e que se traduziu na condenação do antigo presidente da Câmara da Guarda, Abílio Curto.

 

O País em deriva

Como País estamos numa fase muito crítica. É dificil apontar uma área em que algo esteja a correr menos mal.

Não se percebe o projecto do governo para o País (é na saúde, é na economia, é na educação, é na segurança, é nas finanças, por todo o lado este governo nos desgoverna). Na instituição justiça, a situação não está nada melhor, a distância ao caos tende para zero. Na instituição PJ, as "coincidências" nas substituições de chefias avolumam-se sempre com razões duvidosas.

Só faltava mesmo o futebol. Mas nem este resistiu, com a própria Federação de Futebol a dar um tiro no pé, ou melhor, nos dois pés ao editar o Media Guide.

Que Federação é esta que nas vésperas do começo do euro 2004 financia um livro a denegrir alguns jogadores chave da selecção? Será para lhes "levantar" a autoestima? Registe-se o ridículo deste acto. Mas não creio, acho que há algo de pouco claro nesta atitude da Federação.

Quando tanto se tentou, incluindo o Governo, embora, de forma quantas vezes desadequada, puxar pela autoestima nacional, é incompreensível o que sucedeu e o Dr. Madail já devia ter assumido as responsabilidades deste acto. E a propósito por onde anda o Ministro Arnaut que não se manifesta? Também apoia este Media Guide?
 

Alternativas de Teodora Cardoso no JN

O artigo de opinião Alternativas de Teodora Cardoso no Jornal de Negócios de hoje merece toda a nossa atenção porque nos transporta para a realidade sueca em que foram dados passos significativos para blindar a economia dos ciclos eleitorais. Precisamos em Portugal destas condições nas relações Governo/Oposição quase "como do pão para a boca".

Vejamos o artigo que transcrevemos na íntegra:

"O governo tem boas razões para estar preocupado com a política económica que delineou e pôs em prática, cujo êxito dependia crucialmente de uma forte e rápida retoma internacional, que lhe permitiria fazer o contraste entre a «miséria» herdada e a pujança que esperava em breve poder anunciar. Para acentuar a diferença, pintou o mais negro quadro da herança e precipitou o País na depressão económica e psicológica, não hesitando mesmo em lançar sobre toda uma categoria profissional - a dos funcionários públicos - o labéu de negligência e incompetência, que estende, aliás, com vigor crescente, a todos os que se atrevam a questionar a presciência e inevitabilidade da sua política.

Quanto à presciência, o evoluir da situação fala por si. E não adianta a desculpa de que o problema é da conjuntura internacional, já que Portugal revela um desempenho inferior ao de qualquer país europeu. No que respeita à inevitabilidade, a questão é ainda mais clara. Para começar, não existem políticas sem alternativas. Mesmo as mais bem sucedidas precisam de ser constantemente criticadas e avaliadas à luz de alternativas, quer respeitantes a aperfeiçoamentos pontuais, quer a diferentes opções de fundo. Por maioria de razão, quando os resultados são maus, só um regime autoritário pode recusar discutir opções. Sabendo isso, o governo refugia-se na alegada incompetência da oposição para justificar atitudes cada vez menos compatíveis com um regime democrático.

Ora é certo que a oposição em Portugal – esteja ela a cargo do PS, do PSD ou de qualquer outro partido – não dispõe de condições adequadas à apresentação de políticas alternativas, a não ser em questões pontuais, ou num plano fundamentalmente ideológico, raramente podendo explicitar as medidas concretas e a relação custos / benefícios que tais alternativas comportariam. Isto está, aliás, na base das promessas não cumpridas, que vão crescentemente minando a credibilidade dos políticos.

Também nesta matéria, porém, existem alternativas e começa a ser indispensável e urgente que os políticos portugueses as estudem e discutam. Relativamente a questões orçamentais – mas extensivo a outras matérias – proponho desde já um método, inspirado no usado na Suécia. Consiste ele, emprimeiro lugar, em não permitir a introdução de alterações pontuais às propostas do governo. A proposta global de orçamento, incluindo os limites às despesas e as medidas fiscais, deve ser tratada como um todo e qualquer alteração que a oposição pretenda introduzir / discutir só pode ser admitida se incorporada numa proposta global alternativa.

É claro que, num sistema democrático, um tal princípio só é aceitável se os partidos da oposição tiverem acesso ameios que lhes permitam elaborar tais propostas. É exactamente o que sucede na Suécia, onde esses partidos podem utilizar os mesmos meios à disposição do governo com vista a apresentar as suas próprias políticas. Assim, os partidos da oposição solicitam ao Instituto de Conjuntura cenários macroeconómicos alternativos, incorporando as hipóteses que preferem, e utilizam o modelo de elaboração do orçamento à disposição do governo para produzirem as suas próprias versões. O gabinete técnico de apoio ao Parlamento (com cerca de trinta elementos) e o secretariado da Comissão de Finanças têm acesso a toda a informação necessária e são responsáveis pelo trabalho técnico indispensável.

Deste modo, a discussão no Parlamento incide sobre a análise das diferentes propostas globais de orçamento, o que, além da transparência e do óbvio carácter pedagógico do exercício, tem a vantagem de viabilizar governos de minoria (habituais na Suécia, cujo espectro partidário não é muito diferente do português), na medida em que este procedimento exige que a oposição se entenda quanto a um projecto global de orçamento, não bastando acordos relativos a medidas populares.

Um outro resultado deste método de trabalho – que é simultaneamente uma condição do seu êxito – reside na independência da administração pública, cuja missão consiste em pôr em prática as políticas aprovadas pelo Parlamento, a quem fornece a informação e o trabalho necessários, não se transformando em instrumento do(s) partido(s) do governo e menos ainda podendo ser usada para ocultar informação aos partidos da oposição.

As condições de trabalho da oposição no Parlamento sueco incluem ainda o financiamento de apoio técnico-político aos deputados (à razão de um assessor por cada dois deputados, equivalendo a um subsídio parlamentar de cerca de 4000 euros por mês e por assessor) e, além da subvenção em função do número de deputados, um suprimento fixo anual (de aproximadamente 370 mil euros) a cada grupo parlamentar da oposição duplo do recebido pelo grupo que representa o governo.

Quando o Parlamento português se dotar desta lógica de funcionamento, poderemos esperar uma política económica menos subordinada aos ciclos eleitorais, uma oposição e um eleitorado mais informados e mais criteriosos e também menos oportunidades para o insulto pessoal cujo único resultado é o descrédito da classe política e da democracia".
inserido 8/06
 

Desmantelar a Rede ou... a Investigação?

O Juiz Ataíde das Neves após a tomada de posse ontem como director da PJ do Porto, tomando para si as dores de Adelino Salvado disse para as televisões o que, se preservasse a sua imagem e a dos juizes em geral, teria calado.
O Director Nacional da PJ demitiu os investigadores Teófilo Santiago e João Massano e o Director da PJ do Porto explicou: "Não confio neles... não me davam garantias de solidariedade pessoal..."
Talvez tenha razão. Mas ao país o que interessa é a "solidariedade" e as acções contra a corrupção como a investigação feita pelos alvos da sua diatribe e não a solidariedade pessoal para com o novo chefe porque essa... ao certo para que serviria? O destempero foi ao ponto de dizer que "havia problemas de liderança" ..."Aparentemente era o Dr. Teófilo Santiago que liderava a directoria do Porto". O atingido desmentiu. Nem era preciso.
Por fim, diz Arnaldo Mesquita no Público "Apesar das violentas críticas aos subdirectores demitidos Ataíde das Neves elogiou a operação "Apito Dourado".
Deve ser elogio para inglês ver pois se é exactamente o sucesso da investigação que parece causar todo este alarme.

2004-06-07

 

Dalila Mateus, o jornal PÚBLICO e o Genocídio, ou os mecanismos de evitamento para certos temas.


Sob a espuma dos dias, há alguns temas cuja ausência ensurdecedora é de vez em quando compensada por uma presença patética. Vem isto a propósito da nossa dificuldade em falar da guerra colonia que Portugal sustentou sobretudo em Angola, Guiné e Moçambique (1961-1974).

Bem vêem, falar disso em plena campanha eleitoral para o Parlamento Europeu pode parecer de mau gosto, de incompreensível luso-masoquismo e desincentivação do espírito positivo e patriótico que graças a iniciativas como o Euro-2004 e o Rokc In Rio, nos granjeará a nacional auto-estima que escasseia.

Todavia, ao ler a secção de Cartas ao Director do jornal PÚBLICO de ontem (domingo, 6 de Junho de 2004) fiquei atónito.
Dalila Cabrita Mateus apresentou recentemente no ISCTE, - Lisboa, provas de Doutoramento em História. "A PIDE/DGS na Guerra Colonial (1961-1974)" é o título da dissertação. O PÚBLICO entrevistou-a em 29 de Abril p.p. (entrevista recolhida por Isabel Braga). Citando um relatório elaborado por uma Comissão de Inquérito da ONU em 1973, Dalila Mateus lembrava o libelo traçado contra o Governo Português. Aquela comissão concluía que Portugal era responsável por “uma política de genocídio”.

Poucos dias depois, a 16 de Maio, o Provedor do Leitor daquele jornal, Joaquim Furtado, publica a interpelação de um leitor que acusa a historiadora de “falta de rigor”.

Ora bem!, aí está um passo dado para a discussão mais aberta do tema. Não? Não.

Não porque, primeiro, a historiadora não foi ouvida; segundo, o jornal PÚBLICO não deu à estampa o seu texto de esclarecimento em que recordava, uma vez mais, que a qualificação “política de genocídio” não decorria de qualquer liberdade interpretativa, mas tão somente do rigor documental que a levara a citar o referido relatório da Comissão de Inquérito da ONU.
Finalmente, ontem, na secção de Cartas ao Director, (pág. 14) lá vinha a autora a protestar contra esta generalizada má vontade em discutir o tema.

Bom!, mais vale tarde do que nunca, dir-se-ia...
Mas não.

Logo a seguir ao texto da autora, um sibilino N.D. que se pode supor ser uma Nota do Director, discute o sentido do termo “genocídio”, opondo a definição dada pelo Dicionário Porto Editora ao estatuído pelo Grande Dicionário de Língua Portuguesa invocado pela autora.

Se tiverem um tempinho leiam. Depois, se tiverem ânimo para continuar a discussão, digam-me o que lhes parece.

Será que o PÚBLICO está a facilitar ou a dificultar a discussão de um dos mais obscuros períodos da História?

Será suficiente para as novas formas de censura tentar pôr os dicionários a falar uns com os outros?

Há casos em que o próprio jornal reconhece que errou. Um título minúsculo, no canto inferior direito de uma página par, faz um tímido mea culpa convindo que “O PÚBLICO ERROU”.

Sugiro, então, uma outra rubrica “O [ N.D. do] PÚBLICO passou ao lado”.

 

Como vamos de privatizações?!

Este fim de semana ouvi parcialmente a entrevista de Margarida Marante a Pedro Queiroz Pereira - PQP- sobre várias coisas, entre elas, o caso da privatização da Portucel.

Fiquei elucidado. O centro de decisão da Portucel fica em Portugal por cinco anos(prazo imposto pelo processo de privatização) e, depois, se os accionistas da Semapa entenderem realizar as mais valias (face a propostas irrecusáveis), nada a fazer, pois PQP (que é maioritário) tem por missão atender à vontade dos accionistas. Claro que nem água.

Haverá alguma ilação a tirar dos processos de privatização em Portugal? Uma, pelo menos, quase sempre o "modus vivendi" decorre segundo duas etapas, aliás muito transparentes nas palavras de PQP: uma primeira (venda a um privado nacional) para gerar mais valias durante um prazo X e uma segunda de revenda a um grupo transnacional. Não está mau. Tem sido esta a estratégia constatada.

É este esquema de privatizações que se precisa para o desenvolvimento do País? Duvido até que nem na óptica do simples "encaixe financeiro" este processo se encaixe.


 

"Deus escreve direito por linhas tortas"

Um agnóstico começar um comentário desta forma pode parecer blasfémia. Mas não é. Aliás, trata-se de um provérbio que uso muitas vezes, como gosto de um outro que vai na mesma linha "Deus castiga não é com pau nem com pedra".

Mas ao ler hoje o artigo "seria bom ter ministro" do Prof. João César das Neves no DN acho que, atendendo à pessoa, o provérbio se encaixa às mil maravilhas.

Então o que nos diz o Professor para eu utilizar o dito provérbio"? Simplesmente isto:"Portugal não tem um ministro da educação. É um posto que os governos não incluem". Para, de seguida, justificar porque não têm os governos "o alegado ministro" porque o dito "não trata de educar pessoas ou formar cidadãos, mas de gerir a escola pública".

Mais de acordo não poderia estar. Mas teria sido bom que tivesse parado aqui, a prosa seria exemplar. Não entendo, para simplificar, a "saga" deste e de outros cronistas contra "os milhares de professores sem aulas" ou "os milhares de funcionários públicos sem funções". Não é que não seja verdade: Expliquemo-nos há. Mas será que o que nos trama é mesmo isso? Ou melhor, esta situação tem solução de per si numa visão de mera racionalidade de custos?

Acho que estes factos de que há responsáveis (a quem o país não imputou "custos") nos deve preocupar e muito. No entanto, o que me separa do teor do artigo é o fulcro do problema. Será que é nos excedentes ou na sua afectação a outras finalidades, onde o factor "redução da despesa pública" é a força condutora que está a solução do problema, tendo em atenção que se quer uma sociedade mais justa, solidária e humana? Não. Sem uma estratégia de ruptura com o passado e o presente, firme e bem entrosada no pulsar do País, não se avança na educação das pessoas ou na formação dos cidadãos de que o país bem necessita.
 

Bagdad na Normandia

Posted by Hello
Bem achado este título de um artigo de JORGE ALMEIDA FERNANDES no Público de Domingo que vale a pena ler. Pareceu-me que ele só, associado à imagem, diz muito sobre a fracassada invasão do Iraque e a necessidade de W. Bush se humilhar - caça ao voto oblige - indo ao Eliséu como quem vai a Canossa apertar a mão a Chirac, afinal um amigo!

2004-06-05

 

Os "Caros Portugueses" de José Luís Arnaut

Recebi uma carta de S. Excia, o Ministro, Arnaut, de seu nome, a me convocar a mim e, não tenho dúvidas, a mais uns tantos milhões de portugueses (não sei se d'aquém e d'além mar em África) para me empenhar durante o Euro a "demonstrar, a quem nos visita, a nossa intrínseca e cordial hospitalidade".

Lamento Senhor Ministro. A carta não vem acompanhada do livro de instruções. E então como posso ser eu cordial? Também não me informa se o Ministério da Educação está a promover umas aulas suplementares ou então a esta distância se já pôs na NET o livrinho de que falo e que tanta falta me faz. Bem pela NET do Ministério da Educação não me safo. Imagine lá que o livrinho vinha com a % de gralhas equivalente à das listas de colocação dos professores!!! E eu aprendia a lição ao contrário. Já viu depois...não saber a lição e quem dá a cara sou eu.

Bom vou bater à porta de outro Ministério. Mas qual, hesito, Administração Interna, Justiça... Inclinar-me-ia para o da Administração mas corro o risco de apanhar com um livrinho de combate aos incêndios, datado do século IX (AC), apesar de constar que se trabalha afincadamente desde há um ano na sua actualização mas a coisa parece estar preta. Apesar das decisões do Ministro da Economia sobre produtividade, a produtividade tem vindo a emperrar primeiro no Ministério pivot e também nos outros. Mas nã se preocupem a produtividade vem nos power points. Vou optar pela Justiça, mas meu Deus aqui estamos ainda nos tempos de Napoleão.

Já percebi não me safo, as Portas fecharam-se. Eu quero ser cordial, Mas o livro, Senhor!!!
 

As estradas que matam!

Infelizmente a morte nas nossas estradas é uma constante e não venho anunciar uma receita para evitá-la, nem pretensões de especialista na matéria.

Mas costuma-me muito francamente admitir que a solução esteja tão somente na elevação das multas. Mas há quem ponha a tese da repressão sempre à frente de tudo.

A minha valorização das coisas não vai por aí nem no código de estrada nem no resto da vida. Fazer desabrochar valores que alicercem, em primeiro lugar, o respeito pela própria pessoa e o respeito pelos outros é quanto a mim o melhor trajecto. Uma campanha de fundo a desenvolver-se desde os bancos da escola. Não se infira daqui que sou contra as penalizações. Não, acho-as importantes, mas defendo-as muito selectivas e bem suportadas numa série de outras dinâmicas e acções enquadradoras, entre elas a promoção da cidadania.

A cultura da cidadania está pouco arreigada entre nós e, neste campo do código de estrada, os exemplos de cima não abundam, antes pelo contrário, são os carros dos nossos governantes a deslocar-se acima das leis em vigor, em altas correrias, infringindo tudo e mais alguma coisa ou então a contrariar as leis dos sentidos proibidos, como muito recentemente a imprensa referiu na Zona das Amoreiras, ou ainda, a utilizar o "tinoni" como se fossem de urgência para a maternidade. Pede-se um pouco de educação e cidadania aos senhores governantes, embora pelos exemplos, me pareça que grande parte deles se sente acima da lei.

Isto vem a propósito de uma coisa muito simples, meus amigos, da má sinalização nas vias de circulação, uma, entre muitas, das causas sérias dos acidentes rodoviários.

Num fim de semana pacato vinha eu a entrar em Lisboa via ponte Vasco da Gama e assisti à seguinte cena. Um carro a hesitar por onde sair e nisto um carro detrás enfaixa-se pelo lado direito, porque o primeiro, o hesitante, ia a mudar de faixa. Não se trata de apurar culpas entre os condutores. Mas do que observei não tenho dúvida alguma que a má sinalização na saída criou a hesitação e a hesitação o choque e duas crianças recolheram ao hospital bem magoadas.

Ora olhemos para a sinalização por esse País fora, olhemos para as cidades sobretudo para os problemas de circulação nas rotundas e outros cruzamentos e sem qualquer demagogia todos pensamos que as nossas autoridades de trânsito têm muito que fazer para que o cidadão condutor possa não ter hesitações e não pôr em causa o seu parceiro.

Porque não se associam as nossas autoridades de trânsito a uma entidade de prestígio como o ACP para pôr em marcha um projecto de vistas largas neste domínio, para fazer frente a uma série de problemas? Certamente,para além do cidadão comum, várias actividades, entre elas o turismo, ficariam agradecidas por trabalho tão fundamental. Uma boa sinalização impõe-se.

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